Dois brasileiros na Spannabis 2010

Por *Maristela Moraes e Rafael Guimarães dos Santos, para o Portal do Growroom

Nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro foi realizada em Barcelona a Spannabis 2010-Feria del Cáñamo y tecnologias alternativas.Na sua sétima edição, a Spannabis já é considerada a maior feira de cannabis do mundo.

Em um espaço de 8.000m² e mais de 150 stands, foi possível encontrar uma enorme variedade de tipos de sementes e produtos relacionados ao cultivo e uso de maconha, além de tendas de organizações cannábicas, como a Federación de Asociaciones Cannábicas, e de redução de danos e riscos, como a Energy Control.

Também aconteceram atividades como conferências, música e outras atuações, e ao final, a Cannabis Champions Cup.

Dentre as conferências, merece destaque a de José Carlos Bouso,
pesquisador do Centro de Investigación de Medicamentos, do Hospital de Sant Pau, Barcelona, sobre cannabis no tratamento de transtornos mentais; a de Manuel Guzmán, da Sociedad Española de Investigación sobre Cannabinoides (SEIC), sobre o sistema canabinóide; e a de Jonathan Ott, químico, etnobotânico e escritor, sobre o histórico do conceito de “adicção”.

Para cada dia a entrada custava 15 euros e se formavam filas grandes nos acessos ao evento. Estima-se que mais de 19.000 pessoas participaram da feira.

Desde a entrada já era possível ver uma fumaça que cobria o galpão, o que não deixava dúvida sobre do que tratava o evento. Curiosamente, em curtos intervalos de tempo se podia ouvir nos auto-falantes de toda a Feira, em castelhano e catalão, a advertência de que era proibido fumar naquelas instalações. Muita gente ria ao ouvir aquelas palavras que naquele contexto não faziam o menor sentido.

Os stands estavam muito bem estruturados e as várias empresas expunham seus produtos, dos mais variados tipos e marcas. Sacolas personalizadas, brindes na forma de acendedores e canetas, muitos panfletos, cartazes, catálogos, revistas e os mais variados materiais impressos.

Era possível encontrar muitos tipos e tamanhos de armários de cultivo, além dos tradicionais kits, fertilizantes, sementes, equipamentos para distintos tipos de cultivo, além de apetrechos e acessórios relacionados à cultura cannábica.

Participar de uma Feira do porte da Spannabis possibilita ter uma idéia da força que o tema do cultivo de cannabis tem aqui na Europa, principalmente na Espanha e na Holanda.

Segundo a Cannabis Magazine deste mês (fevereiro), são mais de 183 grow shops espalhados pelas principais cidades espanholas.

Além disso, a quantidade de gente de todas as idades que visitaram a Feira demonstra que há um crescente número pessoas que cultiva ou está interessada em cultivar cannabis, uma das estratégias mais indicadas para reduzir danos e riscos relacionados à ilicitude do comércio e da má qualidade da maconha consumida.

Legislação

A legislação espanhola não considera delito o consumo próprio, porém, o consumo em espaços públicos pode gerar multa.

O grande problema é que, ainda que algumas condutas não sejam consideradas delito, a lei de Protección de la Seguridad Ciudadana, conhecida como Ley Corcuera, permite sanções administrativas, mesmo que o Código Penal não as prescreva.

Também ocorrem por aqui, assim como no Brasil, casos no quais usuários são presos sob acusação de tráfico, por que a Lei não estipula as quantidades claramente.

*Maristela Moraes é doutoranda em Psicologia Social pela Universidade Autônoma de Barcelona; Rafael Guimarães dos Santos é doutorando em Farmacologia pela Universidade Autônoma de Barcelona e pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinadres sobre Psicoativos – NEIP.

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