Chefes de polícia canadenses pedem mudança na lei da maconha

Os policiais do Canadá estão pedindo por mais opções na hora de lidar com os casos de posse de maconha rotineiros, como somente aplicar uma multa ao invés de ter que fazer uma prisão formal.

A Associação Canadense de Chefes de Polícia (CACP, na sigla em inglês) esclarece que não está pedindo a legalização da erva, mas sim soluções menos danosas e demoradas. Porém, o governo conservador do Primeiro-Ministro Stephen Harper está atrasando qualquer tipo de mudança na lei.

Jim Chu, o chefe de polícia de Vancouver, declarou à imprensa do país que prisões por posse da erva sujam a ficha dos infratores – os fumetas – e isso pode interferir nas habilidades deles de viajar, conseguir empregos e até conseguir a cidadania canadense, no caso de imigrantes em processo de regularização.

Em seu discurso, Chu deixou claro que a CACP não apoia nem defende a descriminalização ou legalização da canábis, mas “é preciso reconhecer, porém, que na legislação atual, a única opção de para a polícia quando confrontada com a simples posse de canábis ou é para fechar os olhos ou aplicar as regras. A segunda segue um processo longo e difícil, que, se comprovada culpa, resulta em uma condenação penal e ficha criminal”.

Em resposta a uma consulta, o novo Ministro da Justiça Canadá, Peter MacKay, argumenta com a mesma afirmação de sempre, dizendo que o governo “não tem intenção de legalizar ou descriminalizar a maconha”.

“As drogas são ilegais devido aos efeitos nocivos aos usuários e à sociedade”, reivindicou MacKay. “Como governo, temos a responsabilidade de proteger os interesses de famílias em todo o país”. O governo Harper tem sido imune a uma variedade de recursos que pedem uma revisão na lei.

Cinco ex-promotores públicos de British Columbia – incluindo o ex-ministro da saúde Ujjal Dosanjh – apelam para a descriminalização alegando que as leis proibicionistas geram fortunas para os criminosos e incitam a violência. Quatro ex-prefeitos de Vancouver – juntos ao atual prefeito Gregor Robertson – afirmam que parte dessa violência é estimulada pelo status quo, consequência das absurdas quantias de dinheiro que circulam pelo mercado negro.

As estatísticas mostram muitas vezes a polícia fecha os olhos para a posse de maconha em Vancouver, enquanto a prisão é muito mais provável em cidades do interior. Também na metrópole acontece uma Marcha da Maconha anual, sempre no dia 20 de abril, o dia oficial da erva.