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Entrevista Veja: Drogas

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Bodom    0

Saiu na Veja desta semana, uma reportagem com um psiquiatra especialista em estudos sobre o consumo de drogas legais e ilegais, vou postar aqui alguns trechos da entrevista que eu achei interessante ao tema e as que tiveram relação com a cannabis.

O psiquiatra grego Petros Levounis, de 42 anos, é um dos maiores especialistas em dependência dos Estados Unidos. Há uma década ele se dedica ao estudo dos distúrbios ligados ao consumo de drogas legais e ilegais e, também, dos transtornos relacionados à compulsão por sexo, jogo ou internet.

Veja – Do ponto de vista estritamente científico, não há diferença entre a dependência de drogas legais e ilegais?

Levounis – Não. A questão é que, quando fazemos essa divisão, estamos nos referindo ao componente social do vício, e é aí que a maioria das diferenças se manifesta. Um exemplo: o álcool pode provocar uma devastação física e psicológica nos indivíduos muito maior do que a que vemos com a cocaína. Mas isso não quer dizer que uma seja pior que a outra, e sim que as complicações e manifestações sociais da dependência são muito diferentes – justamente porque a cocaína é ilegal e o álcool não é.

Veja – É possível consumir esporadicamente tabaco, álcool ou drogas sem se tornar dependente?

Levounis – Algumas pessoas podem consumir álcool ou tabaco e não se tornar viciadas. Mas é errado dizer que o álcool e a nicotina não viciam. Algumas pessoas podem se tornar dependentes de determinada substância, outras não. Cada uma reage de uma maneira. E é impossível prever isso. Todas as drogas podem causar dependência, e algumas têm altíssimo poder viciante. É o caso dos estimulantes em geral, como cocaína e anfetaminas.

Veja – A discriminação não está relacionada aos problemas que o dependente causa, inclusive com atos de violência?

Levounis – É claro que eles causam problemas dentro de casa e também para a sociedade. Quem faz uso abusivo de álcool e cocaína rouba dinheiro da família e leva muitos problemas para dentro de casa. É difícil atender um dependente que não tenha o vínculo cortado com os parentes mais próximos. É uma situação triste, porque pouquíssimos podem contar com a ajuda da família durante a recuperação. Mas o vício de drogas não é, definitivamente, o único distúrbio que pode envolver violência. Alguns distúrbios neurológicos podem causar problemas graves também. No entanto, o peso que o dependente carrega é enorme. Acabamos discriminando-o e não lhe dando o mesmo tratamento dispensado a outros doentes. Discriminá-los só piora a situação.

Veja – Qual sua opinião sobre a legalização da maconha?

Levounis – A legalização pode até reduzir o número de crimes associados ao uso e ao tráfico de drogas, mas esse é só um aspecto dentro de uma sociedade em que a dependência é um problema de grande extensão. Não consegui chegar a uma conclusão definitiva sobre o assunto. Não sei se a legalização pode solucionar todos os problemas que a droga ocasiona. Precisamos nos aprofundar ainda mais nos custos e nos benefícios de uma medida como essa. Mas é fundamental deixar claro um ponto: acho que usuários abusivos de drogas devem ser encaminhados ao médico para receber tratamento adequado, e não punidos. A prisão não é, de maneira alguma, o melhor lugar para um dependente químico.

Veja – Muitos especialistas atribuem à maconha o papel de porta de entrada para outras drogas. Qual sua opinião?

Levounis – Essa é uma teoria antiga e ainda bastante controversa. Há quem defenda que a maconha abre as portas para drogas mais pesadas, como a cocaína, e há quem seja absolutamente contra essa idéia. Existem bons argumentos para concordar com essa tese ou discordar dela. Mas não acho que isso seja mais importante que saber que a maconha é viciante, sim, e pode trazer sérios problemas para quem faz uso dela. Consumida durante um longo período, ela causa distúrbios cognitivos e perda de memória.

Veja – Os consumidores de drogas podem ser responsabilizados pelo tráfico?

Levounis – Não. É claro que, se há procura, as drogas vão ser vendidas. Então, temos de nos preocupar em reduzir essa demanda com campanhas educacionais e tratar de maneira adequada os dependentes. Mas é preciso ficar claro que os grupos envolvidos nessa questão são totalmente diferentes. Há o usuário de drogas e os grandes traficantes. É um erro confundi-los.

Veja – Qual é a ligação entre drogas e violência?

Levounis – Além da violência provocada pelo tráfico em si e pelas brigas de gangues por pontos de drogas nos grandes centros urbanos, existe aquela provocada diretamente pelo consumo de determinadas substâncias, como a cocaína. Além disso, não podemos nos esquecer da violência provocada pelo álcool nas ruas, no trânsito e também dentro de casa, desestruturando famílias por completo.

Veja – Fala-se muito na importância da família para evitar que o jovem entre no caminho das drogas. Mas até que ponto os pais têm esse poder, com tantos apelos externos em sentido contrário?

Levounis – Proibir que o filho se envolva com drogas é impossível. Mas há muito que fazer para reduzir os riscos. A família deve estar sempre envolvida com os filhos, responder às perguntas sobre drogas e álcool, ter conhecimento sobre quem são os amigos e saber aonde costumam ir. É importante que os pais participem da vida deles. Há uma informação específica que nossa observação relaciona à redução de riscos do envolvimento dos adolescentes com as drogas: quanto mais vezes a família se reúne para jantar, menor o risco de abuso de drogas dentro de casa.

Veja – Há pais que acham que essa convivência pode incluir fumar maconha junto com os filhos. O que diz sua experiência?

Levounis – Nos Estados Unidos, há uma geração de pais que tiveram experiências com maconha e outras drogas e hoje têm muita dificuldade para dizer aos filhos que não usem drogas. Alguns continuam usando, e eu acho que é uma péssima idéia fumar na frente dos filhos. Por outro lado, não penso que os pais devam mentir sobre as próprias experiências. É preciso que haja um constante e aberto debate sobre o uso de drogas e álcool entre pais e filhos. Assim, as experiências passadas podem até servir para alguma coisa. Independentemente disso, é crucial que os pais jamais sejam coniventes com o consumo de drogas dos filhos.

Veja – Como deve ser o combate ao tráfico de drogas?

Levounis – A maior preocupação de nós, médicos, é quanto ao esforço para reduzir a procura pelas drogas, tentar evitar que adolescentes e jovens as consumam. Há muito discurso, esforços e dinheiro na luta contra o fornecimento de drogas, mas não há o mesmo interesse na redução da procura. É impressionante como existem pessoas que acham que se você se torna dependente não há mais nada a fazer, é um caso perdido. Esse pensamento é um grave erro. Existem tratamentos que funcionam, sim, e nossos governantes precisam dar mais atenção a esse assunto.

A edição on-line da VEJA está disponível apenas para assinantes do UOL ou da Revista.

Mas o texto que postei acima, traz praticamente toda a matéria, só exclui alguns trechos que falam exclusivamente de outras drogas e sua dependencia.

Fonte: Revista VEJA - Edição 1870 - 8 de setembro de 2004

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BocaSeca    2

Mais uma vez fica demonstrada a dificuldade que os cientistas contrarios à legalização da maconha tem , para dar algum amparo às suas convicções.

Além disso, o fato de ,o tabaco, o alcool , a cocaina e a maconha serem

totalmente diferentes,somente é considerado às vezes, conforme o interesse

do cientista.

Muito boa a postagem, mas o "cientista" não acrecentou nada sobre este assunto .

Serviu somente para a revista mostrar que esta preocupada,atenta e reveladora , atualizada,moderna e... conservadora .

....ô droga.

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-Beronha-    0

O que acho inconveniente é que a mídia cai no imediatismo quando discute a legalização da maconha, onde deveria vir primeiro a discussão sobre a descriminalização do usuário, que seria um passo-chave para uma maior tolerância no que diz respeito ao cultivo próprio. No momento eu não desejo nada mais que plantar a minha erva sem ser incomodado.

E outra coisa, é comprovado há milênios os benefícios terapêuticos que a cannabis pode oferecer, então qual seria a opinião mais sensata de um médico? Já falaram e eu repito: toda droga é remédio e veneno, tudo depende da quantidade administrada.

Inté

_._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._._.

"When the boys are together, you could never find a more aggressive, arrogant, rowdy, perhaps ignorant bunch of people than me and my friends. That’s just the way we are; that’s the way we smoke pot (skateboard)."

parafraseando TONY ALVA (1977)

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