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Aqui estão os números que o governo escondeu e que mostram que NÃO HÁ EPIDEMIA DE DROGAS NO BRASIL


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  • Usuário Growroom

https://theintercept.com/2019/03/31/estudo-drogas-censura

“EU NÃO SEI onde a Fiocruz faz suas pesquisas, mas eles insistem em dizer que não há uma epidemia de drogas no Brasil”, discursou o então ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, durante audiência pública na Câmara dos Deputados. Era novembro de 2017, e o ministro, hoje titular da pasta da Cidadania, já havia declarado guerra à maior pesquisa sobre consumo de drogas da história do Brasil.

Concluído no final de 2016, o 3º Levantamento Nacional Domiciliar sobre o Uso de Drogas nunca foi divulgado pela Secretaria Nacional de Política de Drogas, a Senad, órgão do Ministério da Justiça responsável por encomendar a pesquisa. A hipótese mais provável, reforçada pela declaração de Osmar Terra, é que o governo federal censurou os números porque eles revelavam o oposto do que a gestão de Michel Temer queria mostrar – e que o governo Bolsonaro continua a sustentar.

O Intercept e a Casa da Democracia tiveram acesso com exclusividade à íntegra do documento. Realizado pela Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, instituição ligada ao Ministério da Saúde, o levantamento aponta, por exemplo, que 0,9% da população usou crack alguma vez na vida, 0,3% fez uso no último ano e apenas 0,1% nos últimos 30 dias. No mesmo período, maconha, a droga ilícita mais consumida, foi usada por 1,5%, e a cocaína, por 0,3% dos brasileiros. Pesquisadores ouvidos pela reportagem são unânimes em dizer que, embora preocupantes, os índices estão longe de representar o que o governo, sobretudo na figura de Osmar Terra, insiste em chamar de “epidemia”.

Para o levantamento, a Fiocruz usou a mesma metodologia da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar, a Pnad, do IBGE, para ouvir 16.273 pessoas em 351 cidades. A amostra é o dobro do penúltimo levantamento nacional, realizado pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas em 2005. O novo levantamento mostrou, pela primeira vez, os padrões de consumo dos municípios rurais e da faixa de fronteira do país. E investigou o uso de drogas lícitas – tabaco e cigarro – e ilícitas em dez tipos ou categorias: maconha, haxixe ou skank, cocaína em pó, crack e similares, solventes, ecstasy/MDMA, ayahuasca, LSD, ketamina e heroína, além de estimulantes e anabolizantes.

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Gráfico: João Brizzi/The Intercept Brasil

Contratada por meio de um edital de 2015, durante o governo Dilma Rousseff, e concluída no final de 2016, já na gestão Michel Temer, a pesquisa custou cerca de R$ 7 milhões aos cofres públicos. Desde então, seu conteúdo jamais foi revelado – nem mesmo em pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação.

“A gente acredita que o embargo tem a ver com o fato de que a pesquisa não confirma a epidemia de crack propalada como bandeira política por certos setores conservadores da política, cujo expoente principal é Osmar Terra”, diz Cristiano Maronna, presidente da Plataforma Nacional de Política de Drogas, rede que articula organizações e pesquisadores da área. Maronna tentou duas vezes acessar o documento via Lei de Acesso à Informação, mas teve os pedidos negados. O deputado federal petista Paulo Teixeira também tentou acessar os dados no ano passado, sem sucesso.

Oficialmente, o governo diz que decidiu embargar o estudo por conta de sua metodologia. Questionado pela reportagem, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública diz que a pesquisa “não atendeu aos requisitos do edital” porque não permite “a comparação dos resultados com o primeiro e o segundo levantamentos”. Por isso, a Senad não “detém propriedade intelectual sobre os dados, não os utiliza e não os divulga”, diz o governo, em um e-mail enviado pela assessoria de imprensa.

O governo vem pressionando a Fiocruz a engavetar o estudo e chegou a acionar o Ministério Público Federal, alegando que a fundação não cumpriu os requisitos do edital. Há a expectativa, de acordo com uma fonte que conhece o processo e que pediu para não ser identificada por medo de represálias, que a Senad tente anular o edital, alegando o seu não cumprimento, e peça o reembolso dos R$ 7 milhões. A Fiocruz informou apenas, por e-mail, que o edital tem uma “cláusula que condiciona a utilização do material produzido à anuência da Senad” e que o termo de cooperação se encerrou em 2018. “Neste momento, a Fundação aguarda a anuência da Senad”, disse sua assessoria, por e-mail.

Joga pedra na pesquisa

O levantamento foi encomendado para ajudar o governo a criar políticas brasileiras em relação ao tema. A Fiocruz contratou quase 300 pesquisadores e técnicos, liderados pelo epidemiologista Francisco Inácio Bastos, pós-doutor em saúde pública e autor de mais de 290 artigos. Os resultados foram compilados em um relatório de 520 páginas – inédito até a publicação desta reportagem.

Consultei quatro especialistas em política de drogas para entender os achados do estudo. Chama a atenção, por exemplo, a porcentagem de uso de drogas, muito menor do que alardeia o governo. Usando como exemplo o caso de um hospital no Rio Grande do Sul, Osmar Terra disse que, em 2002, 80% das internações de urgência eram devidas ao uso de álcool; já em 2007, 80% eram causadas pelo crack. “Houve uma subida muito rápida da questão do crack”, ele sentenciou. Mas não é o que diz a pesquisa.“O estudo epidemiológico da Fiocruz é robusto e não mostra epidemia”, diz Luiz Fernando Tófoli, professor da Unicamp que há 20 anos trabalha com saúde mental e uso de drogas.

Mais do que o crack, o problema que salta aos olhos é o uso de álcool. Segundo a pesquisa, 66,4% já fizeram uso de álcool na vida, 43,1% no último ano e 30,1% nos últimos 30 dias – número que vem caindo. Há outros dados preocupantes, como a facilidade para encontrar bebidas alcoólicas e a baixa percepção dos seus riscos. Ao relacionar os tipos de violência consequentes do abuso do álcool, o estudo lista ocorrências variadas, como tentativa de estrangulamento e ameaça com arma de fogo. “Nossa política deveria ser estruturada a partir disso”, diz Maronna.

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Gráfico: João Brizzi/The Intercept Brasil

O governo afirma que não é possível comparar a pesquisa com a anterior, de 2005, que abrangeu as 108 maiores cidades do país. A atual pesquisa se estendeu a 351 municípios, mas manteve o recorte das 108 em várias tabelas comparativas ao longo do relatório. Neste estrato, é possível identificar, por exemplo, queda no consumo recente de tabaco — de 18,4%, em 2005, para 14,2%, em 2015 — e de álcool — de 38,3% para 33%.

Também é possível comparar os achados com outras duas pesquisas nacionais independentes, a Lenad 1 e 2, feitas pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas, e com a pesquisa nacional sobre crack, feita em 2014 pela Fiocruz. Os números são coerentes: a Lenad de 2012 mostra que 6,8% dos brasileiros consumiram maconha uma vez na vida; no levantamento atual, são 7,7%. Os que usaram crack uma vez na vida eram 1,3% e hoje são 0,9%.

“Não vejo nada surpreendente. Exceto no caso do álcool e do solvente, que tiveram queda, os outros são números esperados e revelam que o consumo, em geral, se manteve estável”, diz Maurício Fiore, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, o Cebrap, outro pesquisador que analisou a pesquisa a pedido da reportagem. Maronna também não vê revelações “assustadoras”. Segundo ele, “quase 10% ter usado droga ilícita uma vez na vida é um número razoável. Comparado a outros países, não revelam uma situação excepcional ou alarmante”, diz.

Os pesquisadores argumentam que, embora os achados da pesquisa possam ser questionados – e é comum que a comunidade científica faça isso – nada justifica o engavetamento. A Senad poderia ter tornado as informações públicas, mas com ressalvas. “Fica a impressão de que há algum interesse por trás. Se houve erro, a melhor maneira de identificar é debater. É assim que se faz ciência: publica-se e submete-se ao escrutínio dos especialistas”, diz Tófoli.

Uma justificativa para os R$ 153 milhões

Com a troca de governo em janeiro, o embargo da pesquisa, que se arrasta desde 2016, ganhou novos contornos. No dia 19 de março, Osmar Terra e a ministra Damares Alves anunciaram a assinatura de contratos com 216 novas comunidades terapêuticas para tratamento de dependentes químicos, ao custo de R$ 153,7 milhões por ano para 10.883 vagas.

“Elas são decisivas para enfrentar a epidemia das drogas que destrói a nossa juventude, que causa a violência que o país vive e que está se propagando em uma escala gigantesca”, disse Terra na cerimônia. Damares Alves completou: “neste ato, o estado laico reconhece a importância das comunidades religiosas. É o retrato de um novo Brasil”.

O Brasil possui quase 2 mil comunidades terapêuticas, em sua maioria ligadas a igrejas evangélicas e católicas, segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada. Nelas, em geral, o tratamento se baseia em isolamento, trabalho braçal e atividades religiosas. Muitas já foram denunciadas por maus tratos, cárcere privado e outros crimes – caso da Centradeq-Credeq, em Minas Gerais, que o Intercept visitou no final do ano passado. “Essas instituições são a trincheira de resistência à reforma psiquiátrica, violando direitos e ignorando a redução de danos, que, em combinação com a abstinência, apresenta bons resultados”, diz Maronna.

Osmar Terra é contra qualquer política de redução de danos. Ele acredita que a melhor abordagem é a abstinência e a internação compulsória – foi autor, inclusive, de um projeto de lei para obrigar os dependentes a serem internados. Defensor do modelo de clínicas religiosas, o ministro vê nas comunidades uma tábua de salvação para resolver, de uma vez por todas, “a epidemia de drogas no país”.

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Gráfico: João Brizzi/The Intercept Brasil

Seu esforço tem resultados. Aos poucos, o modelo de comunidade terapêutica tem se tornado preferência no governo, em detrimento dos Centros de Atendimento Psicossocial, os Caps, do SUS. Até 2017, o país custeava cerca de 2 mil vagas em comunidades. No ano seguinte, com Terra no comando, o número subiu para 6,6 mil. Em 2019, chegam a 10,8 mil leitos, um aumento de quase 50% em um ano.

A pergunta do milhão, ou melhor, dos R$ 153 milhões, suscitada por especialistas em políticas de drogas, é: por que, afinal, tal política pública foi implementada sem levar em conta o que dizem os números da pesquisa da Fiocruz, capaz de balizar decisões sobre quando, quanto, onde e de que forma investir para tratar dependentes? Mais uma vez, a resposta talvez seja: porque os números não dizem o que o governo queria ouvir.

Este texto foi produzido em parceria com o Instituto Casa da Democracia, organização dedicada ao estudo, à elaboração intelectual e à produção cultural em defesa da democracia e de sua promoção.

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  • 1 month later...
  • Usuário Growroom
Em 08/04/2019 at 07:07, Juniaum disse:

Esses caras são tão bem informados que acham que maconha haxixe e skank são 3 Tipos de drogas distintas.

 

Como assim brother?

Maconha, haxixe, skank formam um grupo que é a marca verde nos slides. Indica que são três nomes pra cannabis. Lógico.

Cocaína e crack, que são preparações diferentes da coca, estão constando separadas, reparou?

Quiser criticar seja mais verídico e Inteligente.  Não confunda as coisas nem promova bullying. 

O estudo NOS beneficia e mostra que esss "epidemia" de consumo de drogas é mais uma mentira desses fedaputas.

Ou você concorda com o Osmar Terra? De que lado você está? 

 

Se liga.

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  • Usuário Growroom

Não adianta, agora, dar publicidade para essa pesquisa da FIOCRUZ que foi considerada "ideológica" pelo governo.

É preciso entender e denunciar a pesquisa que foi usada no lugar, dando base “científica” para o Decreto 9761 e PL37:

O 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas – LENAD Pesquisa Coordenada pelo Dr. Ronaldo Laranjeira

O LENAD é financiado pelo INPAD - Fundado pelo Dr. Ronaldo Laranjeira

O INPAD é um instituto de pesquisa da UNIAD, que foi fundada e é dirigida a pelo Dr. Ronaldo Laranjeira

Ele é dono de diversas clínicas e comunidades que vão se encher de dinheiro com a PL37

É o Henry Anslinger do Brasil.

 

 

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  • Usuário Growroom
Em 03/06/2019 at 01:17, NORDNAVE disse:

Como assim brother?

Maconha, haxixe, skank formam um grupo que é a marca verde nos slides. Indica que são três nomes pra cannabis. Lógico.

Cocaína e crack, que são preparações diferentes da coca, estão constando separadas, reparou?

Quiser criticar seja mais verídico e Inteligente.  Não confunda as coisas nem promova bullying. 

O estudo NOS beneficia e mostra que esss "epidemia" de consumo de drogas é mais uma mentira desses fedaputas.

Ou você concorda com o Osmar Terra? De que lado você está? 

 

Se liga.

Foi só um parágrafo, mesmo assim vc não conseguiu interpretar. É claro que concordo com o estudo da Fiocruz.

Como alguém poderia concordar com esse indivíduo:

Osmar Terra é contra qualquer política de redução de danos. Ele acredita que a melhor abordagem é a abstinência e a internação compulsória – foi autor, inclusive, de um projeto de lei para obrigar os dependentes a serem internados. Defensor do modelo de clínicas religiosas, o ministro vê nas comunidades uma tábua de salvação para resolver, de uma vez por todas, “a epidemia de drogas no país”

 

 

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    • eu pularia o vaso de 7l. acho q é possível vegar elas no 1.7 e daí mandar pra flora nos de 11. mas ñ é infalível. meu esquema de sucesso num grow +/- parecido com o teu em termos de iluminação e espaço é o seguinte: germinação ou enraizamento dos clones em substrato totalmente inerte em pequenos copos de iogurte, acho que de 100ml ou até menos (ex, danoninho pequeno, clássico das antigas). apareceu raiz ou germinou, mando para vega sem descartar o torrão inerte em vasos de uns 2,5 litros (uns 30cm de altura por uns 10cm de diametro), levo toda vega neles, faço podas etc, 4 a 6 tops formando, planta com +/- 30~45cm, hora da flora. transplanto pra flora em vasos de 11 litros, e lá ficam até colheita. sempre usando um bom solo orgânico, descansado e com cobertura mulch, uso alguns princípios do no-till, embora continue usando vasos. não é infalível, mas pra mim deu muito certo no passado. mi casa su casa tmj
    • Vai fuçando o fórum, lendo os tópicos, os antigos ainda têm muita informação boa. A ferramenta de busca daqui não é das melhores, mas pode ajudar se bem usada. É isso, dá trabalho mesmo pra aprender, faz parte do processo. Mas vou tentar te ajudar com suas dúvidas. O ideal é você preparar um solo definitivo pra transplantar a menina quando for o momento. Como você usará matérias orgânicas, o mínimo de 15 dias é necessário para que esses materiais decomponham melhor. Mas o ideal mesmo seriam uns 30 dias. De toda forma, o bom seria medir o pH do runoff desse solo pra ver se ele tá bem regulado quando ficar pronto. Não recomendo jogar esses materiais por cima da terra do vaso que vc já usa, a probabilidade de queimar e até matar a planta é grande. Sobre o enraizador, ele pode ajudar sim, eu usei nas minhas, é uma boa opção.
    • Regando com mais água e deixando mais água escorrer no fundo em cada rega. Assim tu vai ter certeza de que a água passou por todo substrato e limpou o excesso que acumulou.  Se tu não deixar escorrer, o sal vai acumulando no fundo, porque a água nova que entra na parte superficial do solo leva todo excesso pro fundo e acumula tudo lá em baixo. (acredito que tu esteja usando fert mineral, por isso tá usando o medidor de pH no substrato).   Então o ideal é ter uns 30% de RunOff. Ou seja, se regar com 3L de água precisa sair 1L por baixo. Assim tu vai ter sempre a certeza de que nada estará acumulando, evitando overfert e alteração de pH.
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