Ir para conteúdo
Growroom

When Capitalism Meets Cannabis (Em Inglês)


Recommended Posts

  • Usuário Growroom

Venda da maconha é normatizada no Colorado (EUA) e será restrita a profissionais

David Segal, Em Boulder, no Colorado (Estados Unidos)

Quem achar que será fácil enriquecer vendendo maconha em um Estado no qual esta droga é legal deveria passar numa companhia de Ravi Respeto, gerente da Farmacy, uma drogaria de luxo daqui, especializada em maconha, que oferece a Strawberry Haze, a Hawaiian Skunk e outras variedades de Cannabis sativa por até US$ 16 (R$ 29) o grama.

Ela acabará com a alegria dos otimistas.

“Nenhum programa de M.B.A. poderia ter me preparado para esta experiência”, diz ela, usando um jaleco de cor creme feito de cânhamo. “As pessoas têm essa noção equivocada de que basta entrar no negócio para começar a ganhar dinheiro fácil, mas a realidade não é essa”.

Desde que este estabelecimento foi inaugurado, em janeiro, ela tem passado por vários problemas enervantes seguidos. Os cultivadores de maconha, acostumados a efetuar transações apenas em dinheiro vivo, estão chocados por serem pagos com cheques ou pelo fato de os clientes lhes pedirem recibos. E há muitas surpresas desagradáveis, como quando, recentemente, a Farmacy descobriu que a sua linha de bebidas com infusão de maconha não poderia ser vendida nas imediações de Denver. As autoridades municipais de lá decidiram que qualquer produto modificado com maconha precisa ser produzido em uma cozinha da cidade.

“Você jamais veria uma lei que determinasse, 'Quem quiser vender tênis da Nike em São Francisco, só poderá vendê-los se eles forem fabricados em São Francisco'”, diz Respeto, sentada em um pequeno escritório no segundo andar da Farmacy. “Mas neste ramo de negócios a gente se depara a todo momento com coisas desse tipo”.

Uma das experiências mais estranhas da história recente do capitalismo norte-americano está em andamento aqui nas Montanhas Rochosas: a primeira tentativa do país de regulamentar, licenciar e taxar integralmente a comercialização da maconha com fins lucrativos. Na Califórnia, os donos de farmácias que vendem maconha para fins medicinais trabalham em associações sem fins lucrativos, mas os pioneiros da cannabis do Estado do Colorado contam com a liberdade para lucrarem o quanto puderem – contanto que atuem segundo as regras estabelecidas.

O problema é que há uma quantidade enorme de regras, e regras adicionais entrarão em vigor nos próximos meses. As autoridades daqui foram inicialmente pegas de surpresa quando a corrida às farmácias que vendem maconha teve início aqui no ano passado, depois que o presidente Barack Obama anunciou que as forças federais de repressão ao uso de entorpecentes não perturbariam os usuários nem os fornecedores de maconha, contanto que estes obedecessem às leis do Estado. No Colorado, onde uma emenda constitucional legalizando a maconha para fins medicinais foi aprovada em 2000, centenas de drogarias especializadas na droga surgiram imediatamente, e uma quantidade enorme de residentes do Estado passou a se queixar de “fortes dores”, um dos oito problemas de saúde mais populares que podem ser tratados legalmente com essa erva, que antigamente costumava ser demonizada.

Agora, mais de 80 mil pessoas aqui possuem certificados para o uso medicinal da maconha. Esses certificados são basicamente receitas médicas, e durante meses cerca mil novos “pacientes” por dia procuraram obter o documento.

À medida que a oferta atendia a demanda, os políticos decidiram que era necessário um novo conjunto de regras. A receita federal dos Estados Unidos (Department of Revenue) passou meses criando regras para essa nova indústria, acabando com a fase da procura louca por receitas e substituindo-a por medidas específicas para conter essa tendência. Tais medidas dizem respeito ao cultivo, à distribuição, ao armazenamento e a todos os outros aspectos da indústria de produção e venda da maconha.

Agora todos observarão atentamente a experiência, bem além das fronteiras do Colorado, para ver se essas medidas terão sucesso. As regras adotadas aqui poderão ser um modelo para os 13 Estados, bem como o Distrito de Colúmbia e o Maine, que estão prestes a criar programas próprios relativos à maconha.

Os norte-americanos gastam cerca de US$ 25 bilhões (R$ 45,3 bilhões) por ano com maconha, segundo o economista da Universidade Harvard, Jeffrey Miron, o que dá uma ideia da popularidade dessa droga. No fim das contas, nós poderemos estar nos referindo a uma quantia considerável em impostos sobre a comercialização da droga, derivada da venda da maconha como remédio. Isso para não mencionar o investimento privado e a geração de empregos. Um porta-voz da Organização Nacional para a Reforma das Leis da Maconha diz que os investidores em fundos de hedge e vários firmas de serviços financeiros estão começando a manter contatos a fim de avaliarem as oportunidades financeiras proporcionadas pelo novo negócio.

“Hoje em dia ninguém nos telefona mais para perguntar se o uso da maconha faria com que os homens desenvolvessem seios”, diz Allen St. Pierre, diretor executivo da Organização Nacional para a Reforma das Leis da Maconha. “Agora, os telefonemas são de investidores – pessoas que estão procurando formas de investir ou de oferecer os seus serviços”.

E o que aconteceria se a maconha fosse legalizada? Como o governo criaria regras que permitissem que a indústria florescesse, sem no entanto crescer descontroladamente? E, tendo em vista que tudo isso diz respeito a uma medicação, o que dizer dos médicos, alguns dos quais transformaram as consultas para a prescrição de maconha para fins medicinais em uma especialização altamente lucrativa?

Estas e dezenas de outras questões estão sendo agora respondidas em cidades como Boulder, uma localidade afluente, com uma grande comunidade universitária, onde o número de drogarias especializadas na venda de maconha – existem de 50 a 100 dessas drogarias, dependendo da pessoa a quem se perguntar – é maior do que o número combinado de estabelecimentos de venda de álcool e de cafés Starbucks. Durante uma visita recente, ficou claro que para cada vendedor de maconha e cada médico que acredita que as regras são muito estritas, nebulosas ou fluidas, existem outros que mal podem esconder o sorriso das suas faces.

“Quando eu visitei a cidade em setembro último, olhei em volta e vi que havia apenas quatro dessas drogarias em Boulder, e todas elas ficavam no campus”, diz Bradley Melshenker, o co-proprietário da Greenest Green que já foi comerciante de maconha para fins medicinais em Los Angeles. “Nós entramos em uma delas e vimos 30 garotos na sala de espera. Nós percebemos que aquilo era uma maluquice”.

A primeira visita a um centro de venda de maconha para fins medicinais é uma experiência meio desorientadora, semelhante a respirar debaixo d'água durante o primeiro mergulho autônomo, ou como ver o Red Sox vencer a World Series de 2004. Tudo o que você viu no passado lhe diz que tal experiência é impossível, mas, ao mesmo tempo, você sabe que aquilo está de fato ocorrendo.

Esqueçam as transações furtivas que definem o comércio norte-americano de maconha desde que este teve início. As melhores drogarias especializadas de Boulder exibem o seu produto naquele tipo de vitrine que se vê em joalherias e padarias de luxo.

As pessoas que estão atrás do balcão, conhecidas como “budtenders”, gostam de se definir como sommeliers, embora os nomes das variedades à venda nestes estabelecimentos jamais serão confundidas com um vinho chardonnay: Bubble Gum, Sour Kush, God’s Gift, Grand Daddy Purp e Blue Skunk.

“Esta aqui vai deixar o usuário nas alturas”, diz Michael Bellingham, proprietário da drogaria Boulder Medical Marijuana Dispensary, enquanto segura um frasco de Jack the Ripper (“Jack, o Estripador”), uma das mais de dez variedades de maconha vendidas em sua loja. “É uma variedade muito séria, muito forte; ela vai direto ao cérebro”.

Tirando umas duas exceções – Bellingham entre elas –, entrevistar vendedores de maconha é uma experiência diferente de entrevistar qualquer outro tipo de empresário. Perguntas simples do tipo “sim” ou “não” geram solilóquios de dez minutos de duração. Palavras novas são criadas no local, como “refudiate”, e ouvem-se vocábulos regulares que são usados de maneiras que só fazem sentido naquele contexto específico. Um cara não parava de dizer “rue” (“arrependido”) como se a palavra significasse “relutante”, como na frase “I think the state was rue to act” (“Eu acho que o Estado estava 'arrependido' em agir”).

Muitos deles têm uma longa história de contato com a maconha, e eles continuam – vamos adotar a nova terminologia - “rue” na hora de fornecer os seus nomes. Um funcionário de uma drogaria jura que os seus pais hippies o batizaram de Onefree, mas diz que prefere ser chamado de Dave, e que todo mundo o chama de Van.

Alguns donos de drogarias recusaram-se a ser entrevistados; muitos deles ainda estão tentando se acostumar à ideia de que aquilo que estão fazendo é legal. E nenhum dos proprietários nos convidou para visitar o seu “grow”, conforme são conhecidas as plantações hidropônicas de maconha em ambientes fechados. Quanto a esse assunto, todo mundo fica meio acanhado. Existem regras estritas quanto ao tamanho dessas plantações, e é claro que no nível federal a maconha continua classificada como “Substância Controlada de Categoria I”, juntamente com a heroína e o LSD.

Porém, a maioria dos proprietários tem prazer em mostrar os seus produtos à venda, e esse material tem pouca coisa a ver com as trouxas de maconha da era antiga dessa droga. A maconha de última geração é densa e de aparência argilosa e vêm com tonalidades exóticas de verde e lavanda – como tapetes de fibras feitos em uma selva. A maioria dos usuários compra um ou dois gramas a cada vez, e muitas dessas drogarias oferecem “cartões de lealdade” - compre bastante e ganhe um pouco de graça. E se o consumidor não gosta de fumar, existe uma grande quantidade de produtos comestíveis à base de maconha, como biscoitos, bombons, manteiga, barras de chocolate, bolinhos, café e sorvete.

“Algumas semanas atrás nós organizamos aqui uma noite de milkshake de maconha”, conta Lauren Meisels, da Greenest Green. “O estabelecimento ficou lotado”.

Os comerciantes de maconha do Colorado, assim como os pioneiros em qualquer novo negócio, têm que tomar várias decisões básicas quando abrem as suas firmas. Entre elas: qual deveria ser o aspecto de uma drogaria especializada em maconha para fins medicinais com objetivos comerciais? As leis estaduais determinam que a venda de cannabis só pode ser efetuada em “áreas de acesso limitado”, mas não há nada referente à decoração do interior das lojas.

Portanto, o que se vê é uma grande variedade em termos de visual. A Greenest Green parece um bar de Amsterdã, com um quadro informativo que anuncia as ofertas do dia com cores que fazem lembrar o Starbust Fruit Chews, bem como um aparelho de som que toca reggae. Até uma lei recente ter entrado em vigor, os pacientes podiam “se medicar” na própria loja, com opções que incluíam a experiência de fumar óleo de haxixe em uma espécie de bong elaborado chamado “skillet”, ao preço de US$ 5 (R$ 9).

A Green Room tem um ar de Loja de Cristais na Boêmia, com um bar expresso e uma sala separada para uma massagista. Uma outra, a Dr. Reefer – este é o nome da drogaria e do dono – tem orgulho de ser meio bagunçada, em parte porque ela não passou por nenhuma reforma rigorosa desde que a lanchonete que funcionava ali mudou de endereço.

“Antigamente isso aqui era uma lanchonete de cachorros-quentes chamada What’s Up Dog. O meu negócio funcionava no porão”, diz Pierre Werner, que é o Dr. Reefer em pessoa. “Quando a What's Up Dog fechou, eu me mudei para cá no dia seguinte, e desde então a loja funciona aqui”.

Aliás, Werner não é na verdade médico. Ao contrário, ele é – e diz isso em tom de orgulho e desafio - “um criminoso condenado em três ocasiões pela posse de maconha com a intenção de vender a droga”. Essa história, bem como o seu hábito de ficar próximo à beira da estrada acenando com um grande cartaz com a inscrição “Dr. Reefer” para os carros que passam, enquanto grita “venham pegar os seus medicamentos”, fazem com que os outros proprietários de drogarias especializadas em maconha, para não falar dos políticos locais, não o vejam com bons olhos.

Afinal de contas, eles estão tentando criar respeitabilidade – e talvez até mesmo um certo toque de classe –, e o Dr. Reefer não está os ajudando nessa tarefa.

Se existe um precedente histórico para aquilo que está ocorrendo atualmente no Colorado, esse precedente pode ser a década de vinte e a era da Lei Seca. Durante aquela era, a lei de proibição federal continha uma cláusula de exceção para uso medicinal do álcool, e médicos de toda a nação logo descobriram que podiam incrementar os seus rendimentos mediante a prescrição de receitas de bebidas alcoólicas.

As farmácias, que se candidataram a fornecer tais receitas, e que foram um dos últimos tipos de estabelecimentos nos quais se podia comprar uísque legalmente, lucraram bastante. Durante a década de vinte, o número de lojas Walgreens disparou de 20 para quase 400.

A Lei Seca também enriqueceu aventureiros em todos as etapas da produção e do consumo de bebidas alcoólicas, desde plantadores de uvas e destiladores até os donos de lojas ilegais de bebidas. Muitos deles acabaram acumulando fortunas legítimas com o fim da Lei Seca. Muitos indivíduos que estão no ramo da venda de maconha dizem acreditar que eles são os pioneiros em um mercado que poderá crescer enormemente, à medida que as leis e a opinião pública se tornarem mais favoráveis ao negócio. Mas muita coisa depende das restrições impostas à venda da cannabis, conforme indica o exemplo do Colorado.

Os vendedores daqui dizem que, para ter sucesso no negócio, é preciso levar em consideração dois fatores essenciais.

O primeiro é a importância de garantir a obtenção de muitos “direitos de profissionais de saúde”, uma espécie de autorização de venda que toda pessoa que tenha um certificado para a aquisição de maconha pode designar ao vendedor que escolher. Esses direitos de profissionais de saúde de cada paciente, conforme os usuários são universalmente conhecidos, permitem que a drogaria venda a maconha produzida por seis plantas, embora a maconha possa ser vendida para qualquer um que possua um certificado. Assim, quando mais desses direitos a drogaria de maconha obtiver, mas maconha ela poderá vender.

O segundo fator essencial é cultivar a própria maconha. Uma libra (454 gramas) de maconha é vendida no mercado varejista por um preço que varia entre US$ 5.500 e US$ 7.500 (R$ 9.960 e R$ 13.583). A compra dessa quantidade no atacado custará cerca de US$ 4.000 (R$ 7.244). Mas quem plantar a própria maconha terá um custo por libra que ficará apenas entre US$ 750 e US$ 1.000 (R$ 1.358 e R$ 1.811).

“É como um ambiente real de atacado”, afirma Sean Fey, um dos proprietários da Green Room. “Tendo em vista as despesas gerais, ninguém vai ganhar muito dinheiro se as margens de lucro forem de 40% ou 50%, que é aquilo que você ganha caso não cultive a sua própria maconha. Mas quem produzir a própria maconha terá margens de 70% a 80%”.

Até o momento espera-se que as vendas de maconha gerem cerca de US$ 2,7 milhões (R$ 4,9 milhões) em taxas de licenciamento, além dos mais de US$ 681 mil (R$ 1,2 milhão) em impostos sobre vendas coletados entre julho de 2009 e fevereiro de 2010. Esses números parecem ser um início suficientemente bom, mas representam bem menos do que os US$ 15 milhões (R$ 27,2 milhões) em impostos anuais previstos por algumas das autoridades mais otimistas do Estado.

Uma série de regulamentações conhecida como Emenda 1284, assinada pelo governador em 7 de junho, deverá inviabilizar os negócios de muitas drogarias de maconha, eliminando os indivíduos amadores e os semi-profissionais que embarcaram nessa onda porque não havia nada para detê-los, mas ela fortalecerá bastante aqueles que até o momento conseguiram se manter firmes.

Essa é pelo menos a esperança de Matt Cook, diretor de fiscalização do Departamento da Receita Estadual, e o homem responsável pelo sistema de regulamentação da maconha no Colorado.

“Eu lido com regulamentações para diferentes setores empresariais há 30 anos”, diz Cook. “Álcool, tabaco, venda de automóveis. Eu simplesmente peguei as melhores práticas desses setores, e me foi permitido apresentar as minhas próprias sugestões”.

As novas regras, muitas das quais entrarão em vigor nos próximos meses, tratam as drogarias de maconha um pouco como as farmácias tradicionais e um pouco como os cassinos. Em breve aqueles indivíduos que tiverem passagem pela polícia não poderão ser proprietários desse tipo de estabelecimento (Werner está vendendo a loja Dr. Reefer). Webcams que funcionarão 24 horas por dia estarão focalizadas em todas as unidades de cultivo e drogarias de maconha no Estado. Existem restrições quanto a horários, novas regras para licenciamento, diretrizes para rótulos, e assim por diante.

Os proprietários, de forma geral, não estão reclamando. Quando mais o negócio for regulamentado, maior facilidade eles terão para operar, afirma Respeto, da Farmacy. A companhia, que ela fundou com o pai, tem grandes ambições: tornar-se uma franchise para a venda de maconha para fins medicinais e fazer com a Super Silver Haze o que a Rite Aid fez com as pílulas. A loja em Boulder é de fato a quinta da companhia. Já existem três na Califórnia e uma em Denver.

“No passado eu fui gerente de lojas da rede Whole Foods na Costa Leste”, explica ela. “E aquilo era muito mais fácil, já que na indústria de alimentos a gente conhece os padrões”.

Respeto tem uma espécie de aparência normal típica das mães de pré-adolescentes, algo que se ajusta perfeitamente a um elemento central do plano de marketing da Farmacy. A companhia gostaria de expurgar desse setor aquela imagem de contracultura, de indivíduos chapados e confusos, e transformá-lo em algo mais condizente com o consumidor comum.

“O que se ouve falar sobre esse setor tem a ver com bandos de garotos de 18 anos que só querem curtir uma onda”, diz ela. “Mas no nosso estabelecimento você vê muito pouco disso. O que se vê nele é, por exemplo, aquela mulher de 50 anos de idade que sofre de artrite e que escolhe a maconha como medicação analgésica”.

A dimensão medicinal dessa indústria parece estar em uma tensão perpétua com as suas raízes psicodélicas. Todos os funcionários dessas drogarias transmitem uma grande sinceridade ao falarem sobre os benefícios da maconha à saúde, e cada um deles tem uma história a contar sobre um homem idoso cuja dor crônica de coluna desapareceu ao experimentar os poderes curativos da maconha Sour Diesel.

Essas são histórias verdadeiras, e não há dúvida de que a maconha ajuda muita gente que está padecendo de dores genuínas.

Mas qual foi a última vez que a sua farmácia ofereceu uma noite do milkshake? Ou que ela vendeu bolas de sorvete de chocolate e amendoim com “dosagem controlada”?

A julgar pelos três dias de visitas a doze estabelecimentos, o público-alvo dessas drogarias parece consistir de um grupo de pessoas de 20 a 30 anos de idade. Quando questionados, todos eles disseram que padecem de algum problema de saúde – insônia, cólicas menstruais ou vários problemas ortopédicos dolorosos.

“Eu fraturei uma vértebra na minha coluna”, diz Keith Aten, que acabou de passar na Green Room para comprar um biscoito e um caramelo “medicinais”. “A minha coluna dói se eu passar o dia caminhando muito”.

Aten é um jovem alto de 21 anos de idade que usa uma camiseta com a ilustração de uma “versão zumbi” do espantalho do Mágico de Oz, espreitando na Estrada dos Tijolos Amarelos e gritando “Cérebros!”. Como todo paciente, Aten é assiduamente cortejado com amostras pelos proprietários que estão de olho no direito de profissionais de saúde obtido pelo rapaz junto a um médico.

“O meu fornecedor costumava me dar uma amostra grátis de 14 gramas por mês, mas ele diminuiu essa quantidade para 7 gramas”, diz Aten. “Assim, eu estou procurando quem me ofereça algo mais vantajoso. Até o momento eu já visitei 30 estabelecimentos”.

Para adquirir esse status privilegiado, Aten precisou passar primeiro por um exame médico que certificasse que a maconha era um remédio apropriado para ele. E, por mais surpreendente que isso seja, o exame pode ser o dinheiro mais fácil de se ganhar nesse campo aromático.

Para entender por que, basta visitar o consultório do médico James Boland, a cerca de 15 quilômetros de Boulder, em um centro comercial em Broomfield. O lugar é uma modelo de eficiência de fluxo de trabalho. Em uma questão de minutos, os pacientes são saudados por uma secretária, têm os documentos registrados por um cartório público e são acompanhados até uma sala de espera – que no dia em que a reportagem esteve lá tinha uma televisão que exibia um vídeo que ensinava como preparar a própria maconha.

“Hoje eu atendi cerca de 40 pacientes, mas às vezes atendo até cem”, afirma Boland, sentado na sua pequena sala de exames.

Ele usa um uniforme verde escuro, como se fosse um membro de uma unidade MASH no intervalo de trabalho. Até o ano passado, ele tinha uma renda modesta fornecendo atestados médicos a trabalhadores de uma fábrica local de mobília.

Foi então que ele decidiu entrar em tempo integral no campo da maconha para fins medicinais, e abriu este espaço, que tecnicamente não é um consultório médico, mas sim uma “firma de gerenciamento e marketing” chamada Relaxed Clarity. Os seus funcionários têm permissão para fazer aquilo que ele não pode fazer – ir até as drogarias para fazer propaganda dos seus serviços.

E quando os pacientes chegam, eles se deparam com uma operação empresarial altamente eficiente. Cada exame demora de três a cinco minutos. “Tudo o que fazemos é responder a esta pergunta simples: esta pessoa tem um problema de saúde que faz com que ela se qualifique para o uso medicinal da maconha?”, explica Boland. “E ela apresenta algum outro problema de saúde que faria com que corresse algum risco de reação adversa caso fizesse uso da maconha?”.

Sim para a primeira pergunta, não para a segunda – essas são, segundo ele, as respostas em 90% dos casos. E ele sustenta cada uma das suas decisões.

De acordo com Boland, para os padrões da prática médica diária, este é um trabalho simples e sem dores de cabeça, a menos que o médico esbarre com jornalistas portando câmeras de televisão ocultas na esperança de identificar um caso de má conduta profissional. E há ainda o temor sempre presente de se tornar muito liberal na hora de assinar, tornando-se assim alvo de uma ação disciplinar do comitê médico estadual. Um número muito pequeno de médicos aprova a maioria dos certificados, e Boland é um dos mais lenientes.

Em apenas um ano, trabalhando três dias por semana na Relaxed Clarity, ele atende 7.000 pacientes, cada um deles pagando em média US$ 150 (R$ 272) por consulta. Ele pega uma calculadora e faz umas contas rápidas. Isso significa mais de US$ 1 milhão (R$ 1,8 milhão) em 12 meses. “E não há uma espera para que uma companhia de seguros pague uma fração daquilo que você solicitou”, diz Boland. “Sabe como é: Boom! Dinheiro vivo à vista. Assim, dá para ganhar uma quantidade significativa de dinheiro fazendo isso”.

Assim como a Farmacy, Boland pretende expandir o seu negócio para o âmbito nacional, abrindo clinicas Relaxed Clarity em outros Estados. A diferença é que o negócio dele é rentável, enquanto que a filial da Farmacy em Boulder, pelo menos por ora, não é.

A ausência de lucros tem sido uma fonte de estresse para Respeto. Talvez, à medida que a indústria amadurecer, fique mais fácil e previsível navegar nesse negócio, e haja uma tendência menor a dar telefonemas em pânico devido a problemas imprevistos. Até lá, a boa notícia é que ela está cercada todos os dias por um dos mais conhecidos relaxantes da terra. A má notícia é que ela é uma das poucas pessoas do ramo que não fuma maconha.

“À noite eu vou para casa e tomo uma taça de vinho”, suspira Respeto.

DAVID SEGAL - HERALD TRIBUNE

Published: Sunday, June 27, 2010 at 5:14 a.m.

ANYONE who thinks it would be easy to get rich selling marijuana in a state where it's legal should spend an hour with Ravi Respeto, manager of the Farmacy, an upscale dispensary here that offers Strawberry Haze, Hawaiian Skunk and other strains of Cannabis sativa at up to $16 a gram.She will harsh your mellow.

"No M.B.A. program could have prepared me for this experience," she says, wearing a cream-colored smock made of hemp. "People have this misconception that you just jump into it and start making money hand over fist, and that is not the case."

Since this place opened in January, it's been one nerve-fraying problem after another. Pot growers, used to cash-only transactions, are shocked to be paid with checks and asked for receipts. And there are a lot of unhappy surprises, like one not long ago when the Farmacy learned that its line of pot-infused beverages could not be sold nearby in Denver. Officials there had decided that any marijuana-tinged consumables had to be produced in a kitchen in the city.

"You'd never see a law that says, 'If you want to sell Nike shoes in San Francisco, the shoes have to be made in San Francisco,' " says Ms. Respeto, sitting in a tiny office on the second floor of the Farmacy. "But in this industry you get stuff like that all the time."

One of the odder experiments in the recent history of American capitalism is unfolding here in the Rockies: the country's first attempt at fully regulating, licensing and taxing a for-profit marijuana trade. In California, medical marijuana dispensary owners work in nonprofit collectives, but the cannabis pioneers of Colorado are free to pocket as much as they can — as long as they stay within the rules.

The catch is that there are a ton of rules, and more are coming in the next few months. The authorities here were initially caught off guard when dispensary mania began last year, after President Obama announced that federal law enforcement officials wouldn't trouble users and suppliers as long as they complied with state law. In Colorado, where a constitutional amendment legalizing medical marijuana was passed in 2000, hundreds of dispensaries popped up and a startling number of residents turned out to be in "severe pain," the most popular of eight conditions that can be treated legally with the once-demonized weed.

More than 80,000 people here now have medical marijuana certificates, which are essentially prescriptions, and for months new enrollees have signed up at a rate of roughly 1,000 a day.

As supply met demand, politicians decided that a body of regulations was overdue. The state's Department of Revenue has spent months conceiving rules for this new industry, ending the reefer-madness phase here in favor of buzz-killing specifics about cultivation, distribution, storage and every other part of the business.

Whether and how this works will be carefully watched far beyond Colorado. The rules here could be a blueprint for the 13 states, as well as the District of Columbia, that have medical marijuana laws. That is particularly the case in Rhode Island, New Jersey, the District of Columbia and Maine, which are poised to roll out programs of their own.

Americans spend roughly $25 billion a year on marijuana, according to the Harvard economist Jeffrey Miron, which gives some idea of the popularity of this drug. Eventually, we might be talking about a sizable sum of tax revenue from its sales as medicine, not to mention private investment and employment. A spokesman for the National Organization for the Reform of Marijuana Laws says hedge fund investors and an assortment of financial service firms are starting to call around to sniff out opportunities.

"We're past the days when people call here to ask if marijuana will give men breasts," says Allen St. Pierre, the executive director of NORML. "Now, the calls are from angel investors, or REITs — people who are looking for ways to invest or offer their services."

What happens when pot goes legit? How does the government establish rules that allow the industry to flourish, but not run rampant? And given that this is all about medicine, what about doctors, some of whom have turned medical marijuana consultations into a highly lucrative specialty?

These and dozens of other questions are now being answered in cities like Boulder, an affluent, whole-grain kind of college town where the number of dispensaries — anywhere from 50 to 100, depending on whom you ask — is larger than the number of Starbucks and liquor stores combined. During a recent visit, it was clear that for every marijuana seller and physician who thinks that the rules are too strict, murky or fluid, there are others who can hardly wipe the smile off their faces.

"When I visited in September, I looked around and saw that there were only four dispensaries in Boulder, and they were all right on campus," says Bradley Melshenker, co-owner of the Greenest Green and formerly a medical marijuana seller in Los Angeles. "We went into one and saw like 30 kids in the waiting room, and I thought: 'This is crazy. We've got to come.' "

YOUR first foray into a medical marijuana center is slightly disorienting, like breathing underwater during your maiden scuba dive, or watching the Red Sox win the 2004 World Series. Everything in your past tells you that the experience is impossible, but at the same time, you know it is happening.

Forget the furtive transactions that have defined American pot dealing since the dawn of the dime bag. The best of Boulder's dispensaries display their product in the sort of glass cases found in jewelry stores or high-end bakeries.

The people behind those cases, known as "budtenders," like to think of themselves as sommeliers, although the names of the strains for sale will never be confused with chardonnay: Bubble Gum, Sour Kush, God's Gift, Grand Daddy Purp and Blue Skunk.

"This will throw you for a loop," says Michael Bellingham, owner of the Boulder Medical Marijuana Dispensary, who is holding a jar of Jack the Ripper, one of more than a dozen strains he sells. "It's very serious, very strong; it goes right to your brain."

With a couple of exceptions — Mr. Bellingham among them — interviewing pot sellers is unlike interviewing anyone else in business. Simple yes-or-no questions yield 10-minute soliloquies. Words are coined on the spot, like "refudiate," and regular words are used in ways that make sense only in context. One guy kept saying "rue" as though it meant "reluctant," as in "I think the state was rue to act."

Many have a long history with marijuana, and they remain — let's just run with it — rue to share their names. One dispensary employee swears that his hippie parents christened him Onefree, but he prefers to be called Dave and everyone calls him Van.

A few dispensary owners declined to be interviewed; many are still wrapping their heads around the idea that what they do is legal. And none of the owners offered a look at their "grow," as indoor, hydroponic crops are known. On that subject, everyone became bashful. There are strict rules about the size of grows and, of course, at the federal level, marijuana remains a "Schedule I Controlled Substance," alongside heroin and L.S.D.

Most owners, though, were happy to show off their wares at retail, and it's stuff that has little in common with the Cheech-and-Chong era of this drug. State-of-the-art pot is dense and loamy and comes in exotic shades of green and lavender — like shag carpeting made in a jungle. Most customers buy a gram or two at a time, and a lot of dispensaries offer loyalty cards — buy a lot, get some free. If smoking doesn't appeal, there are lots of pot edibles, like cookies, fudge, butter, candy bars, muffins, coffee and ice cream.

"We had a milkshake night here a few weeks ago," says Lauren Meisels of the Greenest Green. "The place was packed."

The marijuana merchants in Colorado, like trailblazers in any business, had to make a lot of basic decisions when they started. Among them: What should a for-profit medical marijuana dispensary look like, anyway? State law says that the cannabis has to be in "limited access areas," but as far as interior decorating mandates go, that's it.

So there's variety. The Greenest Green looks like a bar in Amsterdam, with a chalkboard announcing the day's offerings in colors reminiscent of Starburst Fruit Chews, as well as a stereo playing reggae. Until a new law went into effect, patients could "medicate" on the premises, with options that included a $5 hit of hash oil from an elaborate bonglike device called a skillet.

The Green Room has a Pottery Barn in Bohemia feel, with an espresso bar and a separate room for a massage therapist. Another, Dr. Reefer — it's the name of the dispensary and the trade name of the owner — is proudly ramshackle, in part because it hasn't been thoroughly renovated since a restaurant moved off the premises.

"This used to be a hot dog place called What's Up Dog and my place was in the basement," says Pierre Werner, Dr. Reefer himself. "When What's Up Dog closed, I moved in the very next day, and I've been open every day since."

Mr. Werner, for the record, is not actually a doctor. Rather, as he puts it with a note of pride and defiance, he's a "three-time convicted felon for possession of marijuana with intent to sell." That history, as well as his habit of standing near the side of the road and waving a huge Dr. Reefer sign at passing cars while shouting "come get your meds," makes other dispensary owners, not to mention some local politicians, wince.

After all, they're trying to create respectability — maybe even some class — and Dr. Reefer's not helping.

If there is a historical precedent for what's now happening in Colorado, it could be the 1920s and the era of Prohibition. During America's dry age, the federal alcohol ban carved out an exemption for medicinal use, and doctors nationwide suddenly discovered they could bolster their incomes by writing liquor prescriptions.

Pharmacies, which filled those prescriptions, and were one of the few places whiskey could be bought legally, raked it in. Through the 1920s, the number of Walgreens stores soared from 20 to nearly 400.

Prohibition also enriched adventurous sorts at every level of booze production and consumption, from grape farmers and distillers to the owners of speakeasies. Many of them went on to earn legitimate fortunes once Prohibition was repealed.

More than a few in the marijuana business say they believe they are early entrants in a market that could be huge, as laws and public attitudes shift in their favor. But a lot depends on what restrictions are placed on sales, as Colorado's example suggests.

SELLERS here will tell you that to succeed in this business, you need to keep two essentials in mind.

First is the importance of nabbing a lot of "caregiver rights," which every person with a medical marijuana certificate can assign to a seller of choice. The caregiver rights of each patient, as customers are universally known, allow a dispensary to sell the marijuana of six plants, though the pot can be sold to anyone with a certificate. So the more caregiver rights a dispensary collects, the more pot it can sell.

The second essential: grow your own. A pound of marijuana can be sold at retail for somewhere between $5,500 and $7,500. To buy that quantity wholesale will cost about $4,000. Grow it yourself and the same pound will cost just $750 to $1,000.

"It's like any retail environment," says Sean Fey, a co-owner of the Green Room. "Given overhead expenses, you're not going to make a lot of money if your margins are 40 or 50 percent, which is what you'll earn if you don't grow your own marijuana. But you'll get 70 to 80 percent margins if you do."

Pot sales so far are expected to generate about $2.7 million in license fees, in addition to the more than $681,000 in sales tax collected from July 2009 to February 2010. These figures seem a decent-enough start, but are far less than the $15 million in annual taxes predicted by some of the state's more optimistic lawmakers.

A batch of regulations known as Amendment 1284, signed by the governor on June 7, is expected to put many dispensaries out of business, eliminating the amateurs and semipros who jumped in because there was nothing to stop them, but greatly strengthening those who have the wherewithal to remain standing.

At least that is the hope of Matt Cook, the senior director of enforcement at the state's Department of Revenue and the man behind Colorado's pot regulation system.

"I've been coming up with regulations for different industries for 30 years," he says. "Alcohol, tobacco, car dealerships. I just took the best practices from those businesses, and I was allowed input of my own."

The new rules, many of which will take effect over coming months, treat dispensaries a bit like pharmacies and a bit like casinos. Felons will soon be prohibited from owning dispensaries. (Mr. Werner is selling the Dr. Reefer store.) Twenty-four-hour Webcams will be trained on every growing facility and dispensary in the state. There are restrictions on hours, new rules for licensing, labeling and on and on.

Dispensary owners, generally speaking, aren't complaining. The more regulated the business becomes, the easier it will be to operate, says Ms. Respeto of the Farmacy. The company, which was co-founded by her father, has big ambitions: to become a medical marijuana dispensary franchise and do for Super Silver Haze what Rite Aid did for pills. The store in Boulder is actually the company's fifth; there are three in California and one in Denver.

"I used to manage Whole Foods stores on the East Coast," she says. "And that was a lot easier. Because in the food industry, you know what the standards are."

Ms. Respeto exudes a kind of soccer-mom normality, which dovetails neatly with a core element of the Farmacy's marketing plan. The company would like to purge the business of its counterculture, glazed-and-confused image and turn it into something mainstream.

"What you hear about is a bunch of 18-year-olds who just want to get high," she says. "You'll see little of that in our establishment. What you'll see instead is the 50-year-old woman who suffers from arthritis and this is her choice of pain medication."

The medical dimensions of this industry seem in perpetual tension with its stoner roots. All dispensary workers sound utterly sincere about the health benefits of marijuana, and each has a story about an elderly man whose chronic back pain vanished when he was introduced to the healing powers of Sour Diesel.

These are true stories, and there's no doubting that pot helps a lot of people who are in genuine pain.

But when was the last time your pharmacy had a milkshake night? Selling "dosage controlled" scoops of chocolate peanut butter ice cream?

Judging from three days of visits to a dozen places, the sweet spot of the dispensary demographic seems to be 20- to 30-year-olds, all of whom, when asked, say they have an ailment — insomnia, menstrual cramps or an assortment of painful-sounding bone problems.

"I fractured a vertebra in my back," says Keith Aten, who has just swung by the Green Room to buy a medicated cookie and a caramel. "It hurts if I'm having a heavy walking day."

Mr. Aten is a tall 21-year-old wearing a T-shirt with a zombiefied version of the Scarecrow from the Wizard of Oz, lurching down the Yellow Brick Road yelling "Brains!" Like every patient, Mr. Aten is assiduously courted with freebies by dispensaries who covet his caregiver rights.

"My guy used to give me a free half-ounce every month, but he just dropped it to a free quarter-ounce," he said. "So I'm looking around to see who has a better deal. I've visited about 30 places so far."

To acquire this V.I.P. status, Mr. Aten first needed to pass a medical exam certifying that marijuana is appropriate medicine for him. And that exam, surprisingly enough, might be the easiest money in this aromatic field.

TO see why, visit the office of Dr. James Boland, about nine miles outside of Boulder, in a strip mall in Broomfield. The place is a marvel of work-flow efficiency. In a matter of minutes, patients are greeted by a secretary, have their papers notarized by a notary public and are escorted to a waiting room — which on this day has a TV playing an instructional video on making your own hash.

"Today, I saw about 40 patients, but sometimes we'll have 100 patients come through here," Dr. Boland says, sitting in his small examination room.

He is dressed in dark green scrubs, like a man on a work break from a MASH unit. Until last year, he earned a modest income handling worker's comp claims for a local furniture manufacturer.

Then he decided to enter medical marijuana full time, and he opened this place, which technically isn't a doctor's office, but a "managing/marketing firm" called Relaxed Clarity. His employees are allowed to do what he can't — show up in dispensaries to pitch his services.

And when patients arrive, they find a highly streamlined operation. Each examination lasts three to five minutes.

"All you're doing is answering the narrow question: does this person have a condition that qualifies them?" says Dr. Boland. "And do they have anything else that would place them at risk for an adverse outcome if they use medical marijuana?"

Yes to the first question, no to the second — those are the answers about 90 percent of the time, he says. And he stands by every one of those decisions.

BY the standards of a workaday medical practice, this is simple and headache-free work, according to Dr. Boland, unless you count the hidden-camera TV journalists who have dropped by hoping to find misconduct, or the lingering fears that if you're too liberal with your signature, the state's medical board might discipline you. A very small number of doctors approves a majority of certificates, and Dr. Boland is one of the most prolific of them all.

In one year alone, working just three days a week at Relaxed Clarity, he's seen 7,000 patients, each paying an average of $150 for a visit. He takes out a calculator and does some quick arithmetic. That's more than $1 million, grossed in 12 months.

"There's no waiting for an insurance company to pay you a fraction of what you billed," Dr. Boland says. "It's just boom, you know, cash on the spot. So you can make a significant amount of money doing this."

Like the Farmacy, Dr. Boland hopes to take his medical marijuana business national, opening Relaxed Clarity offices in other states. The difference is that he is profitable, while the Boulder outpost of the Farmacy, at least for now, is not.

The lack of profits has been a source of stress for Ms. Respeto. Maybe as the industry matures, it will become more predictable and easier to navigate, less given to panicky phone calls about unforeseen U-turns. Until then, the good news is that she is surrounded, day in and day out, by one of the best-known relaxants on earth. The bad news is that she is one of the very few people in this business who does not smoke pot.

"I go home at night," she sighs, "and have a glass of wine."

Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Usuário Growroom

O texto parece muito legal, mas como ingles ainda me falta muita coisa, espero ae uma boa alma que traduza, que ae da pra entender tudão no minimos detalhes, em ingles, sempre passa uma coisa ou outra :rolleyes:

Mas ae, eu entendi direito o finalzinho?

"the good news is that she is surrounded, day in and day out, by one of the best-known relaxants on earth. The bad news is that she is one of the very few people in this business who does not smoke pot."

“I go home at night,” she sighs, “and have a glass of wine.”

Realy?!? a glass of wine? :<img src=:'> :Ddura:

Da tempo de mudar! :)===~

:cool

Link para o post
Compartilhar em outros sites
  • Usuário Growroom

25 milhoes por ano é o consumo de maconha pelos americanos.... qto gastam nos brasileiros ????? e se o governo canalizasse esses valores q sairinham do narcotrafico e estipulasse farmacia (medicinal) e cadastro dos grow (afinidade) ????? é mais facil encher as cadeias com traficantes talvez ...

Link para o post
Compartilhar em outros sites

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Visitante
Responder

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

Processando...
  • Tópicos

  • Posts

    • Oi, olha essa terra aqui tem de tudo, é terra de horta. Tem casca de ovo, tem adubo pra tomate, tem minhoca, tem tudo. Eu tava colocando chá de casca de banana, hidrogênio..  No grupo do face me falaram ate pra cortar que tinha hermado, mas pra mim não hermou nada. Eu moro em um apê não pega muito sol direto nela e aqui no RS fez uns dias bem sem sol, o sol até pega nela pq deixo ela perto da janela, mas não consigo deixar ela completamente no sol pq tem que pôr na janela daí. E a janela da pra rua, então não tem como ela vai ficar totalmente exposta. Eu não sei se teria que trocar ela de vaso, esse é um galão de 20 litros aqueles de água sabe. A minha ideia era tentar não deixar ela muito grande, pq eu não tenho espaço pra ter um pé muito grande. E ela já tá bem grande. Tu acha que eu deveria mudar ela de vaso nesse momento? Tem algo que eu posso colocar? Tu me indica um adubo, algo sei lá pros buds? Eu nunca plantei é a primeira vez então tô bem perdida. Desde já agradeço 🙏
    • baaah se depender do hiper mano .não creio que irão mi repor o que eu pedi,seria muita sorte,falaram que ia mi dar brindes,deve se aquelas ed rosenthal e algumas altos,não é o que eu quero.o tempo passou né mano jaja é 2021 devem lançar outra e eu atras dela ainda parei ate perdeu a graça ou não ?kkkk sera que vale a pena ?,essa parada mi arrancou muito dinhero, quero saber como ta o oaseeds ainda 35 euros pelo envio pro br? eu tenho um resto de biticoin que deixei 2 3 meses atrás,incrível era uns 60 80 reais reais,hoje eu fui ver e a moada subiu pra 127 reais kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk vo de cartão nao deixa ele quetinho kkkkkkk vo de bitcoin. pode pega desse sorvete ai mano de boa,ela é boa de mais pra ficar escondida vc tem o aval pra pega  ela pode pá kkk,só sei que é bem diferente e eu ainda nao vi um diario com ela kkkkkkk sera eu que vo lança-la? vamo tenta um tranbit com oaseeds a diversidade lá é uma loucura. o fóda é esse virus do cão que volto a atacar e se marcar vai para tudo de novo.ai é fóda né. é nóis que pranta
    • Galera, O Attitude chegou liso em 19 dias, porta a porta. Stealth muito bom.
×
×
  • Criar Novo...