Morre Elisaldo Carlini, pesquisador brasileiro de maconha

O Brasil e o mundo da pesquisa científica sobre Cannabis se despedem do principal pesquisador brasileiro sobre a planta. Elisaldo Carlini morreu nesta quarta-feira, dia 16 de setembro de 2020, aos 91 anos. Carlini, ou professor e médico Carlini como era conhecido, publicou um dos primeiros livros sobre Cannabis e outras drogas do país intitulado “Drogas: subsídios para uma discussão”.

Carlini foi um ferrenho defensor do uso medicinal da Cannabis e pesquisador do assunto. Ele possuía graduação em Medicina pela EPM/Unifesp (1956) e mestrado em Psicofarmacologia pela Yale University (1962). Atuava como orientador de mestrado e doutorado do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp, e era membro de diversos conselhos e instituições ligados à pesquisa sobre Cannabis e outras drogas no país e no mundo.

Reitoria da Unifesp emite nota oficial sobre perda de Carlini

A Reitoria da Unifesp manifestou seu pesar através de nota e trouxe um histórico de Carlini. “Com enorme pesar, a Reitoria da Unifesp comunica o falecimento do nosso querido médico, professor e pesquisador Elisaldo Carlini. Carlini, considerado o maior nome da ciência brasileira quando o assunto é Cannabis medicinal, estava internado e faleceu na data de hoje, com 91 anos.

O Prof. Elisaldo Carlini formou-se em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) em 1956, instituição na qual é professor emérito, foi professor do Departamento de Farmacologia e fundou o Departamento de Psicobiologia da EPM, além de ter fundado e dirigido o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid). Foi membro do Departamento de Medicina Preventiva da EPM e contribuiu para a formação do Instituto de Ciências Ambientais Químicas e Farmacêuticas, Campus Diadema da Unifesp. Foi orientador de diversos programas de pós-graduação, tendo formado gerações de pesquisadores (as) e cientistas. Até seu falecimento estava atuando como orientador de mestrado e doutorado do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp.

É um dos maiores especialistas em entorpecentes do Brasil, e um dos mais respeitados internacionalmente, tendo estudado os efeitos da maconha e de outras drogas em nível experimental durante toda sua vida profissional.

Ao longo dos seus 91 anos, foi condecorado duas vezes pela Presidência da República por seu trabalho como pesquisador, citado 12 mil vezes em pesquisas científicas nacionais e internacionais. Foi presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e membro do Conselho Econômico Social das Nações Unidas (ECOSOC/ONU).

Doutor honoris causa de inúmeras universidades, dentro e fora do país, e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Yale. Teve mandatos como membro do Expert Advisory Panel on Drug Dependence and Alcohol Problems, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, foi pesquisador emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Sua carreira e sua trajetória como intelectual, cientista e militante pela legalização da maconha medicinal mostram a grandeza do professor Carlini, tendo vivido a pesquisa e a vida acadêmica em dedicação exclusiva, até o último instante.

Por toda sua contribuição, está circulando o PL 399/2015 que traz a possibilidade de cultivo e produção de remédio à base de Cannabis em nosso país e, em abaixo-assinados é pedido que a Lei tenha o nome de Lei Elisaldo Carlini, prestando devida homenagem ao pioneiro nos estudos sobre a Cannabis para controle de epilepsia no Brasil”, encerra a nota.

O Growroom teve a oportunidade de acompanhar simpósios e outros eventos com a participação de Elisaldo Carlini e manifesta sua homenagem ao seu trabalho em prol da planta, inclusive no lançamento do livro “Maconha: mitos e fatos”, conforme dá para assistir no vídeo abaixo.