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Paraíso na Fumaça, por Chris Simunek


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Crítica do livro do editor de cultivo da High Times.

Paraíso na Fumaça – Chris Simunek

Pouca gente tem noção de que os mais ardidos e negativos pecados atribuídos a Chris Simunek – o perverso egocentrismo, a capacidade nata para o esculacho, a irresponsabilidade gritante e a desenvoltura pra chutar a boca da morte – são suas mais cômicas qualidades. Adepto irrefutável do jornalismo-gonzo – onde o autor faz parte do contexto narrando os acontecimentos conforme a sua ótica doentia -, Chris consegue, em ‘Paraíso na Fumaça’, fazer literatura subversiva, desprendida de culhões gramaticais e deliciosamente chapada pela nevoa inebriante e crítica da maconha. Editor de cultivo da revista High Times (a única revista dedicada a subcultura da fumaça ilícita), Chris dedica a ‘Paraíso na Fumaça’ as anotações completas e complementares de matérias que foram veiculadas na revista.

O desenrolar do livro é estimulante como metanfetamina, mas, a linguagem é lenta e reflexiva como o haxixe. Toda uma gama de acontecimentos significantes (ou não) para a cultura pop é alinhavada pela linha de pensamento perversa de Simunek. Assim, estadias psicóticas em acampamentos frustrados da Rainbow Family (a maior comunidade hippie de toda história), visitas às florestas de ganja de velhos caipiras e turnês de rock são lembradas com agudez desconcertante. Ao mesmo passo em que paga redenção na Jamaica em busca do “verdadeiro Bob” (num texto de arrepiar), o jornalista consegue esculachar motoqueiros alienados, velhos bêbados, caipiras medíocres, hippies e pós-hippies que, como ele, cresceram numa América dividida entre a falsa democracia dos otários da paz & amor e o consumismo pervertido dos bundões do Central Park. Porém, apesar da pena ferina, da acidez crítica e das referências beat, ‘Paraíso Na Fumaça’ não é todo provocador – embora pareça o diário secreto de um Diogo Mainardi punk. O episódio nos Maconheiros Anônimos – em que o editor da revista sugere que ele se infiltre – é hilariante, sobretudo pela capacidade de Chris em fantasiar, chapadíssimo, delírios de deturpação social num ambiente completamente simples, se não amigável.

O delírio em purificar a alma distorcida pelo pandemônio do materialismo através da literatura – atitude recorrente aos seus ídolos Ginsberg e Kerouack – é constante em ‘Paraíso na Fumaça’. Mas, a transgressão pára por aí, ao maconheiro de Internet, ao alienígena de butique das raves e ao pós-hippie-virtual, um alerta. Chris Simunek não é, nem se propõe a ser, um xamã pseudo-espiritual-virtual-bunda-molístico ou um profeta-da-maconha disposto a desperdiçar a vida lutando pela legalização da erva. Suas intenções são banais, quase primais, mas tentadoras: consumir o maior número de drogas por metro quadrado, foder a maior quantidade de ninfetas que agüentar e, se sobrar tempo, devolver ao ser humano toda sua podridão.

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  • 5 months later...
  • Usuário Growroom

TEnho esse livro há um tempão. Muito bom!! A orelha do livro tamb'm tem altas folhas de cannabis. Uma obra de arte. Sem falar do beckão na capa com folha imitando o cânhamo. O cara frequenta até uma reunião de maconheiros anônimos. Hilário...

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  • Usuário Growroom

Eu tava muito afim de ver esse livro, conheci a algum tempo atrás numa galeria aqui em SP, que a propósito, a vendedora dos livros era mt gata, acho q vou lá comprar algum livro c/ ela, vou acabar comprando algum do Chomsky, porque a pena que não vai poder ser "Paraíso da Fumaça" , naonde vou esconder o livro dos meus pais?

hahahaha

Abraços

Esse livro parecer ser muitíssimo interessante, quando eu me mudar daqui a alguns anos, vai ser um dos objetos da minha casa!

hehehehehe

:D

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  • Usuário Growroom

Pois é, pessoal, o grande inspirador de "Paraíso na Fumaça", se foi, ao cometer suicídio há alguns dias. Trata-se do grande Hunter Thompson, o criador do estilo gonzo. Quem se liga em "Paraíso na Fumaça" não deve deixar de ler os livros do Thompson. A editora Conrad lançou alguma coisa. Fiquei triste com a notícia. Ele era "O cara". A sociedade o matou.

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  • 3 years later...
  • Usuário Growroom

Entrevista com o autor e um trecho do livro retirados do site Scream Yell:

S&Y - Como surgiu a idéia de fazer o "Paraíso na Fumaça"?

Chris Simunek - Eu estava tentando vender a um editor da St. Martin's (editora de livros) um romance meu, mas ele não quis. Quando eu tive a atenção dele novamente, eu pensei em entregar um livro sobre minhas experiências com drogas, e ele acabou comprando.

Quanto tempo você demorou para escrever o livro?

Simunek - O livro é baseado em quatro anos de artigos. E isso levou mais ou menos mais um ano para ficar do jeito que está agora.

Que tipo de jornalismo você faz?

Simunek - Na maior parte do meu trabalho, eu não me considero muito um jornalista. Daniel Pearl foi um jornalista, eu sou apenas um idiota com muitas contas a prestar. E isso leva a muitas situações engraçadas, e eu escrevo sobre isso. Então, eu não sei como você pode chamar isso, talvez jornalismo literário? Algumas pessoas chamam isso de "gonzo", mas, na verdade, essa viagem foi somente Hunter Thompson quem fez e ninguém mais.

Você está escrevendo alguma coisa nova? Sobre o que é?

Simunek - Sim, eu terminei "No Easter", mas não foi publicado. O livro segue o caminho de Gene Gumellis, um porteiro de 22 anos que é em parte do tempo um filósofo, no despertar de uma catástrofe global sem precedentes, onde há uma repentina aparição de um monstro tipo o Godzilla. Desconsiderando certos fantásticos desenvolvimentos, esse livro é a vida real com problemas reais. Descreve uma imagem sobrecarregada da geração jovem que precisa de estímulo para mudar tão freqüentemente como piscam os olhos. Nada como um cataclismo para poder trazê-los a um plano espiritual mais alto. A ironia aqui é que esse livro é uma procura pela redenção espiritual e de muita coisa que os está destruindo (os jovens). Algo do tipo...

Em "Paraíso na Fumaça", você parece ser um cara um pouco niilista, uma espécie de "loser". Você se considera um "loser"?

Simunek - Uh... Essa foi a questão mais engraçada que eu já respondi. Você tem que entender a tradução. "Loser" é um termo muito negativo, um insulto, haha. É a mesma coisa que você me perguntar: "você é um babaca?" Mas eu acho que entendi o que você quis dizer. Não! Eu não sou um "loser"! Quanto ao niilismo, eu não acho que isso se aplica a mim. Eu tenho grandes esperanças que dificilmente serão alcançadas. Às vezes elas são, e eu acho que você encontrou isso em certos momentos do livro, como com os rastafaris ou com os motociclistas.

O que você pensa sobre ser um drogado nos EUA, que é um país muito conservador?

Simunek - Os EUA têm uma atitude prejudicial e freqüentemente hipócrita a respeito das drogas. Os políticos aceitam milhões e milhões de dólares das companhias de tabaco, mas não deixam as pessoas fumarem maconha, que não faz mal. Eles estão realmente preocupados em relação à saúde pública? Ou há outra coisa por trás disso? A Guerra contra as Drogas (muito mais que a Guerra contra o Terror) basicamente deu aos EUA uma desculpa para invadir outras nações, para violar a privacidade das pessoas de acordo com a vontade deles. Os EUA não querem ganhar a Guerra contras as Drogas, porque se as drogas forem repentinamente erradicadas, a polícia vai perder sua força.

Então você acha que a maconha deve ser descriminada?

Simunek - Sim!

Como você vê a cultura alternativa hoje? Está morrendo?

Simunek - Parece morta, eu tenho medo. Basicamente, se você não pode comprar na Wal-Mart (uma grande loja nos EUA), ela não existe. Há a arte "alternativa" – música, pintura, filmes, etc. – mas eu não sei se há uma "cultura" (que é uma palavra muito importante) alternativa, pelo menos não nenhuma que me interesse direito agora.

TRECHO

"Na reunião de editores, argumentei que, com o novo milênio, outras revistas estariam fazendo suas listas de personalidades pro século XXI. Então por que a High Times não lançava um olhar realista sobre o futuro e escrevia sobre os moleques? Se você quer um retrato detalhado da próxima geração, tem que observar a maioria, ou seja, aqueles que no futuro vão cancelar o teu plano de saúde ou te recusar um empréstimo bancário. Se existe uma coisa que os anos 60 deveriam ter nos ensinado é que, enquanto os porta-vozes duma geração estão ocupados em sair bem na foto, as formigas fazem a história.

O feriadão de primavera é como o Muro das Lamentações das formigas. É uma viagem que os estudantes fazem pra provar um último gosto de liberdade antes de virarem a graxa que lubrifica a grande máquina americana que vai atropelando as vidas das outras pessoas. Parecia uma boa idéia, pelo menos até a aterrissagem do avião e o nosso embarque no ônibus de turismo da School Spirit Inc. que nos levaria até o hotel.”

De “Gringo Que Nem Eu: Feriadão de Primavera em Cancun”

"Paraíso na Fumaça - Viagens de um jornalista da High Times"

Autor: Chris Simunek, Ed. Conrad, 194 páginas, R$ 33,00.

http://www.screamyell.com.br/literatura/paraisonafumaca.html

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