Internet e comercialização de novas drogas

Por Daniela Duarte – Redutora de Danos,
para o Portal do Growroom

A internet como fonte de informação sem limites, também se caracteriza pelo mercado virtual para troca de bens e serviços.

Segundo o Observatório Europeu sobre drogas, o mercado de venda de substâncias psicoativas através da internet vem crescendo nos últimos anos e vem trazendo uma vasta gama de produtos a base de plantes, em especial misturas herbáceas, bem como artigos que contem compostos sintéticos. Entre as substâncias que aparecem no mercado virtual encontram-se desde drogas tradicionalmente usadas em regiões do mundo até substâncias químicas experimentais sintetizadas em laboratório e que não foram testadas em seres humanos. As inovações consistem em marcas e embalagens atrativas. Um exemplo são as misturas herbáceas comercializadas desde 2006 com o nome de Spice.

Foram encontradas diversas marcas de Spice em diferentes embalagens e diversas listas de ingredientes. Análises feitas pela polícia científica não conseguiu detectar, em muitos casos, as substâncias citadas na embalagem, embora tenha identificado em algumas amostras o canabinóide sintético JWH-018. Em experiências com animais, essa substância produz efeitos iguais aos do THC e segundo relatórios tem potência superior. Essas substâncias não foram citadas na embalagem sendo então consumidas inadvertidamente.

As embalagens do produto informam a presença de 14 ingredientes de origem vegetal. Pouco se sabe sobre a farmacologia e toxicologia das matérias vegetais supostamente contidas no produto Spice. Esses produtos podem ser encontrados em lojas virtuais bem como nos chamados Head, que vendem drogas legais em países como Áustria, Alemanha, Portugal, Reino Unido, República Checa, Letônia, Lituânia, Luxemburgo e Polônia.

A proibição de muitos dos produtos usados nas misturas do Spice levou ao surgimento de substâncias alternativas para serem usadas. O rápido surgimento de produtos alternativos ao Spice demonstra que existe grande capacidade deste mercado em responder às mudanças de estatuto jurídico das substâncias psicoativas e a colocação de novas drogas no mercado.

Através da internet o público encontra possibilidade de comprar substâncias alternativas às drogas controladas, sendo esta monitorização importante para conhecermos as novas tendências no consumo de drogas. É importante prestarmos atenção aos riscos associados a essas novas substâncias. São necessárias informações sobre os novos produtos e é importante alertar que algumas das novas substâncias sintéticas não foram ainda testadas em humanos. Em 2008, 13 novas substâncias forma notificadas oficialmente pela primeira vez na União Européia através do sistema de alerta rápido. Das novas substâncias 11 eram sintéticas (criadas em laboratórios) e 2 correspondem a plantas.

O ecstasy, por exemplo, havia sido usado em psiquiatria nos anos 60, além de estudos científicos sobre os mecanismos cerebrais. No entanto, nenhum estudo ou pesquisa farmacológica ou toxicológica vem sendo feito na maioria dos novos produtos químicos que surgem. Toda informação vem descrita por experiências pessoais através da internet.

A revista britânica Mixmag realizou uma das maiores pesquisas sobre consumo de drogas em casas noturnas do mundo e identificou o uso de nova substância sintética chamada Mephredone, cujos efeitos podem ser comparados aos da cocaína. O que chama atenção é o fato dessa droga ser amplamente comprada através da internet por ser uma substância lícita (um fertilizante). Esses dados demonstram como a internet vem modificando a forma de se consumir drogas, revelando mudanças nessas práticas culturias ainda pouco conhecidas, merecedoras de atenção, estudos e políticas públicas adequadas.

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