Candidatos da maconha nas eleições municipais de 2020

As eleições municipais de 2020 já estão quase chegando. O pleito para escolher vereadores e prefeitos por todo o Brasil acontece nos dias 15 e 29 de novembro (1º e 2 turnos, respectivamente). Como disse há pouco tempo William Lantelme, na coluna do Growroow na Mídia Ninja, “a militância antiproibicionista precisa urgentemente fazer uma articulação nacional em torno das candidaturas canábicas para voltar a pautar a legalização da maconha na política”. E opções não faltam: afinal, são muitos os candidatos da maconha, principalmente à vereança, que neste ano levantam a bandeira antiproibicionista.

326 candidatos 420 neste ano, diz site

Prova disso é o levantamento feito pela jornalista Cecília do Lago, do site “Cannabis & Saúde”, que mostrou que foram registradas 326 candidatura para vereador com o número 420, numeral que simbolicamente representa maconheiros (as) por todo o mundo. Segundo o site, dentre os partidos, PSOL, PT e PCdoB lideram a lista, com respectivos 31, 24 e 22 concorrentes. Um dos candidatos, inclusive, leva o número no próprio nome: Dário 4e20 (50420), do (PSOL-MG), que busca a vereança pela segunda vez em Belo Horizonte. Também em BH, o jovem Jorge Gabriel (13420), que já foi militante da Marcha da Maconha, é candidato pelo PT-MG.

O número de Dário é o mesmo do veterano André Barros, do PSOl-RJ, que mais uma vez busca a vereança no Rio de Janeiro. Membro da Comissão de Direitos da OAB-RJ e advogado da Marcha da Maconha, Barros é um ativista histórico da capital fluminense e já atuou na defensa de dezenas de usuários e cultivadores presos injustamente como traficantes. Também já deu suporte para diversas famílias de pacientes que buscaram na justiça o direito de plantar seu medicamento e foi o autor da ADPF-187, votada por unanimidade no STF em 2011, garantindo a legalidade da Marcha da Maconha no Brasil.

André Barros mais uma vez fazendo história

A campanha de André Barros, inclusive, está dando o que falar: o advogado gravou um vídeo de divulgação em uma plantação legal de cannabis e já está sendo alvo das sandices dos conservadores e caretas de plantão.  Muitos chegaram a denunciá-lo por apologia, o que inclusive fez o Ministério Público Eleitoral (MPE) notificar judicialmente o candidato sobre o vídeo, que poderia estar extrapolando o direito à liberdade de expressão.

Também no Rio, se candidatam Renato Cinco (50555), outro antigo militante da causa, e Bruna Fernanda (50456), ambos do PSOL. Bruna é a primeira mãe a conquista o direito ao habeas corpus, sem advogado, para o cultivo medicinal de maconha. A estudante de farmácia impetrou sozinha o recurso que garante o salvo-conduto para que ela plante o remédio que até provou ser o único possível para aplacar os sintomas do autismo, doença que acomete seus três filhos.

Durante os anos de luta até a conquista, a carioca tornou-se referência para mães que buscam o mesmo direito e querem aprender a cultivar, através de seu canal no You Tube, chamado “Mamãe Bruna Cultiva”.

Saiba de outros candidatos da maconha

Em São Paulo, um dos grandes nomes é a Ganja Coletiva (50420), candidatura coletiva do PSOL-SP, ancorada pelo militante Fernando Profeta Verde. A capital paulistana terá ainda as candidaturas cannábicas de nomes como Alzira Bombonato (50124), do PSOL; Raul Thame (43420), do PV; e Zazá (13420), do PT. Campinas conta com Raul Pardinho (50010), Rio Claro com Bia Florentino (50180) e Sorocaba com Juan Lomardo (50420), ambos do PSOL.

Mas a lista não fica só no Sudeste. Em Recife, no Pernambuco, o candidato Marco Smoke (70420) representa a pauta pró-legalização pelo AVANTE; enquanto, em Quixadá, no Ceará, Neto Lobo (18420), da REDE, também representa a luta. E no Sul, em Florianópolis, Santa Catarina, Marcos Sodré (12420) também levanta a bandeira da cannabis.

E com certeza ainda faltam muitos. Ou seja, opções não faltam! Procure saber quem são os (as) candidatos (as) que defendem uma política de drogas mais racional e humana e vamos juntos (as) colocar essas pessoas para ocupar os espaços do poder público. Afinal, apesar da lei sobre drogas ser federal, a atuação dos vereadores nos municípios pode ser muito importante para a nossa luta.