Jardineiroc

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  1. Do Outras Palavras Pierre Charasse Tradução de Cristiana Martin Comandada pelo moralismo e interesses geoestratégicos, proibição gerou guerra interna, com dezenas de milhares de mortos. Agora, capital debate alternativas O debate mundial sobre a “guerra contra as drogas” foi paralisado por anos, essencialmente em razão da atitude fechada e intransigente dos Estados Unidos e da União Europeia, mas também pela Rússia e China que mantiveram, por diferentes razões, uma dura linha proibitiva. Mas enfim o debate começa a caminhar. Vários países afetados por políticas totalmente contra producentes e socialmente custosas demandam – até mesmo imploram – que haja uma mudança na visão das problemáticas ligadas ao uso de drogas no mundo. Com a Declaração da Antígua Guatemala, tornada pública em 6 de junho de 2013 [1], a Organização dos Estados Americanos (OEA), em sua 43ª assembleia ordinária, foi bem sucedida em abrir uma discussão relevante sobre o regime de proibição partindo das seguintes evidências: as políticas repressivas são um fracasso retumbante, os relatórios anuais da ONU por anos são os melhores testemunhos disso. A luta contra as drogas iniciada no começo do século XX, apoia-se em bases facilmente discutíveis e sem algum fundamento científico. A razão de ser de todas as convenções internacionais sobre as drogas desde a Conferência de Shanghai em 1912 foi a vontade dos Estados Unidos de impor ao mundo inteiro uma moral puritana do século XIX característica de uma parcela da sociedade protestante anglo-saxônica para qual a abstinência é uma virtude e o prazer, um pecado. Originalmente, esta percepção tinha um forte conteúdo racista e xenofóbico anti-chinês, depois esta política tornou-se um instrumento do colonialismo e da ingerência seletiva dos países ocidentais em certas partes do mundo. Pouco a pouco a justificativa moralista erodiu, colocando em evidência o que estava por trás de tudo: uma enorme hipocrisia e interesses pouco honestos. Essa linha indefensável foi substituída nos anos 1970 e 1980 por uma nova ideologia ocidental proibitiva, fundada sobre a vontade paternalista em vigor, de proteger o ser humano dele mesmo, com uma abordagem mais sanitarista e social. Mas isto não passava de uma aparência. Com a multiplicação das convenções de direito penal internacional, os governos endureceram as políticas proibitivas e, em contrapartida transformaram a problemática da droga em uma questão principalmente geopolítica, ignorando sua dimensão de saúde pública. Até nossos dias, a droga desempenhou um papel fundamental em todos os cenários de conflito como fonte ilícita de lucros financeiros por todas as forças beligerantes governamentais ou rebeldes, como mostrou de maneira muito pertinente o Observatório Geopolítico de Drogas de Paris [2]. Foi este o caso no Vietnã, no Líbano e na América Central (financiamento contra nicaraguense pela CIA com dinheiro das drogas), na Colômbia, nos Bálcãs, no Afeganistão (primeiro produtor mundial onde a OTAN cobre a produção de ópio), no Iraque, na Líbia, em todos os conflitos da África subsaariana, hoje na Síria, etc. Além disso, o amálgama que é feito com o terrorismo, permite justificar no mundo inteiro graves ameaças às liberdades individuais. Definitivamente, cada país enfrenta ou utiliza a questão da droga à sua maneira e em função de seus interesses, sem se preocupar com o que de fato deveria ser a prioridade: a saúde pública. É por esta razão que a recusa do regime proibitivo é cada vez mais forte por todo o mundo. Nas intermináveis discussões sobre as drogas, existe uma gama de posições, desde a dos partidários da repressão brutal e mortífera, até a dos ultraliberais como Milton Friedman ou Georges Soros, passando pela redução de riscos com a distribuição de produtos substitutivos e assistência médica, a retirada parcial ou total das penas e a legalização controlada. O governo dos Estados Unidos, que hoje já não tem mais argumentos críveis e que perdeu toda a autoridade moral no assunto, mantém o princípio da proibição absoluta em nível internacional, uma vez que não há nem vontade nem capacidade de enfrentar o crescimento fenomenal do uso de drogas em seu território, o maior mercado do mundo.Ao ponto que, recentemente, o procurador geral Eric Holder fez uma proposição revolucionária: não mais aplicar a lei aos pequenos consumidores e traficantes que entopem das prisões americanas, uma vez que eles não representam perigo algum para a sociedade. De fato, as autoridades norte-americanas federais ou dos Estados, caminham para uma política de redução de riscos (o que combateram por anos). Equivale a dizer que avançam rumo à despenalização do uso de drogas (em primeiro lugar, a maconha), acompanhada de assistência sanitária e social aos dependentes. É um primeiro passo. Logicamente, o seguinte deverá ser um regime de legalização controlada da produção – comercialização e consumo de drogas – o que deve mobilizar uma demanda de revisão em profundidade do direito penal internacional. Isto poderá, consequentemente, como decidiram o governo e o parlamento do Uruguai, tirar da clandestinidade atos até então proibidos pela lei mas largamente difundidos por toda a população e que desrespeitam um dos primeiros direitos fundamentais do homem, o de dispor de seu próprio corpo. Isto, junto às limitações regulamentares aplicadas a outras substâncias como o álcool, o tabaco, ou medicamentos controlados. O Uruguai, pequeno país muito respeitado e que goza de grande prestígio internacional, mostra o caminho a ser seguido. No dia em que os Estados Unidos renunciarem à proibição das drogas em seu território e derem a cada país a liberdade de agir soberanamente de acordo com os próprios interesses, a grande maioria de membros das Nações Unidas apoiará esse movimento salutar. Mas eles não se moverão exceto em caso de forte pressão internacional. O México, país membro da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), do G20 e do Grupo de Ação Financeira (GAFI), poderá exercer um papel fundamental para acelerar este processo. Ele não fez mais nada até agora além de ser o país mais afetado do mundo pela “guerra contra as drogas”: dezenas de milhares de mortos e desaparecidos (entre 70.000 e 120.000 durante os último seis anos), uma violência extrema, de violações persistentes aos direitos do homem, corrupção em grande escala. Ele é prisioneiro da Iniciativa Merida [3] que o submete às exigências norte-americanas e dá direito de ingerência ilimitada aos serviços de segurança dos EUA. Sem os recursos do narcotráfico, a economia mexicana poderia sofrer forte contração. A recente lei sobre lavagem de dinheiro em vigor desde julho de 2013, que introduz no direito penal mexicano as recomendações da OCDE e do GAFI, suscitou fortes reações por parte dos atores econômicos “expostos” ou “vulneráveis” como advogados, corretores de imóveis, tabeliães grandes empresas comerciais, boutiques de luxo, cassinos, bijuterias, etc, obrigadas a indicar clientes suspeitos através das “declarações de suspeita”. Advogados particularmente astuciosos contra-atacaram com um argumento discutível: a lei viola um princípio fundamental dos direitos do homem, ao abalar a presunção de inocência. Se este argumento for aceito pela justiça mexicana e formar jurisprudência, será um golpe fatal à legislação contra a lavagem de dinheiro no México, com possíveis repercussões em outros países. Enquanto espera, com esta lei o México está de frente a um difícil dilema: por em prática o rigor das novas disposições penais, com o risco de afetar seriamente os setores importantes de sua economia, ou fechar os olhos e perseguir apenas jovens delinquentes, com a aprovação tácita do GAFI, do FMI e dos Estados Unidos. No que diz respeito à lavagem de dinheiro, as autoridades norte-americanas agem com grande frouxidão e não prestam muita atenção aos capitais vindos do México. Novamente, vemos ambiguidades. O caminho mais realista para parar o massacre e tirar a economia da droga da clandestinidade é a legalização controlada. Isso poderia limitar o campo de aplicação da lei anti-lavagem de dinheiro às atividades realmente criminosas — como sequestros, extorsões, tráfico de seres humanos, fraudes de todos os tipos e, é claro, a corrupção. São fenômenos que exasperam a sociedade mexicana e contra os quais as autoridades mostram-se pouco eficazes. A legalização controlada permitiria também colocar em prática políticas educativas e sanitárias preventivas, além do auxílio aberto a dependentes ou aos marginais que estão expostos atualmente à uma atitude muito agressiva das diferentes forças de segurança. O Legislativo da Cidade do México, capital do país, estuda atualmente uma lei liberal para o consumo da maconha — como já fez de maneira bem sucedida com o aborto e o casamento homossexual. É um primeiro passo. O seguinte deverá ser uma iniciativa diplomática enérgica do governo federal para tirar o debate sobre as drogas do nível regional da OEA e o colocar em nível mundial com a ONU, FMI, OCDE e GAFI, com um approach geopolítico e multidisciplinar que alcançará a renegociação das convenções sobre as drogas para a anulação da dimensão proibitiva. Esta iniciativa deverá ser acompanhada de um largo debate nacional sobre o regime da legalização controlada. A sociedade mexicana pode contribuir muito neste debate essencial. Em nível internacional, o prestígio do México será ampliado em muito, se ele encabeçar um movimento de fundo para mudar radicalmente a abordagem cujo fracasso já é evidente. A pior das políticas é não ter política. Notas [1] Ler o documento: http://www.oas.org/consejo/fr/AG/CPREPGT43AG.asp [2] Site oficial : http://bdoc.ofdt.fr/pmb/opac_css/index.php?lvl=publisher_see&id=70 [3] A Iniciativa Merida é o equivalente do Plano Colômbia para o México. Trata-se de uma “cooperação” junto à Washington (presença oficial de agente norte-americanos sobre o território mexicano para participar à troca de informações, formação e educação do exército mexicano, da polícia federal, financiamentos para equipamentos – helicópteros, armamento, telecomunicações, etc – ) Pierre Charasse é ex-embaixador francês, e animador do blog "La Tour de Babel" Fonte: http://outraspalavras.net/destaques/drogas-chegou-a-vez-do-mexico-legalizar/
    1. Jardineiroc

      Jardineiroc

      O balanço ocorrerá nesta quinta-feira (21), às 9h30, em Brasília.

      O pesquisador da Fiocruz, Francisco Inácio Bastos, o secretário nacional de políticas sobre drogas, Vitore André Zilio Maximiano, e representantes dos ministérios da Saúde, da Educação, e do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas foram convidados para o debate.

  2. Uruguai ouve posição brasileira, mas está convencido em legalizar maconha Políticos locais defenderam a nova lei ao comparar a legalidade do consumo de tabaco no país O governo do Uruguai agradeceu nesta terça-feira (5) qualquer "contribuição" ao debate sobre a descriminalização da produção e venda de maconha, em resposta à chegada ao país de uma missão brasileira que tem por objetivo argumentar contrariamente à mudança na legislação uruguaia. O secretário da Presidência e presidente da Junta Nacional de Drogas, Diego Cánepa, disse que "todas as opiniões são uma contribuição", ao ser consultado pela imprensa sobre a visita da delegação do Brasil durante a apresentação de um relatório sobre cooperação internacional no Uruguai. No entanto, depois recalcou que "há um convencimento do Governo para não insistir em uma política que até agora não deu os resultados esperados". Uma delegação oficial brasileira se reuniu hoje com parlamentares uruguaios para advertir dos riscos para o país e a região da legalização de compra, venda e cultivo de maconha. A delegação é liderada pelo deputado federal Osmar Terra, médico, ex-secretário de Saúde do estado do Rio Grande do Sul e colaborador próximo da presidente, Dilma Rousseff. Cánepa também comparou o projeto de lei, já aprovado na Câmara dos Deputados e que deve ser ratificado no Senado este mês, com as restrições ao consumo de tabaco implementadas no país nos últimos anos. "O tabaco é a segunda droga mais consumida no Uruguai, e quatro mil uruguaios morrem por ano de doenças relacionadas com o tabagismo. A solução é proibir o cigarro e perseguir os fumantes como delinquentes?", se perguntou. "Não, a solução passa por um mercado fortemente regulado que proíbe a publicidade, que estabelece claramente quem pode vender, com uma fiscalização muito forte e com políticas muito restritivas e de controle de mercado. Achamos que este é o caminho a seguir também com a maconha", argumentou. Explicou que no Uruguai "não está se criando um comércio livre da droga, mas um mercado muito restrito em nível local, com um controle do Estado muito forte, porque o objetivo é tratar o consumo e a dependência". No Senado o controvertido projeto de lei conta com votos suficientes para aprovação já que o governo é maioria na casa. A legislação poderia entrar em vigor antes de dezembro, depois de ser sancionada pel o presidente José Mujica, que foi um de seus impulsores. A iniciativa estabelece a criação de um ente estatal reguladora encarregada de emitir licenças e controlar a produção e a distribuição da droga. Os consumidores previamente registrados poderão comprar maconha em farmácias especialmente determinadas, até o máximo de 40 gramas por mês, ou cultivar em casa até seis plantas que produzam não mais de 480 gramas por colheita. http://noticias.r7.com/internacional/uruguai-ouve-posicao-brasileira-mas-esta-convencido-em-legalizar-maconha-05112013
  3. A inviolável liberdade de crença é letra morta constitucional, alerta André Barros http://jornalggn.com.br/noticia/a-inviolavel-liberdade-de-crenca-e-letra-morta-constitucional-alerta-andre-barros

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    2. Jardineiroc

      Jardineiroc

      Comentário Gunter Zibell : Eu me oponho a esse estado de coisas há algum tempo e acho que só existe um jeito de impedir que essa 'ditadura apoiada pela maioria' avance cada vez mais sobre liberdades individuais e fundamentais.

      Esse jeito é repudiar publicamente os malfeitos à democracia, ao secularismo e ao bom senso. E não votar em quem os defenda. Nem pintados de purpurina cor-de-rosa, porque são as forças organizadas que estimulam...

    3. Jardineiroc

      Jardineiroc

      tudo isso e sempre se calam por conveniência.

      Essa aliança entre partidos de massa e conservadorismo moral é bisonha para o Século XXI. Devia ficar relegada à História dos anos 1930.

      E se a oposição e a mídia 'comprarem' o discurso da liberdade e da modernidade, aí sim é que haverá um risco eleitoral para a coligação PT-Fisiologismo de direita.

    4. Jardineiroc

      Jardineiroc

      E não terei pena nenhuma se esse 'trem' ver diminuído seu poder. Posto que do jeito que está assusta.

      O neofascismo e o neoestalinismo de militantes xiitas virtuais assusta. Saudades coerência.

  4. Agentes afirmam que esquadrões de morte são organizados por policiais de “patente alta” e há envolvimento de políticos : http://revistaforum.com.br/blog/2013/07/exclusivo-em-entrevista-policiais-revelam-como-agem-os-grupos-de-exterminio-em-sao-paulo/

    1. HST

      HST

      Pode ter certeza que não é o PM soldado que organiza isso...o interesse de matar preto, pobre e puta é da elite, não do PM rasteiro.

    2. diegrow

      diegrow

      òóóóóóóóóóóóóóóóóóó

      ninguem sabia disso!!! proibiçao da nisso

  5. Antônio David: Veja transforma em ‘super-herói nacional’ assassinos de Amarildo http://www.viomundo.com.br/denuncias/antonio-david-5.html

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    2. Fabrício BrasilC (olho)

      Fabrício BrasilC (olho)

      Tenso heim jardineiro? Dá uma olhada nas 100 empregas da indústria bélica. QUE PARADA SINISTRA http://www.sipri.org/research/armaments/production/Top100

    3. HST

      HST

      Boa parte dessas vendas de armamentos são para o exército dos EUA, o DoD, Department of Defense dos EUA é a organização que mais consome petróleo no mundo, mais ou menos 360 mil barris por dia.

  6. Por Stanilaw Calandreli Por décadas, os coffeeshops da Holanda se tornaram atrações turísticas como Rembrandt e os moinhos de vento. Estes pequenos shops vendem maconha abertamente ao público dentro da legalidade, gerando ao governo taxas, que chegaram, em 2011, ao montante de 430 milhões de euros (na Holanda a maconha é classificada no gruposoft drugs, cocaína e heroína são hard drugs). Muito dos turistas que visitam a Holanda adoram experimentar as especialidades local, fumando um cigarro ou inalando um bong de maconha no coffeshop (veja foto), e muito deles transportam o produto em quantidade para seu local de origem, com a finalidade de revendê-lo. Para muitas personagens políticas do país isso trouxe também uma preocupação quanto à imagem que a nação conquistou de “turismo da droga”. Em 2010 foi criado uma lei, que proíbe a venda de soft drugs aos turistas, devendo em 2012, primeiramente, ser implementada em três cidades situadas ao sul do país. No resto do país, tal implementação ocorreria em 2013. Maastrich, uma cidade de 120mil habitantes, espremida em um estreito entre a Bélgica e a Alemanha implementou a lei em 05 de Janeiro de 2012. A cidade recebe por volta de dois milhões de visitantes anualmente, e conforme declaração do prefeito Onno Hoes - um dos esteios do primeiro ministro Mark Rutte do Partido Liberal- esse pessoal causa muitos problemas para a cidade: “Eles estacionam erroneamente, dirigem em alta velocidade, jogam lixo na rua, atraem os traficantes de drogas e outras coisas” disse ele. Segundo a lei somente os residentes catalogados podem frequentar os coffeeshops, e para isso foi criado um cartão de identificação, que logo foi apelidado de weed pass (passe da erva). Conforme o porta voz da prefeitura local, esse seria um dia importante para a Holanda, os turistas da droga vêm dos países vizinhos e da França, superlotando os 14 coffeeshops da cidade, excedendo sua capacidade e consequentemente procurando o comercio ilegal das ruas. “Esperamos que os estrangeiros permanecendo em casa, faça com que os traficantes de rua desistam desse comercio” disse ele. O presidente da União dos Coffeeshops de Maastricht e proprietário do coffeeshop Easy Going retrucou: “Com todo respeito, penso que tudo isso não faz sentido, se o problema é os vendedores ilegais de rua, porque atacar os coffeeshops?” O presidente da associação informou que apenas 100 pessoas haviam se cadastrado no weed pass, os demais cidadãos receiam serem fichados como consumidores nos arquivos federais e também temem a falta de garantia da privacidade. Sem o weed pass até os cidadãos holandeses são proibidos de frequentar os coffeeshops . “Como resultado, das 440 pessoas que trabalham nos coffeeshops de Maastricht, 360 foram dispensadas hoje. Temos também reflexo nos hotéis, restaurantes, bares, postos de gasolina e nas lojas de roupas que geravam 89 milhões de euros apenas em Maastrich” ele disse. Citou também que um estudo recente previa a perca de 1.500 empregos na cidade devido à nova lei. Com o aumento do tráfico de droga na rua começou haver o serviço “delivery in home” e já não se faz mais distinção entre “soft e hard drug” e mesmo o fator idade para consumo começou a ser ignorado. Pressionado, o prefeito atual declarou o fim do weed pass. Com a volta da legalização do comércio de droga, esperava-se que a normalidade voltasse às ruas da cidade, porém não foi o que aconteceu. Traficantes veem nos coffeeshops um forte concorrente aos seus negócios e passaram a ameaçar os proprietários, funcionários e até mesmo os frequentadores, como foi o caso da pessoa que filmou o vídeo abaixo. Devido ao grande aumento de trabalho que a polícia sofreu ultimamente, o chefe de distrito declarou que a polícia local não possui estrutura para executar o policiamento devido. O prefeito, agora, novamente mudou seus planos e pretende transferir os coffeeshops para uma área industrial, ao lado da divisa com a Bélgica, em Eijsdein. A Suprema Corte de Haia já aprovou a mudança. Porém, os prefeitos de cinco cidades belgas (Voeren, Riemst, Blegny, Visé and Lanaken), fronteiriças, adjacentes com a região, reclamaram alegando que, o prefeito de Maastricht pretende resolver seus problemas transferindo-os para outros prefeitos. E por não encontrarem apoio às suas reivindicações em Haia, prometem acionar a Corte da União Europeia. Essa situação provocou o prefeito de Voeren, Huub Broer, quem garantiu que a vida dos coffeeshops em Eijsdein não será nada fácil, e ameaça usar uma lei da UE que permite fechar as estradas que atravessam a fronteira quando houver ameaças de riscos. E agora prefeito Ono Hoes? Na Holanda 9,5% dos jovens e adultos (idade 15-34) consome soft drugs uma vez ao mês. No mesmo nível que Filandia 8% - Letônia 9,7% - Noruega 9,6 - República Checa 9%. Os números crescem na UK 13% - Itália (o líder) 20,9% - Espanha 18,8% e França 16,7% (números retirados do Dailymail-UK, fonte não informada). Referências: http://www.forbes.com/sites/ceciliarodriguez/2012/10/12/weed-for-all-again-dutch-politicians-say-maybe/ http://www.dailymail.co.uk/news/article-1339164/EU-rules-Dutch-BAN-coffee-shops-selling-marijuana-tourists.html http://www.irishtimes.com/news/world/europe/anger-at-court-decision-to-move-maastricht-s-drug-coffee-shops-1.1495487 http://www.hngn.com/articles/5139/20130612/dutch-coffee-shop-owners-sell-marijuana-foreigners-trial-begins-wednesday.htm http://www.forbes.com/sites/andrewbender/2012/05/01/dutch-government-to-foreigners-no-more-weed-for-you/ Vídeos: Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-experiencia-de-maastricht-com-a-comercializacao-da-maconha
  7. Arma mortal por Heloisa Villela, de Nova York, especial para o Viomundo A CIA deu proteção aos grandes traficantes de drogas do mundo. A imprensa norte-americana, prostituída por acesso ao poder, promove a guerra contra as drogas — que gasta bilhões de dólares sem resultados. A solução para o problema do tráfico é dar poder às comunidades afetadas pelo comércio e consumo das drogas. Estas são algumas conclusões de Michael Levine depois de 25 anos de experiência como agente secreto da Agência de Combate às Drogas (DEA) dos Estados Unidos. Norte-americano do Bronx, ele escreveu três livros nos quais conta, em detalhes, todas as operações que poderiam destruir grandes cartéis, mas que foram sabotadas pela CIA, a Central de Inteligência. Quando não aguentava mais a frustração, Michael Levine escreveu uma longa carta sobre a participação da CIA no chamado “golpe da coca”, na Bolívia, em 1980, que colocou o general Luis García Meza no poder. Michael enviou a carta a dois jornalistas da revista Newsweek. Um deles, Larry Rohter — que mais tarde se tornaria correspondente do New York Times no Brasil e ficou famoso por publicar reportagem difamando o ex-presidente Lula, sugerindo ser um bêbado. A carta, registrada, foi entregue. Ele guarda até hoje o recibo. Michael passou duas semanas ao lado do telefone, esperando que os jornalistas o procurassem em busca de mais informações. Nada. Na terceira semana, finalmente, o telefone tocou. Era o Departamento de Segurança Interna da DEA, avisando que ele estava sendo investigado. Daí em diante, Michael se calou, completou os anos de trabalho que faltavam cumprindo tarefas burocráticas e preparando os livros que desnudam a hipocrisia da retórica moralista do governo norte-americano em torno do combate às drogas. Nos anos em que trabalhou como agente da DEA, Michael Levine gravou conversas, registrou eventos e garante que não escreveu nada de memória. “Não precisei inventar nenhum diálogo”. Nesta entrevista ao Viomundo, ele relembra alguns dos casos que acompanhou de perto. Elogia Mao Tse-Tung e se diz entusiasmado com o nascimento de uma nova imprensa, na internet. Viomundo – Depois de 25 anos de trabalho na DEA, por que decidiu escrever livros sobre a organização e sobre o trabalho da CIA? Levine — Quando alguém está jantando às suas custas, você tem que ao menos tomar o café da manhã dele. Ou seja, quando alguém te fere, te prejudica você tem de ferí-lo a qualquer custo. Eu tinha que revidar contra a CIA e contra os burocratas dos EUA para os quais a guerra contra as drogas era apenas uma ferramenta, um instrumento. Eu estava basicamente furioso. Viomundo — Eles atrapalharam sua vida pessoal um bocado, sem falar o que estavam causando ao país… Levine — Eles mentem para o mundo. Agentes e policiais com os quais trabalhei deram a vida acreditando no que esses burocratas e políticos nos disseram — e era uma mentira. A guerra contra as drogas nunca foi travada honestamente. Sempre foi um instrumento para outras coisas. Por isso o Evo Morales usou uma cópia do “The Big White Lie”, levantou o livro há coisa de um ano e disse: “É por isso que estou expulsando a DEA do meu país”. Evo Morales com a tradução do livro de Michael Levine Viomundo — O que aconteceu com você depois que publicou o livro? Sofreu retaliações? Levine — Fui ameaçado. Eu escrevi dois livros, “Deep Cover” e “The Big White Lie”, sobre casos de infiltração, quando você vai para outros países, assume outra identidade e corre riscos reais. Pode acreditar, eu tinha medo o tempo todo. Mas gravei tudo. Todos os diálogos que você vai encontrar nos dois livros vêm de gravações. Não tive que inventar. Eu estava equipado o tempo todo. O “Deep Cover” foi publicado primeiro e se tornou um best-seller na lista do New York Times. Eu fui a um importante programa de TV em NY, o Donahue Show, e quando estava no bastidor, na chamada Sala Verde, esperando para ir ao ar, recebi um telefonema do quartel general da DEA. Não sabia nem como eles tinham descoberto que eu ia aparecer no programa porque tudo foi mantido em segredo até o último minuto. Mas eles sabem… E um dos chefões me disse: “Enquanto estou conversando com você Mike, dez advogados estão debruçados sobre o seu livro, analisando página por página, para ver se podemos indiciar você por algum crime”. Eu disse: se você está tentando me assustar, já conseguiu. Muito mais do que imagina. Mas agora não vou voltar atrás. Foi então que ele disse as palavras “lembre-se do sanduíche de pasta de amendoim com geleia”. Ele estava falando do Sante Bario, um agente que trabalhou comigo. Ele estava no México quando eu era o encarregado da Argentina, sediado em Buenos Aires. De uma hora para outra, Sante Bario foi preso pelo departamento de assuntos internos da DEA for tráfico de drogas com base no depoimento de um informante. Ele ficou preso em uma pequena cadeia do México, na fronteira dos EUA. Ele estava preso há duas ou três semanas dizendo que tinha sido vítima de uma armadilha, que a acusação era uma mentira, quando deram a ele um sanduíche de pasta de amendoim com geleia. Ele comeu e caiu no chão com convulsões. Entrou em coma. O primeiro exame de sangue indicou a presença de estricnina. Ele morreu um mês depois. A autópsia concluiu que ele morreu porque engasgou com o sanduíche. Isso é fato. Você encontra essa reportagem na revista Time com o título “O estranho caso de Sante Bario”. Sante Bario se tornou uma ameaça para todos os agentes do DEA. Se você sair da linha pode terminar com um sanduíche de pasta de amendoim com geleia. E ali estava eu, logo após publicar o livro “Deep Cover”, com um dos chefões do DEA me lembrando do sanduíche. Então a longa resposta à sua pergunta é: sim, eles me ameaçaram… Viomundo — Ao mesmo tempo em que foi ameaçado, você teve apoio de pessoas com as quais trabalhou na DEA? Levine — Algum apoio… Gradualmente, com o tempo, vários vieram me dizer que eu tinha razão, que estava certo. Recebi e-mails deles, esse tipo de coisa. Pouco depois de escrever “Deep Cover”, meu filho era policial em NY e foi morto em uma troca de tiros na rua. A direção da DEA em NY disse a todos os agentes que não fossem ao enterro do meu filho. Para você ver como estavam furiosos comigo. Mas alguns desobedeceram a ordem e foram ao enterro. Mas sempre tive apoio. . O chefão da DEA olhou bem para a câmera do programa 60 Minutos, o mesmo programa no qual eu apareci, e disse: “Não existe outra forma de dizer isso. A CIA funciona como um bando de traficantes”. Não tem prova melhor do que essa. Mas foram necessários vários anos para ele vir a público dizer o que eu já havia dito nos meus dois livros. Acho que você pode dizer que os cabeças da DEA eventualmente concordaram com tudo que eu disse em meus dois livros. Garcia Meza, “produto” da CIA na Bolívia Viomundo — Você disse que a guerra contra as drogas era na verdade uma ferramenta para outros objetivos nas mãos dos políticos. Que objetivos? Levine — Eu volto no tempo até a Guerra do Vietnã. Sou velho assim… Fui para o Sudeste Asiático com outra identidade e consegui atingir, ou seduzir, o maior traficante de heroína da região. Isso foi no começo dos anos 70 e eles me convidaram para o Golden Triangle, área onde eles tinham uma fábrica. Provavelmente a maior fábrica de produção de heroína do mundo. Antes da visita, o serviço de inteligência veio me dizer que eu não ia. Anos depois eu fiquei sabendo o motivo. Essas pessoas no sudeste asiático eram nossos aliados no Vietnã e a única maneira de dar apoio a eles era vendendo heroína para o resto do mundo. A CIA tinha que protegê-los para que pudessem ser nossos aliados no Vietnã. É uma escolha política. O contribuinte americano não queria mais pagar por aquela guerra. Muitos anos depois, quando eu estava em Buenos Aires, me infiltrei na organização do Roberto Suarez [na Bolívia] e cheguei a um ponto em que poderia, literalmente, acabar com a organização. A máfia de Santa Cruz. Eles eram responsáveis pela maior parte da cocaína do mundo. Novamente, como escrevi no livro “Big White Lie” e vou continuar a escrever sobre isso. A CIA veio e ajudou Klaus Barbie [o nazista que recrutou mercenários na Bolívia para ajudar a colocar no poder o general Luis Garcia Mesa, quando a esquerda venceu as eleições com Siles Zuazo] e os direitistas a derrubarem o governo da Bolívia que ajudou a DEA nessa operação. Então, basicamente, a CIA traiu o povo da Bolívia e não a DEA, como o Evo Morales disse. A CIA decidiu ajudar os traficantes de cocaína porque não eram de esquerda, não eram comunistas. Eles não queriam o risco de ver aBolívia se tornar esquerdista. Então, pegaram os traficantes e deram a eles o controle – foi o infame golpe da coca, a primeira vez na história que traficantes de droga tomaram conta de um país. E nessa época eles tinham um programa chamado Operação Condor. Fiz muitos trabalhos no Brasil também nessa época e a Operação Condor era um acordo entre os países do Cone Sul. Minha investigação bateu bem nessa operação. Eles estavam matando as pessoas que eu estava investigando por causa da alegação de que tinham tendências esquerdistas. Era um jogo muito, muito sujo. Aí você chega a uma operação que eu descrevi no “Deep Cover”. Eu fazia parte de uma equipe infiltrada na operação chamada Trisecta, em três países. Eu fechei um negócio com uma organização chamada La Corporacion, da Bolívia, que no fim dos anos 80 controlava toda a cocaína. Arrumei o envio de 15 toneladas de cocaína através do México. Fiz um negócio, gravado em vídeo, com o exército mexicano, para proteger a droga e deixá-la entrar nos EUA. . Foi feito com a aprovação do presidente do México que ía ser empossado, Carlos Salinas de Gortari. Gravado em vídeo! Imagine isso. Estamos falando do envio de 15 toneladas de cocaína! Em uma casa luxuosa, de frente para o Pacífico. Temos mapas espalhados sobre a mesa. Estou conversando com o Coronel Jaime Carranza, neto do homem que escreveu a Constituição mexicana, e ele aponta para o mapa, mostra o local onde vamos pousar o avião com a primeira tonelada de cocaína e diz: é aqui que estamos treinando os Contras para a CIA. Esse vídeo foi enviado, naquela mesma noite, para o secretário da Justiça dos Estados Unidos, em Washington e ele, imediatamente, revelou nossa identidade porque telefonou para o ministro da Justiça do México para contar toda a nossa operação. Botei tudo isso no livro. Viomundo — O milagre é você ainda estar vivo para contar essa história… Levine — Muitas vezes eu acordo e apenas toco na minha mulher, que amo muito, e digo: Deus, que milagre ainda estar aqui! Quase tenho vontade de chorar. Simplesmente contrariei todas as probabilidades muitas vezes. Mas estou aqui, falando com você. Viomundo — Você também escreveu sobre a conexão entre a CIA e a epidemia de crack nos EUA. Levine — Mais uma vez… está tudo no You Tube. Eu era um agente infiltrado e estava trabalhando com a Sonia Atala. Eu era bem jovem, e me puseram com a mulher que o Pablo Escobar chamou de Rainha da Coroa de Neve. A rainha da cocaína. Mas me puseram com ela porque ela se tornou informante da DEA. E eu tinha que me passar por amante dela. Estávamos viajando juntos e ela começou a me contar sobre algo que havia Bolívia. Uma cocaína que se podia fumar e que era violentamente viciante. Isso foi em 1983. Meu primeiro pensamento foi: isso vai direto pros EUA. E com certeza, um ano depois era o crack nos EUA. Mas a história que não foi contada é que quem protegeu essa organização, esse envio da droga, e impediu que essa organização fosse desmantelada foi a CIA. Novamente. Esse era o papel deles. Não estavam nem aí se era crack, heroína, cocaína, o que fosse. É o imposto Junky [um dos nomes que se dá a viciados em drogas nos Estados Unidos]. O Congresso não vai pagar pela operação, então a CIA os ajuda a vender drogas para os EUA e para o mundo. Dá apoio à operação. É uma escolha muito simples. Eu fiquei furioso. Perdi um dos meus filhos. Ele foi assassinado por um viciado em crack em uma troca de tiros quando ele tentou impedir um assalto. E aqui temos uma agencia do governo americano, financiada pelos impostos que eu estou pagando, e todo mundo está pagando, e eles estão dando apoio a traficantes de drogas responsáveis pela morte de milhares, se não de milhões de pessoas. Viomundo – Como explica o que está acontecendo agora no México com essa guerra contra as drogas que já matou mais de 50 mil pessoas? Guerra que está se espalhando para toda a América Central? Levine — Enquanto os norte-americanos continuarem comprando drogas, enquanto houver um mercado gigantesco para as drogas, o dinheiro continua chegando ao México e é esse dinheiro que provoca essa guerra. A equação é muito simples. Eu escrevi um livro chamado “Fight back”que o Presidente Clinton recomendou que fosse lido por quem trabalha com comunidades com problemas de drogas. Recomendou e deixou em cima da mesa. Não fez nada. Ele fala como comunidades e bairros podem se livrar das drogas sem esperar pelo governo federal, pela polícia, sem usar balas e armas. É questão de atacar o mercado. Esqueça isso de ir atrás dos traficantes. Isso não funciona. Acho que foi o prefeito de Medellín, na Colômbia, disse, há uns 20 anos, se você matar cada líder de cartel, existem outros cem na fila esperando para pegar o lugar de cada um deles. Ainda estamos gastando milhões para ir atrás da estrela individual do momento. E hoje em dia eles têm esses nomes: Dr. Morte, Evil. A imprensa tem essa competição para ver quem consegue revelar o pior barão das drogas. É um jogo de tolos. Não é assim que se ganha o jogo. Você pega uma comunidade que quer se livrar das drogas. Eles vão atrás dos usuários da comunidade. Não precisa nem de prendê-los. Basta seguí-los com câmeras. Colocar alguém na esquina com um alto-falante. Isso funciona. São técnicas que funcionam. E o resultado é que os traficantes perdem o mercado. Viomundo — Então você acredita que é possível acabar com o problema da droga? Levine — Sim! Leia o “Fight back”. Funcionou para a China, funcionou para o Japão em uma determinada época. A China usou um método semelhante. Quando Mao Tse-Tung tomou o país, havia 70 milhões de viciados em heroína e ópio. Em três anos não havia mais nenhum. As pessoas dizem que ele executou todo mundo. Isso não é verdade. Houve 27 execuções nesse período. Se você comparar isso com os 60 mil mortos no México… O que realmente funciona é transferir responsabilidade para a comunidade. A comunidade é que é responsável por seus viciados e cria reabilitação e tratamento obrigatórios. É muito humano! Salva a vida dos usuários e salva a comunidade. No livro “Fight Back” eu detalho o que poderiam fazer se quisessem. Escritórios da DEA no mundo Viomundo – Você está trabalhando, escrevendo mais um livro? Levine — Eu e minha mulher estamos trabalhando em um próximo livro. Já temos o primeiro rascunho pronto. Mas quero escrever um livro sobre o Roberto Suarez. Ele talvez tenha sido o maior e menos conhecido traficante de drogas da história. Era da Bolívia. Viomundo — Você também mencionou o papel da mídia. Contou o que aconteceu quando mandou a carta para Rother e Strasser da Newsweek. Esse Rother é o Larry Rother que depois se tornou correspondente do New York Times no Brasil e chamou o presidente Lula de bêbado? Levine — Esse mesmo. A única coisa que posso dizer com certeza é que ele recebeu a carta porque mandei certificada. Recebi o comprovante de volta. A carta foi entregue na revista. Ele pode dizer que não leu. Mas recebeu. Foi a história da Bolívia. Mandei a carta de Buenos Aires, onde era attaché. Mandei em papel timbrado da embaixada. Me arrisquei um bocado ao fazer isso. O resto é história… Viomundo — Em sua opinião, o que acontece com a imprensa norte-americana, eles só checam as informações com representantes do governo? São obedientes? Levine — Sabe, já participei de vários programas sobre isso. Eles são, basicamente, putas. Se vendem por acesso. Se prostituem por acesso. Querem acesso ao porta-voz da CIA e para conseguir isso não podem escrever nada mais crítico sobre a CIA. Caso contrário, o acesso é negado. Quer acesso à DEA? Quer saber o que estão fazendo? Quer escrever sua materinha incrementada sobre tráfico de drogas? Melhor não escrever nada muito crítico. Eu escrevi um artigo sobre a mídia. Ganhou todo tipo de prêmio. Meu artigo se chama “Mainstream media, the drug war shills”. Ele faz parte do livro “Into the Buzzsaw”, de Kristina Borjesson. O livro foi muito elogiado pelas pessoas que estudam a mídia. Acho que mostra muito bem como a mídia continua vendendo uma guerra contra as drogas que mata milhões de pessoas, é totalmente sem propósito e não resolve nada. Viomundo — Como o Plano Colômbia que investiu milhões de dólares no país e no fim, a produção de cocaína dobrou… Levine — O Plano Colômbia, a Operação Snow Cap… Meu Deus! O Plano Colômbia foi um desdobramento da Operação Snow Cap. Ação contra as drogas tem objetivos políticos, diz autor Viomundo — O que foi a Snow Cap? Levine — Eram as operações paramilitares na Bolívia e no Peru. Militares e agentes do DEA indo atrás dos traficantes na Bolívia e no Peru. O Plano Colômbia foi apenas um desdobramento. Eu conheci basicamente as pessoas mais graduadas do tráfico de cocaína do mundo nos anos 80. Eles achavam que eu era um mafioso meio siciliano, meio portorriquenho, e estavam me vendendo 50 toneladas de cocaína. Eu disse a eles que tinha muito medo de ir para a Bolívia por causa da Operação Snow Cap. Com todas as tropas, com os militares ali, como vou fazer um negócio desses na Bolívia com todos os militares norte-americanos lá? Meu interlocutor riu! Riu e disse: eles não fazem nada. Andam pra cima e pra baixo. Sabemos o que vão fazer antes deles fazerem. Te garanto que você estará perfeitamente seguro Luis. Esse era meu nome. Ele me chamava de Luis. Repeti essa conversa para os responsáveis pela operação Snow Cap no QG da DEA e eles disseram o seguinte: “Nós sabemos que não funciona, mas já vendemos ao longo do Potomac” [rio Potomac, nas margens do qual fica o poder em Washington], o que significa dizer que a ideia já foi vendida para o Congresso, então é o futuro da DEA que está na corda bamba. Esquece a guerra contra as drogas. O Plano Colômbia é a mesma coisa. É política. Viomundo — Eles vendem os planos, pegam o dinheiro e precisam fazer de conta que estão fazendo algo… Levine — Exato. É sempre a mesma coisa. Tem que mostrar estatísticas para provar que os bilhões que você está gastando estão sendo bem gastos. Viomundo — Você acredita que todos os presidentes que passaram pela Casa Branca nas últimas décadas sabem de tudo isso? Levine — Eles sabem exatamente. Sabem que o que eu estou te dizendo é fato. Eles também sabem que se virarem e disserem isso ao público durante uma campanha presidencial serão derrubados da Casa Branca. Por que? A grande mídia — os cachorrinhos da grande burocracia formada pela CIA, DEA, etc. – vai perseguir este político. Viomundo — Como explica então que seus livros tenham sido tão bem recebidos e que você tenha sido convidado para tantos programas de televisão? Levine — Porque na mídia existem grandes indivíduos que se destacam. Mas a percentagem de jornalistas de verdade é cada vez menor, desde Woodward e Bernstein [os jornalistas do Washington Post que revelaram o escândalo Watergate]. Não se pode comparar a mídia de hoje com a daquela época. Mas você pode dizer que o motivo pelo qual ainda estou fazendo isso tudo é porque continuo procurando pelos Woodwards e Bernsteins. Viomundo — Você consegue conversar melhor com os jornalistas que migraram para a internet? Levine — A internet está crescendo rapidamente e faz com que eu me sinta realmente muito bem porque está se tornando um grande desafio para essa “mídia de tribunal” que se proclama jornalismo. Basicamente, são estenógrafos. É maravilhoso, para mim, ver esse crescimento da internet. Viomundo — Você acha que o seu trabalho, seus livros e artigos, tiveram algum impacto, produziram alguma mudança? Levine — Acho que talvez faça alguma diferença. Provavelmente depois que eu tiver morrido. Eu não sei. A gente nunca sabe. E por isso é que continua fazendo. Alguém como eu… eu cresci tendo que lutar por tudo que conquistei. Sou inclinado a isso, a brigar, não importa a consequência. E morrer brigando. É o que pretendo fazer. Viomundo — Então nos conte um pouco dessa infância… Levine — Cresci no South Bronx (em Nova York), em um bairro péssimo. Meu irmão se viciou em heroína aos 15 anos. Nosso pai nos abandonou quando nós éramos muito, muito pequenos. Praticamente, cresci nas ruas do Bronx. Me alistei no exército para acertar a minha vida. E realmente funcionou. Me tornei lutador de boxe, peso pesado, fiz artes marciais, o que foi outra influência importante, que ajudou a manter o equilíbrio na minha vida. Aos 19 anos, no exército, eu me meti em uma briga com outro militar por causa de um chapéu de 3 dólares. Ele explodiu, sacou a arma, encostou na minha barriga e puxou o gatilho. A arma falhou. Talvez tenha sido a melhor coisa que já me aconteceu porque aprendi a sabedoria de um antigo ditado árabe que diz que qualquer momento é o momento certo para morrer. Levei isso comigo para sempre. Agora, não perco mais tempo. Vivo cada momento até o limite, curto e saboreio. Logo depois disso decidi usufruir de tudo que a vida poderia me oferecer antes que eu morresse o que poderia acontecer a qualquer momento. E não havia melhor maneira para um menino pobre do Bronx viver toda essa adrenalina e excitação do que como um agente secreto infiltrado. Foi o que me propus a fazer e fiz. De resto… Fonte: http://www.viomundo.com.br/denuncias/com-medo-de-morrer-michael-levine-dispara-cia-deu-protecao-aos-grandes-traficantes-de-drogas-do-mundo.html
  8. Com medo de morrer, Michael Levine dispara: “CIA deu proteção aos grandes traficantes de drogas do mundo” http://www.viomundo.com.br/denuncias/com-medo-de-morrer-michael-levine-dispara-cia-deu-protecao-aos-grandes-traficantes-de-drogas-do-mundo.html

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    2. loucaço

      loucaço

      Nada é o que parece ser.

    3. Jardineiroc

      Jardineiroc

      Criei um tópico com essa entrevista. É boa ela, legal deixar gravado no forum

    4. Capitão Boeing

      Capitão Boeing

      Nenhuma novidade mas tenho que parabenizar! Excelente entrevista, esse kra tem culhão viu! tyvm!

  9. Oposição uruguaia quer convocar referendo contra lei da maconha http://oglobo.globo.com/mundo/oposicao-uruguaia-quer-convocar-referendo-contra-lei-da-maconha-9315959

    1. Ho75uns

      Ho75uns

      Chora chora reaçinha.

    2. planta

      planta

      Foda... se tiver referendo a lei cai. Parece que a aprovação popular é baixa, pois, segundo o Mujica, a população é velha e conservadora... 26% de aprovação apenas.