Coffeeshops de Maastricht não venderão mais cannabis a turistas

Parece que a desanimadora medida proposta pela direita conservadora vai mesmo pegar na Holanda. A ideia, apresentada no dia 27 de maio, propõe que seja proibido o acesso de turistas aos coffee shops espalhados pelo país, transformando as lojas em confrarias fechadas, exclusivas para holandeses cadastrados. Com o objetivo de diminuir o “turismo das drogas”, o projeto foi anunciado primeiramente para as províncias de Limburg, Noord Brabant e Zeeland, localizadas ao sul da Holanda. Depois, a onda proibicionista se alastraria por todo o país.

No entanto, parece que a pioneira da restrição será Maastricht, no sudeste holandês. A prefeitura da cidade determinou nesta segunda-feira, 7 de agosto, que os cofee shops poderão vender maconha apenas para holandeses, belgas e alemães. A medida começa a valer em outubro e é balizada pelos supostos distúrbios causados pelos estrangeiros. Em entrevista à agência de notícias France Presse, o proprietário do coffee shop “Easy Going”, Marc Josemans, disse que a prefeitura fecharia as cafeterias caso “os problemas” persistissem. Daí, veio a ideia de restringir o acesso, promovida, inclusive, pela VOCM (Associação ‘Coffe Shops Oficials’ de Maastricht). A associação é presidida por Josemans e reúne 13 dos 14 estabelecimentos da cidade.

Sobre os “problemas” citados como a causa da restrição, o empresário explicou que turistas de países fronteiriços como Bélgica e Alemanha são menos baderneiros, pois usam transportes coletivos para chegar à Holanda “e, portanto, não provocam, por exemplo, problemas no trânsito”. Outras complicações atribuídas aos 1,4 milhão de estrangeiros que visitam os coffee shops anualmente seriam a poluição sonora e a proliferação de traficantes de drogas nas ruas. Além dos belgas e alemães, turistas da França, da Itália, da Espanha e de Luxemburgo são os que mais frequentam o país para consumir cannabis. A Prefeitura de Maastricht espera que a restrição diminua em 20% os problemas causados pelos visitantes.

Além de representar um retrocesso na legislação do país tido como exemplo no tocante à legalização da maconha, o projeto restritivo assusta os cannabistas, que sonham em visitar a “meca” europeia da maconha. Agora é esperar que o projeto não caminhe tão rápido, para que todos tenham a oportunidade de fumar um baseado no conforto de um bom coffee shop.