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Vocês assumem abertamente pra sociedade que fumam maconha?


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  • Usuário Growroom

Vocês batem no peito e admitem que fumam maconha quando perguntam ou são mais da ideia de "maconheiro bom fica quieto"? Ou então só admitem e falam abertamente com as pessoas próximas a vocês?

E em outras situações, quando perguntam se vocês fumam, como por exemplo em entrevista de emprego, em exames/consultas quando o médico pergunta se fumam, vocês admitem? 

E além de várias outras coisas que expõem a indentidade de maconheiro, como sair usando roupas, acessórios, adesivos que fazem referência a planta. E também vejo muita gente postando foto fumando nos status/stories na maior cara de pau, compartilhando memes e publicações sobre o assunto nas redes, e fazem tudo isso quase como se fosse legalizado mesmo. 

Eu, sinceramente, evito me expor assim, sou meio cabreiro e sem contar que sempre vem algum mala incomodar, e não tenho saco pra ficar dando satisfação. Porém, admito que as vezes fico me sentindo meio covarde por isso, pois fumo a erva e gosto pra caralho, mas aí fico me reprimindo sobre o assunto, ou será que o mais certo é evitar essas discussões e exposição mesmo? 

Mas e aí, aos que fazem isso, se sentem melhor assim? Ou tudo isso é correr risco a toa? 

 

 

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  • Usuário Growroom

Eu acredito que não existo o certo e o errado. Eu evito de me expor. Talvez me expondo, ajudaria a mostrar o volume de pessoas que fumam mas, pagaria o preço do preconceito.

Tenho um amigo empresário (publicidade) que nunca escondeu de ninguém, está hoje com mais de 40 anos e continua do mesmo jeito. Ele já me falou uma vez que o fato de acreditar que outras pessoas vão ter preconceito com relação a mim, profissionalmente falando, é um preconceito meu. Eu teria que ligar o foda-se e ajudar a mudar essa visão. Eu não paguei p/ ver e não revelo essa intimidade p/ ninguém do meu circulo de amigos do trabalho.

Por outro lado, tenho amigo empresário (laboratório de análises clinicas em uma cidade pequena) que não escondia de ninguém que fumava durante o período de faculdade. Mas, depois, com o tempo e maturidade, tornou a ato de fumar extremamente secreto, para melhorar a imagem dele e do negócio dele.

Com amigos, todos sabem que fumo e acho que todos já fumaram comigo. Mas, não ando com camisa ou boné com foto da folha. Mas, é uma opção minha. Acho que existe muito preconceito. Nunca falei p/minha família mas, acho que todos sabem rsrsrs

Em resumo ... depende muito da personalidade de cada um, do tipo de profissão que cada um seguiu. Em algumas áreas o preconceito é maior.

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  • Usuário Growroom
7 horas atrás, Terraqueo disse:

Em resumo ... depende muito da personalidade de cada um, do tipo de profissão que cada um seguiu. Em algumas áreas o preconceito é maior.

Fato!

Eu por exemplo não revelo que fumo. Alguns chegados mais íntimos sabem pq já fumei com eles, mas insisto para que não esparrem por aí que eu fumo, justamente por essa questão da minha imagem e a da empresa que represento. Ninguém dos meus colegas e subordinados ou mesmo clientes sabe que eu fumo, e se soubessem, por conta de todo o preconceito que cerceia o assunto, certamente a credibilidade e a adesão das pessoas cairiam, por esse "simples" fato. 

Eu penso que mesmo que a maconha seja legalizada, ainda assim não vou bater no peito e exclamar que fumo com orgulho. Pq digamos que amanhã aprovem uma lei que legaliza geral a maconha... Não vai ser de uma hora para outra que o estigma e todo o preconceito com quem fuma maconha será substituído de "bando de drogado safado vagabundo" para "cidadãos do bem, conscientes e responsáveis" ou algo assim. Então sim, seguirei sendo stealth o quanto puder, até que o preconceito com a planta e quem faz uso dela diminua bastante (ou acabe de vez né), mesmo que haja a legalização 100%.

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    • Por Observar&Absorver
      Salve galera, passando pra relatar o que estou vivendo no momento. Irei fazer um breve relato do meu passado para que as coisas fiquem mais claras.
      Perdi minha mãe com 8 anos e sofro de epilepsia desde os 12 anos hoje tenho 29, são 17 anos lutando contra esta doença e sempre tomei remédio para epilepsia (me sentia muito descriminado pelo fato de ter tido crises em público). Tive crises de depressão em 2016, porém não aceitei ajuda devido o fato de eu ter tido uma educação muito MACHISTA, e agora em 2019 tive crises de ansiedade/depressão onde procurei ajuda com psiquiatra e psicólogos.
      Sou casado a 3 anos e estamos juntos a 8 anos, porém eu voltei a fumar maconha em 2017, minha namorada na época hoje minha esposa nunca soube e no momento preferi não contar até porque estava morando fora, acontece que compramos um apartamento e viemos morar juntos em 2018 desde esse dia eu venho "preparando o terreno" falando sobre maconha em alguns momentos, falando que a maconha tem seu lado medicinal também onde muitas pessoas assim como eu poderiam ser beneficiadas, que a erva era discriminada por vários fatores um deles pelo fato de ter vindo ao Brasil pelos navios negreiros, então que tem muita coisa RACIAL envolvida, bom sempre tentando esclarecer todos os pontos e desvencilhar a imagem de "erva do diabo" para poder sentar e falar que eu fazia o uso quase que diário, lembrando que fumo muito pouco, um beck eu fumo em 2,3 dias.
      Lembrando que trabalho tenho um salário relativamente suficiente para nossas despesas, minhas esposa no momento estava tentando empreender numa loja porém com a pandemia atrapalhou nossos planos, então seguro a onde na questão financeira no momento.
      Em janeiro decidi contar pra minha esposa, pois algumas coisas estavam me incomodando como: Fomentar o tráfico, sentimento de traição em esconder dela isso, pois bem no dia que eu ia contar para ela,  assim que cheguei em casa do serviço fui surpreendido, ela me esperando com a noticia que eu seria PAI.
      Fiquei muito contente e estou muito feliz pois amo ela e creio que a reciproca seja verdadeira, porém não tive como falar sobre a maconha naquele momento, completamente inoportuno, a questão é a seguinte, quando abordar o assunto, lembrando que ela esta grávida e não posso assusta-lá com uma noticia pesada dessas, lembrando que ela não bebe, nunca fumou cigarro nem maconha, sempre foi criada dentro da igreja evangélica e tals, porém embora tenha essa educação tem abertura para alguns assuntos que eu acho muito valido abordar e estar atento como: Politica, Preconceito Racial, Feminismo, etc, sempre conversamos e trocamos ideias e as vezes dou entrada no assunto da ganja.
      Estou pensando em esperar meu filho(a) nascer para falar sobre o assunto com ela, pois sinceramente não sei o quanto assustada ela ficaria, entendo que errei em esconder e as coisas começam sair do controle, porém tentei nos poupar de um possível impasse na relação, gostaria que me dessem idéias de como fazer isso e quando fazer isso, se puderem me ajudar ficarei eternamente grato.
      Desculpem pela extensão do meu relato, é minha primeira postagem no grupo, obrigado a todos.
    • Por Edu.jpg420
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      Eu tenho essa dúvida a tempos e nunca parei pra pesquisar sobre, mas gostaria de saber a opinião dos maconheiros.
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    • Por andre.hfm
      Galera, criei este tópico para alguém como você, maconheiro adolescente, inteirar-se. Como é a relação de vocês com seus respectivos pais? Sabemos, sobretudo, que a aceitação é algo difícil de se conseguir, mas não impossível. Qual o problema de vocês com seus coroas? Caso foram aceitos, o que fizeram para isso ocorrer?
      Paz
    • Por Gustavou
      Segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
      Com a destreza discursiva de quem está convencido do que diz, porque já se escutou falando mil vezes, Alberto Calabrese sustenta que, em matéria de drogas, “o mundo inventou um problema onde não existia”. A afirmação, inclusive para os difamadores de Eduardo  Feinmann[1], soa no mínimo controvertida, até mesmo zombeteira. Como este homem grisalho de gravata e colete vai dizer que o assunto que hoje inunda os televisores e as agendas eleitorais é uma invenção? Como se atreve a desafiar uma realidade tangível, próxima: amigos mais, familiares menos, todos temos algum conhecido que acabou internado ou submetido a tratamento ambulatorial para deixar uma substância que lhe trouxe problemas.
      Entretanto, com corpo e língua bem soltos, este sociólogo, que foi presidente do Fundo de Ajuda Toxicológica[2], que assessorou a Chefia de Gabinete dos Ministérios da Nação Argentina em matéria de drogas e que dirige o curso de especialização em prevenção e assistência das adições da Universidade Nacional de Tucumán, assegura que diz o que diz porque o proibicionismo é “relativamente novo” e gerou, em torno de si, uma ferramenta para o controle populacional e um negócio transnacional: o narcotráfico. Por isso, implícita e explicitamente, Calabrese ri dos que prometem “acabar com o flagelo da droga”, e até tira sarro daqueles que juram ter receitas para “pôr fim ao narcotráfico”.
      Calabrese não pretende ser um “urubu” e estragar o dia dos que querem acreditar nos que “farão uma guerra contra o narcotráfico”.  Mas este, docente que participou das II Jornadas de Extensão sobre o Consumo Problemático de Substâncias que ocorreu em meados de setembro na Faculdade de Psicologia de Mar del Plata, ocupa-se, isto sim, de romper com ilusões, com base numa explicação com proposta e tudo.
      Calabrese fala da necessidade de conhecer e de transitar pelo paradigma da redução de danos...
      —O que você entende por “consumo”, o que entende por “adição”, e o que entende por “consumo problemático?
      —A princípio, as substâncias são como qualquer objeto. Ou seja: nós é que lhes colocamos condições, ou as ressignificamos a partir do que elas nos representam. Eu vou tomar alguma coisa porque me tranquiliza ou porque me dá alegria. Sou eu quem está buscando esse efeito, não a substância que o busca em mim. Temos que pensar como e por quê nos relacionamos com a substância.
      É algo parecido com o que acontece às pessoas entre si: nós não lidamos com todo mundo de modo igual.
      Com algumas pessoas nos encontramos, nos cumprimentamos e ponto; com outras temos uma afinidade determinada e nos vemos uma vez por semana, e com isso já existe uma regularidade de tempo e espaço. Isso seria, transportando para as substâncias, algo habitual que – eventualmente – pode chegar a ser problemático, dependendo dessa habitualidade. O “problemático” é estabelecido por quantas vezes, e em qual período de tempo.
      Assim, para definir abuso, temos que falar de uma regularidade conflitiva, também em relação a quantidades de tempo e espaço. Por outro lado, o que chamamos de “hiperconsumo” ou “dependência” pode se ligar a qualquer coisa que consumamos compulsivamente, não só as substâncias proibidas. A dependência é o “viver para”. Toda nossa vida se centra e orbita ao redor de estar consumindo esse algo que nos gera certo prazer. Pode ser o trabalho, uma substância, um objeto.
      Deve-se levar em consideração que o consumo e a dependência são muito mais acentuados com relação a objetos e substâncias que não estão proibidos e que são usados, mais do que os que estão proibidos.
      —Que estão proibidos há relativamente pouco tempo...
      —Sim, é um fato recente no tempo. A proibição tem apenas 55 anos de produção em escala mundial e surgiu de uma resolução da ONU de 1961. Quer dizer: a cocaína, a morfina, a heroína e outros tipos de substâncias psicoativas não estão proibidas desde que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, apesar de podermos fazer um paralelo entre a saída do paraíso e o consumir a única coisa cujo consumo não era permitido. Isso demonstra que as drogas se prestaram a outras funções: controle populacional e um grande negócio. Um negócio que envolve dois bilhões de dólares por ano. Isto é, uma estrutura difícil de ser desativada, porque pressupõe e envolve muitos interesses. Formalmente, todo mundo diz que se deve acabar com esse tema, mas a realidade é que esse assunto hoje tem uma tal importância na produção econômica que muitos são favorecidos pelo fato de a proibição se manter, em termos negociais.
      —No contexto de um sistema capitalista, a ideia do consumo não só está legitimada, como também é fundante, estrutural. Agora: o consumo de drogas parece que não estaria legitimado, é a parte má do consumo, o lixo. Se fizéssemos de conta que a droga é um cesto de lixo, o que é que nós, como sociedade, estamos jogando aí dentro?
      —Sem dúvida, quando se coloca tanta ênfase numa sociedade que pede que consumamos tudo, de tudo e a todo tempo, o que nos estão dizendo – aliás, não querem que tenhamos só uma calça, mas muitas –, é que os consumos são possíveis e servem para alguma coisa. Agora isso de que você tem que consumir de tudo, menos deste produto X, isso é reproduzir, de alguma maneira, o paradoxo do paraíso terreal: de todas as árvores comereis, menos daquela árvore da ciência do bem e do mal. As substâncias proibidas passaram a ser a moderna árvore da ciência do bem e do mal, com dois fatores agravantes: por um lado, fabricam um formidável negócio; por outro, funcionam de cesto de lixo para jogar vários problemas juntos. Nós os conjugamos e os recriminamos com base nessa substância. Se um cara tem problemas de violência e consome alguma substância, pronto: não se olha para nenhuma outra coisa, não se pensa que as raízes dessa violência podem ser o lugar onde viveu e onde lhe coube nascer. Isso é o que não é visto, simplesmente se atribui à substância o fato de que esta pessoa seja violenta. O mesmo se passa nos lares desajustados, se passa nos crimes incompreensíveis. É mais fácil ter algo que resuma tudo. O que se deve analisar são as causas da violência. Pensar que ela é produzida pelo consumo de tal ou qual substância é ingênuo. Às vezes, as substâncias podem agravar o quadro, claro. Mas de fato, se hoje temos que falar de uma substancia que é criminógena como metonímia, essa substância é o álcool. O álcool é o grande fator criminógeno do mundo, o grande impulsor da maioria das condutas antissociais, de brigas, danos, ferimentos, enfrentamentos.
      Um velho aforismo dizia que “a sociedade tem problemas, esses problemas não são sustentados pelas drogas; esses problemas é que sustentam a existência e a continuidade do consumo de substância”. Isso se dizia nos anos 70 e, apesar dos anos, continua sendo válido.

      —A partir desse paradigma proibicionista, o que justifica que tenham deixado de fora o álcool e tenham censurado outras substâncias?
      —Segundo a Organização Mundial da Saúde, o álcool e o tabaco são dois dos grandes protagonistas dos danos por substâncias, que também são psicoativos apesar de não estarem proibidos. A nicotina é um estimulante e o álcool é um depressor. De maneira que a diferença está no lugar que foi atribuído arbitrariamente a tais ou quais substâncias psicoativas, que o são simplesmente porque têm ação sobre o sistema nervoso central.
      Chama a atenção também que as substâncias psicoativas não são quatro, são dez mil. Na natureza e nos produtos vendidos em farmácia há muitos alucinógenos. No desenho de drogas também, elas existem de todas as cores. Então, esta escolha de proibir com nome e sobrenome teve a ver com uma coisa discursiva, independentemente da boa intenção que possam ter tido em fazer as pessoas se distanciarem de algo que pode causar danos.
      Mas também tem outra coisa: as drogas com nome e sobrenome servem para exercer um controle populacional. Isso se nota muito quando se vê quais substâncias são consumidas pelas pessoas com menos recursos, e quais pelas pessoas de maior renda. Por isso se persegue uma droga e não outra. Não se pretende controlar os que têm, mas aqueles a quem falta. A maioria das estatísticas, inquéritos e processos são dirigidos contra pessoas de baixa renda. O sistema de atenção social se focaliza sobre eles, que além disso ainda são as cobaias de todas as experiências, estatísticas, pesquisas, preocupações políticas etc. Os consumidores com recursos não são matéria de análise nem de persecução. Existe algo de classe, bem de um sistema desigual e injusto, mesmo que hoje o consumo esteja universalizado.
      —Há uma visão moralista sobre o consumo de substâncias. Não se quer falar das zonas prazerosas do consumo. Não é bom porque é mau, e ponto. Entretanto, também existem consumos decididos a partir do prazer, apesar de alguns acreditarem que se trata de um descontrole que desaba como efeito dominó.
      —Isso, de fato, tem a ver com o primeiro desejo de uma pessoa que consome substâncias. Seu primeiro contato tem a ver com o prazer. Não consome pensando que vai consumir para que lhe faça mal. Ela decide consumir porque crê que vai lhe fazer bem ou lhe dar prazer. Se depois ela se equivoca porque tem uma relação distorcida com esse objeto ou substância, aí já é outra história. Mas o primeiro que vai fazer é buscar sustentar o prazer.
      Só que de outro lado, também como sociedade, a nós cai bem não entender o assunto nesses termos, para podermos concentrar em poucas coisas e pessoas a ideia do dano. Então, queremos circunscrever a uma classe de pessoas que, pelo que consomem, já têm o mote da essência do dano como algo predeterminado. Por exemplo: você não vai ver grandes procedimentos com a questão do ecstasy. Nem mandados de busca e apreensão nos lugares onde se consome de forma significativa esse tipo de droga. Você vai ver intervenções por consumos “básicos”, inclusive não intensivos, de maconha, pasta base ou de alguma cocaína barata. E isso tem a ver com algo concreto: é mais fácil que você visualize uma conduta X em alguém que você quer controlar, e você pode fazê-lo através da substância que ele consome. Então você o pega e o trata massivamente: com o sistema público, com o privado, com o sistema mais ou menos.
      Caso contrário, não se explicaria por que tantos interesses sobre eles, quando se tem tanta quantidade de pessoas com problemas de psicoses não tratadas quanto há gente com problemas com drogas. Porém, para gente com problemas com drogas há voluntários de todas as cores. Há instituições públicas, privadas, municipais, nacionais, provinciais. E existe um paralelo para as situações de quando os problemas de saúde mental são severos? Não. Toda essa gente tem onde ser tratada? Não.

      Por alguns momentos, Alberto Calabrese se indigna. Dá pra notar, mas ele dissimula. Ele o faz com estilo e escolhe uma estratégia: visibilizar a partir do humor o absurdo do papo de “homem pouco sério que diz que, se algum dos candidatos determinasse a abstinência total da população, este tema das drogas não seria mais uma questão, seria história”[3]. Ele gira seus olhos. Franze um pouco os lábios, junta os cinco dedos das mãos e as agita no ar, e afirma: “se este senhor acredita que os anjos têm um sexo determinado, tudo bem, que ele acredite; mas ele deve saber que faz parte – como o unicórnio azul – das fantasias. Esse homem está pedindo o impossível, e há alguns que prometem que vão fazê-lo”.
      —Já falamos sobre o que a sociedade debita na conta do consumo. O que você considera que a classe política, o candidato, o administrador do Estado, estão debitando na conta das drogas?
      —O político trata de demonstrar, sobretudo quando está em campanha ou corrida eleitoral, que ele vai ser eficiente para tratar tudo o que causa dano, e controlá-lo rapidamente. Outro dia, escutei um senhor que estava deixando o governo da sua província e prometeu uma luta frontal e definitiva contra o narcotráfico, que é como se agora eu quisesse voar sem asas e para isso eu subisse no telhado aí da frente: sei que vou me estatelar, que não terei resultado. Quanto mais declarações pródigas eu fizer sobre a minha atuação, as pessoas parece que compram, na medida em que já estão condicionadas e dizem: “bom, este sim me representa e vai lutar contra o que eu temo”.
      Bem, eu me explico, porque ainda há várias coisas que são mitológicas: por exemplo, as pessoas dizem que se a fronteira fosse impermeável, não haveria drogas. Mentira. Fronteira mais bloqueada do que a dos EUA não existe e, mesmo assim, há drogas. Algumas são fabricadas lá mesmo e outras são importadas. Os EUA têm aviões e foguetes em todo o país para garantir sua defesa, quer dizer, nem uma pipa com dez gramas de cocaína poderia entrar voando sem que eles percebessem. Se acontece, é porque existe um sistema de corrupção que o permite. Fácil assim. Enquanto que no México montam uma guerra civil, nos EUA habilitam um negócio delimitado e controlado. Mas é o país mais consumidor do mundo.
      Outra [coisa mitológica] é essa de que teriam que proibir todas as substâncias que não são produzidas no país. E qual vai ser? Não vão continuar se drogando com drogas de farmácia, se for necessário? De fato, a Argentina começou assim o seu consumo problemático. Até a ONU chamou a atenção da Argentina, por perceber que era possível sustentar um fenômeno massivo de consumo através de substâncias do circuito farmacológico. Se hoje você perguntar a qualquer chefe de serviço de vícios do país qual é a principal causa de morte aos fins de semana, entre os sábados de madrugada e domingo de madrugada, vão te dizer que são as misturas de álcool com produtos de farmácia. Não por cocaína, não por heroína – que por sorte na Argentina nem funciona –, e menos ainda por maconha, porque ninguém morre por overdose de maconha.
      Então, se quisermos, podemos repetir a imagem paradisíaca de que estamos num paraíso que, não fosse pelas drogas, não teria problemas. Mas suprimimos as drogas e não vamos suprimir os problemas. Isso é mentira. Se suprimíssemos todas as drogas hoje por um passe de mágica ou se pudéssemos simplesmente apertar um botão, a pobreza estaria igual, a fome estaria igual, os motivos das guerras civis estariam iguais, os motivos de exploração humana também, e as tecelagens clandestinas e as milhões de coisas que a inconsistência do ser humano significa. Tudo estaria igual. Hoje, através da droga, essas coisas têm um motivo de manifestação. Por isso, há droga.
      Além disso, é hora de trabalharmos o tema de maneira menos heroica, mais cotidiana, mais natural, mais estruturada sobre outros motivos da realidade. Se isso ocorresse, não teríamos tantas dificuldades.

      —E o que acontece com os que não têm fome, falta de casa ou não sofrem exploração?
      —Sofrem o contrário. Eu me lembro de um velho juiz da vara da infância e juventude que atuava na Grande Buenos Aires. De um lado, estava um dos bairros mais caros do país; do outro, uma das maiores favelas da região. Ele sempre dizia a mesma coisa: “temos aqui duas classes de abandonados: uns pela falta de elementos, recursos e possibilidades; outros, pelo excesso. Seus pais não sabem o que fazer com eles. Dão-lhes dinheiro”. E eu acrescentaria: tudo que teria a ver com ocupação pessoal é transferido ao dinheiro, e o dinheiro não é resposta anímica a nada, nem de nada.
      —Você está dizendo que o consumo foi universalizado e que existe uma relação direta entre substância, classe social e tipo de consumo. Entretanto, você dá a entender que as respostas do Estado não mudaram muito e continuam sendo as respostas “históricas”, porque o discurso é o mesmo. Você culpa, nesse sentido, a um “casamento maldito”. Quem é que se casou?
      —Trata-se de um mix entre o que se dá no pensamento médico hegemônico sanitário – que crê que ao definir as substâncias ditas perigosas e dizer às pessoas que não as consumam, é o que basta – e o marco ético-jurídico atual, que é punitivo e proibicionista.
      O discurso médico pode levantar a bandeira de que determinada coisa – neste caso, uma substância – se reproduz por si própria. Isso quer dizer que funciona como se fosse um ser biológico, como por exemplo uma bactéria ou um vírus que têm vida própria e que estendem a sua vida deixando você doente porque eles, simplesmente, têm que sobreviver.  Mas as drogas são inertes, são iguais a este copo aqui. Dependendo do seu uso, isso vai ou não condicionar você. As drogas por si próprias não são capazes de gerar nada. Somos nós humanos que vamos até as drogas. É um fenômeno antropológico. Não são as drogas que nos aprisionam, mas nós é que vamos até a substância. Se o modelo médico não ajuda a entender isso, não ajuda a entender que há uma operação que tem a ver com o psiquismo, com a forma de entender desta pessoa, com suas questões que o condicionam ambientalmente – porque sempre dizemos que para qualquer enfermidade se necessita um indivíduo, ambiente e agente patógeno – estamos perdidos. Então, se esse discurso se mantiver nesses termos, ele não esclarece; simplesmente assusta, dizendo “isto te faz mal, isto te faz mal, isto te faz mal”, e as pessoas compram a ideia. E a isso se soma, então, uma eticidade jurídica que demonstra que o dano causado à pessoa, neste caso, é um dano particular, especial. Quando se juntam os dois, tem-se um coquetel explosivo, que até agora não serviu para nada além de causar mal, estigmatizar e criminalizar.
      Já se vão 55 anos de um discurso combinado sem resultados perceptíveis; ao contrário, cada vez se amplia mais o consumo.
      —Qual é exatamente a questão relativa aos fatores de usos e costumes quanto ao consumo?
      —Quando algo se estende em usos e costumes – e isso é algo que ajudou a dar significado à proibição – faz-se impossível desarraigar. E os usos e costumes sobre o uso de substâncias psicoativas proibidas estão mudando, há apropriação, e portanto vai haver costumes e maneiras distintos dos que há hoje. Agora, somente dizer que “te faz mal” não basta. Temos que tratar de ver por que as pessoas consomem, e ver o que buscam resolver com isso – inclusive se for por mero prazer – e tratar de sustentar em cada lugar o sentido de pertencimento, de vida e de projeto. Sem essas coisas, teremos consumo compulsivo, ou uso irresponsável, ou ações de risco para somente sentir adrenalina, porque às vezes avançar por uma ponte de olhos vendados é mais gratificante do que obedecer à norma. E até agora, o sistema público e muito do sistema privado não mudaram a ótica a partir da qual se analisa o fenômeno do consumo problemático de drogas.

      Alberto Calabrese deve ter uns tantos anos. Seu currículo diz que fez mil coisas. Que, além de graduar-se sociólogo, trabalhou na Sedronar[4], assessorou Aníbal Fernández[5] e trabalha para o Ministério da Saúde da Nação Argentina. Também aponta que ele é o responsável pelo curso de Especialização em Adições da Universidade Nacional de Tucumán, e que é diretor do Mestrado sobre Uso Indevido de Drogas, que na sede da Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires faz com que confluam e se articulem as faculdades de Direito, Medicina, Ciências Sociais, Farmácia e Bioquímica.
      Alberto, segundo esse currículo, é um montão de coisas que requerem capacidade de articulação. Ele o é graças à “desconstrução” (e recomendou isso aos “profissionais do campo da saúde”). “Nós não podemos assumir o papel de apontar o dedo e dizer a tal ou qual que ele é um adicto ou não o é. Em todo caso, pode-se falar de um humano com falências, com sofrimentos, e há que aprender a tomar para si a responsabilidade por eles. Se antes de mais nada, como agente de saúde, tomo para mim a responsabilidade pelo sofrimento mas não pelo prejuízo do sofrimento, aí posso me responsabilizar pelo ser humano. Senão me responsabilizo pela condenação. E assim, é melhor nem ser um ator da saúde, porque você será um ator da repressão”.
      —Por tudo isso, você diz que o mundo, em matéria de drogas, acabou construindo um problema onde não havia?
      —Sim, é isso mesmo, eu creio que o mundo criou um problema em torno das drogas. Conto-lhe em forma de imagem: o edifício [da ONU] que existe em Viena, dedicado às reuniões que se fazem sobre drogas, é tão grande quanto o que existe para a energia nuclear, e creio que as variáveis que intervêm nos dois temas são bem diferentes e seria muito mais lógico que o de drogas fosse menor, mas não. Têm o mesmo tamanho.
      O mundo colocou o pensamento sobre o assunto numa situação de precariedade; entretanto, sim, é verdade que existe algo de pensamento crítico. É pouco e ainda não produz resultados encampados pelo discurso oficial, salvo esses intentos tímidos de alguns Estados como o Uruguai, que exclui a penalização sobre a substância maconha para tratar de fazer um recorte que tenha a ver mais com a legalidade, e para tentar, como efeito secundário, que haja menos pessoas consumindo crack.
      Eu creio que vai chegar um ponto em que, a partir da racionalidade, isso tudo não vai mais se sustentar. Não há discussão séria em matéria de drogas, há preconceito e medo.
      —Muitos de nós olhamos o processo do Uruguai. Falam do paradigma da redução de danos. O que é? É esse o rumo que devemos tomar?
      —A política de redução de danos se pergunta que sentido faz que tais ou quais substâncias estejam no espectro da proibição. Se bem que essa é a última pergunta, ela é a decisão fundamental.
      Mas o que é a redução de danos: é tudo o que se pode fazer para evitar que uma pessoa consuma algo ou evitar que o faça em níveis que lhe possam trazer algum tipo de transtorno. A redução de danos pode ir desde a prevenção inespecífica para lograr construir sentido e conseguir que as pessoas se interessem pelo tema, até falar do que eu chamo de “senso de transformação”, porque a prevenção tem que ser transformação – já que, como mera advertência, não serve para nada. A prevenção é transformação, ou então não é nada.
      A redução de danos está bastante ligada ao fracasso, porque talvez a pessoa tentou muitas vezes deixar a adição e fracassou. Então, você tem que ver nesse caso como essa pessoa pode ter uma vida responsável com graus de consumo mais baixos. Ou inclusive até poder chegar a deixar de consumir, mas a partir de uma evolução. Não há que se pedir a abstenção, porque senão caímos na atitude moralista que temos hoje, quando vem um cara com problemas de drogas e o primeiro que lhe é dito é que fique em abstinência, e logo nós vemos o que lhe acontece para que ele chegue à abstinência. Isso às vezes é mais difícil que subir descalço um telhado cheio de óleo.
      Ou seja, é quase algo impossível; mas, possivelmente, se você acompanhar essa mesma pessoa para que ela faça uma substituição por outras substâncias, ou para que diminua o uso daquela mesma substância, ou com um sistema de contenção de pessoa a pessoa que lhe permita repassar esses problemas que são acalmados com o uso de drogas. Em localidades da Europa, por exemplo, se implementa a lógica “droga por droga”, tentando a redução do uso de uma droga no tempo, negociando com apoio para que não se consuma tanto, e isso está dando resultados. Esse programa também se faz no Canadá com o consumo de álcool.
      Com um “deixe de consumir” não se consegue. Pode-se deixar momentaneamente de consumir, mas não existe de fato mudança alguma sore o que leva a pessoa ao consumo compulsivo, então ela vai buscar esse objeto em algum outro lado. As abstinências forçadas geram consequências graves.
      Por Andrea Pérez Calle – Fotos: Facundo Nívolo Tradução e notas de rodapé: Carlos Francisco Marcondes Junior   Artigo publicado originalmente no portal Revista Ajo, edição de outubro de 2015 
      Tradução e publicação autorizadas pelo Editor, no Brasil, mediante licença copyleft.
      [1] Um jornalista conservador do rádio e televisão argentinos, que empreende abertamente uma cruzada contra as drogas.
      [2] O Fundo de Ajuda Toxicológica, criado em 1966, foi a primeira ONG argentina voltada ao apoio a dependentes de álcool e drogas.
      [3] Ao tempo da entrevista, a Argentina estava em plena corrida presidencial.
      [4] Secretaria de Planejamento para a Prevenção da Drogadição e a Luta Contra o Narcotráfico, órgão do Governo argentino.
      [5] Político argentino ligado ao Kirchnerismo. Foi Senador, Ministro da Justiça e Chefe de Gabinete da Presidência, entre outros cargos de relevo.
       
      Fonte: http://justificando.com/2016/01/18/o-unicornio-azul-nao-vai-nos-salvar-das-drogas-afirma-sociologo-argentino-/
    • Por DiegoFloresta
      Digam ai vocês que estão por dentro da conjuntura...
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    • opa... se esse seu briseiro foi feito com prensado vc não tem nem o que reivindicar  por que deu uma brisa  em kkkkkk, agora se foi com flor eu desconheço a razão dessa trip, outra coisa eu ti falo, se ela bebe ou usa outras drogas estará propicia a chapar.e fica louca mesmo,não vá nessa de remedinho de ansiedade isso é uma bomba de veneno que desencadeia outras coisa como vicio em pirulas ,e dependência dessa droga pra achar que só vai pode vive com ela. mano depende da dose e da materia prima que foi usada,eu faço mantega com 5 a 10 gramas de flores pra 200 gramas de mantega,e como uma vez por dia no cafe da manha ,minha dose é uma colher de sobremesa não muito cheia>>>meia hora um tuim>>>1 horaa pega a mente,fica euforico mesmo depois de 2 horas vai relaxando....e quanto que ela comeu?relaxa que passa. é uma epoca triste pra todos nós 500 quase mil estão caindo por dia e qualquer dia quallquer um pode ser um,,,essa nóia é constante,e a falta dessa merda de vida social irteligada com a vida ,quando cortada provoca issso,certa tristesa infinita que bate de veis em quando,vazio>>sei lá. recomendo arrumar um bicho de estimação,pra ter o que fazer e se manter ocupado e ter aquela sensação de ser util pra alguem,ja viu o berrero dos passaros quando vc vai por comida?e os dogs que nem sabem o que esta acontecendo com os humanos mais estão ali firme e forte lado a lado. vai fazer uma trip mano,vai acampa,vai pra praia,vai subi uma montanha,entra na floresta,cola na cachueira,abraça uma arvore,contemple a vida vcs são uns que deus esta livrando do coronga,agradeça a vida quando abri os olhos de manha,obrigado meus deus mais um diaa,mais uma luta>>>pois tem gente sem saúde nos hospitais dentro do balão do oxigênio implorando pela vida e só pode contar com a sorte e com a misericordia de deus de sobreviver pra contar a história. pro se ve tem 2 positivos no mesmo quintal,eu não vo faze teste nenhum tenho medo de ir pro balão e não voltar,to mi imunizando,e tomando uns grandragon pra fortifica o sistema endocanabinoide.e espera pela vacina e pedi sorte pra não ser mais um. não tem motivos pra panico e tratamentos babilonicos,falo por experiencia proria pois ja fui internado na santa casa,passsei um tempo no juquiri,depois fui pros coco do caps,faze arte na mão ,canta, bate na lata e toma remedinho bom,quase virei um vegetal>>voltei do resgate hoje sou limpo só uso cannabis adeus tapioca kkkkkkkk. alelujah>>>saúde guerreiros.nóis que pranta
    • Boa noite amigos e amigas do growroom, estou finalizando meu primeiro cultivo, e tenho duas plantas em floracao..  Uma delas é uma choco bud clone presente de um amigo, e a outra é uma OG Kush x AK Mango.  Como é o primeiro cultivo cometi alguns erros, mas as duas estão bem bonitas, com um porém..  A og x ak tá com os buds muitos magros com o mesmo tempo de flora, estou ficando preocupada com o tamanho/rendimento dela, alguma dica amigos?  A og kush x ak mango é a primeira   
    • Vou procurar ser o mais breve possível. Fiz um brisadeiro pra minha mina provar a primeira vez porque ela não curte fumar, ela comeu mas bateu muito errado! Falou que não tava sentindo o ar entrando, começou a se desesperar, eu fui acalmando ela mas não adiantou muito, tomou um banho gelado, mordeu meu braço do nada, percebi que ela queria fazer coisas pra se sentir viva porque aparentemente ela estava com a sensação que a alma estava saindo do corpo. Pensou muita coisa errada, depois que a brisa passou ela me falou até que pensou em se jogar da varanda pra ver se passava, depois de 1-2 horas bem tensas, eu falei pra ela só deitar e fechar o olho, tentar dormir, ela ficou la, vomitou do nada (ainda bem pq o corpo parou de digerir o brisadeiro) e dormiu até o outro dia. No outro dia já acordou um pouco melhor, mas algumas semanas depois ela começou a ter crises de pânico, e foi ficando mais frequente. Marcou uma terapeuta, terapeuta encaminhou pro psiquiatra, psiquiatra ta marcado pra daqui a duas semanas mas eu to bem desesperado, ela fica falando que ta com medo de isso nunca passar, com medo de sentir isso pra sempre... eu falei até que podia ser asma, por que ela sente a falta de ar, começa a se tremer, corpo fica gelado, ta foda mano.... Foi uma experiência muito traumática pra ela, ela lembra da sensação e fala que sente de novo, a sensação da alma saindo do corpo, fica se perguntando se aquilo que ta acontecendo é real ou não.... enfim alguém ja passou por algo? ou conhece alguém que passou? Com certeza o psiquiatra vai tratar, passar algum remédio pra ansiedade, a terapeuta falou q ela ta com uns sintomas de depressão também... mas eu só quero saber em quanto tempo mais ou menos foi tratado, como foi o processo... essas coisas... qualquer informação é válida por favor me ajudem. 
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