Maconha na gravidez: o debate

Um dos assuntos mais controversos quando se fala da relação entre as mulheres e a erva é o consumo da maconha na gravidez e seus possíveis efeitos no desenvolvimento do feto. Críticos afirmam que consumir maconha pode causar complicações na formação do bebê.

Entretanto, os estudos promovidos até hoje não conseguiram provar a tese proibicionista. É fácil criar uma narrativa baseada no medo em um público mal-informado. A desinformação propaga a ideia de que, se a exposição ao tabaco e álcool traz riscos significativos ao recém-nascido, com a maconha isso não seria diferente.

Como em quase toda discussão que envolve a maconha, essa é mais uma falsa analogia. O fato é que existem poucos estudos sobre sequelas físicas em bebês que tiveram contato com a erva durante o pré-natal. As pesquisas mais recentes, porém, não encontraram uma ligação direta entre o consumo da cannabis e impactos negativos no desenvolvimento da criança. Estudos mostram que crianças cujas mães consumiram maconha durante a gravidez não apresentaram desenvolvimento diferente daquelas que não foram expostas à cannabis.

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O que dizem os estudos?

Um estudo de 2009, feito pela University of Bristol in Great Britain, descobriu que “a cannabis consumida pela mãe não estava associada com problemas psicológicos.” A University of Pittsburgh School of Medicine publicou um estudo em 2008, onde encontraram um “significante não-linear na relação entre crianças expostas a marijuana e inteligência infantil”. Alguns estudos tem mostrado até que crianças cujas mães fumam maconha quando estão grávidas acabam tendo uma performance melhor em teste psicomotores e avaliações físicas do que aquelas que nunca tiveram contato com a cannabis.

O estudo mais citado sobre o assunto é da Dra. Melanie Dreher, publicado em 1992 (Prenatal Marijuana Exposure and Neonatal Outcomes in Jamaica: An Ethnographic Study), que examinou o peso de nascimento e o desenvolvimento inicial de bebês expostos ou não à maconha. Sua pesquisa, que foi publicada pelo American Academy of Pediatrics, concluiu alguns resultados bastante interessantes. Entre outras coisas, ela concluiu que:

  • Não há diferenças significativa no peso de nascimento entre bebês expostos e não expostos à cannabis durante a gestação.
  • Crianças cujas mães usaram maconha demonstraram melhor estabilidade física com 1 mês de vida.
  • Mães que consumiram muita cannabis demonstraram que os bebês expostos a uma grande quantia “eram mais interativos socialmente e tinham suas funções autônomas (respiração, digestão, circulação) mais estáveis aos 30 dias de vida.”
  • Crianças que tiveram contato com a cannabis no útero revelaram ter mais qualidade de atenção: seus sistemas motor e autônomo (responsável pelas funções que acontecem involuntariamente, como respirar) eram mais fortes; elas eram menos irritáveis e estavam menos propensas a demonstrar qualquer desequilíbrio emocional;
  • Em 5 anos de acompanhamento, as crianças não demonstraram nenhuma correlação negativa e até mostraram mais resultados favoráveis em sua flexibilidade e capacidades autônomas.

Mulheres ao redor do mundo têm usado maconha durante a gravidez por milhares de anos, com uma infinidade de objetivos. O maior deles é tratar dores e náuseas causadas pela gestação. Contudo, nos dias de hoje, esse ato pode levar a mãe a perder a custódia de seu recém-nascido, ou em alguns casos, ter de responder por um crime como negligência ou abuso infantil.

Fortes enjoos matinais são um sintoma bastante incômodo da gravidez, que pode pôr em perigo tanto a mãe quanto o bebê. Quando a mãe não consegue manter o alimento e vitaminas, isso não prejudica apenas o seu corpo, mas também priva seu feto de nutrientes essenciais para o desenvolvimento saudável. A maconha já ajudou milhares de mulheres a administrar sua náusea, permitindo-as se alimentar e manter o comida no estômago.

O medo e a desinformação que rondam esse assunto justificaram políticas públicas que prejudicam a saúde da mãe e do bebê, além de ameaçar os direitos reprodutivos femininos.

É hora do debate e de leis baseadas em fatos, não em ficção.

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