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  1. Ele País faz uma leitura de como anda a legalização e abastecimento das farmácias uruguaias de distribuição de cannabis. Com certeza é uma realidade que está a anos luz na frete a situação brasileira, mas também está a anos luz de uma realidade californiana ou a canadense em julho... Se é pra abrir o mercado e tirar o fluxo de vendas dos traficantes, que se faça direito. Demanda de maconha legal no Uruguai é maior do que a oferta Demanda de maconha legal no Uruguai é maior do que a oferta Aumenta o apoio social à lei, de acordo com nova pesquisa, mas os problemas de fornecimento limitam os efeitos da legalização sobre o mercado clandestino Em menos de nove meses, o número de inscritos para ter acesso à maconhavendida nas farmácias do Uruguai disparou, causando escassez, filas de espera e um desafio logístico às autoridades do país que controlam, em um caso único no mundo, a produção, venda e distribuição da cannabis. Outra tendência detectada em período de tempo tão curto, entretanto, foi a paulatina aceitação por parte da população do consumo regulamentado que inicialmente gerou altos índices de desconfiança. Um em cada cem uruguaios já faz parte do universo de pessoas registradas para ter acesso a alguma das três formas legais de consumo: como plantadores, membros de um clube canábico e compradores na farmácia. Mas sem dúvida a mudança mais espetacular ocorre no último caso, as farmácias, onde já se superou o número de 23.000 autorizados a adquirir os pacotes de até cinco gramas e duas variedades da droga. E o sistema está entrando em colapso, já que a produção não acompanha o ritmo da demanda. A farmácia Camaño de Montevidéu precisou implementar um sistema de senhas que são distribuídas duas vezes por dia, às nove da manhã e às quatro da tarde. A partir daí são formadas grandes filas que chegam a quatro quarteirões e todas as reservas se esgotam. Em 2012, quando o processo se iniciou, até 70% da população se declarava contrária à lei Lino, o dono da farmácia, gostaria de atender mais gente, mas não recebe mercadoria suficiente, de modo que todos os dias precisa se justificar à clientela. Quando o processo de legalização se iniciou no Uruguai, uma das grandes preocupações era a insegurança, especialmente o temor de assaltos e represálias dos traficantes. Mas a realidade é que Lino só teve problemas com as benditas filas de pessoas: alguém que fura, brigas... Atualmente, 44% é a favor e 41% contra, de acordo com a pesquisa do Monitor Cannabis A facilidade com que o público se adaptou à novidade também quebrou os esquemas: “Ficamos espantados, temos aqui todos os dias pessoas de todos os tipos. Os jovens, mas também idosos, alguns compram para evitar que seus filhos tenham de ir às bocas de fumo. Tenho um senhor com esclerose múltipla que usa a maconha para aliviar as dores, outro que compra para fabricar óleo e outro que faz brownies”, diz Lino. A desconfiança diminui O Uruguai é o único país do mundo em que os jornais televisivos anunciam o aumento do preço da maconha da mesma forma que anunciam o do leite e do pão, em um ambiente de normalidade total. Não são registrados assaltos e casos de violência por conta da legalização, pelo menos até agora. Talvez por isso, um estudo acaba de revelar que a desconfiança dos uruguaios está diminuindo: em 2012, quando o processo se iniciou, até 70% da população se declarava contrária à lei. Atualmente, 44% é a favor e 41% contra, de acordo com a pesquisa do Monitor Cannabis (centro de estudos da Universidade de Ciências Sociais), as universidades Católica, ORT (do Uruguai) e da Califórnia e a empresa Factum. Consumidores de maconha fazem fila para comprar em uma farmácia em Montevidéu em 19 de julho de 2017 MIGUEL ROJO AFP/GETTY IMAGES Outro dos fatores que explicam a normalidade do processo uruguaio é o fato de que os estrangeiros não residentes não podem comprar maconha legal. Dessa forma, se evita o turismo canábico e experiências como a da Holanda, em que o consumo ficou relacionado à prostituição e aos sex shops. Não há uma área do vício em Montevidéu, o consumo e a produção se distribuem por todos os bairros, onde proliferam os grow shops para vender insumos aos plantadores registrados. O Uruguai também não se transformou em um país de zumbis, cheio de drogados. O THC, a principal substância psicoativa da cannabis, é controlado. Nos pacotes das farmácias não supera 9%. Os usuários acostumados a fumar e inalar consideram que, com esses níveis, essa maconha “não dá barato”. O certo é que a artesanal, produzida pelos plantadores regulamentados, chega a 20% de THC, mas a das farmácias é, de longe, a mais vendida. Sebastián Aguiar, coordenador do Monitor Cannabis e doutor em sociologia, afirma que, com a demanda atual, o Uruguai pode ter tomado 50% da demanda de cannabis do mercado clandestino. Mas, de acordo com seus cálculos, somente 20% dos registrados conseguem se abastecer regularmente. “Os principais problemas estão em primeiro lugar na quantidade de produção permitida às empresas, limitada a quatro toneladas por ano no total, o que permitiria abastecer 8.333 pessoas registradas. De qualquer forma, esse máximo também não foi alcançado pela baixíssima quantidade fornecida efetivamente. A produção efetiva das empresas licitadas, por volta de meia tonelada, é suficiente unicamente para 2.500 pessoas por mês”, diz Aguiar. 2.500 pessoas por mês”, diz Aguiar. Além disso, somente 12 farmácias (cinco delas em Montevidéu) vendem o produto, o que causa problemas para cobrir o território nacional e reduz novamente o número dos que têm acesso ao produto. “Vendo tantas filas, as pessoas pensam que estamos ganhando muito dinheiro, nos chamam de Cartel de Cali e coisas do tipo. Mas a verdade é que não temos muito lucro, justamente porque o fornecimento não é suficiente”, diz Lino, da farmácia Camaño de Montevidéu. O restante do mercado fica na mão dos traficantes, como mostram os números de apreensões da polícia, que em 2017 se mantiveram em níveis semelhantes aos de anos anteriores. Ainda que o pacote de cinco gramas de maconha legal seja barato (200 pesos, aproximadamente 24 reais), no mercado clandestino o preço da maconha prensada paraguaia, o principal produto ilegal que chega ao Uruguai, pode ser até três vezes menor. “O Governo precisará abordar seriamente o problema do fornecimento se quiser que a legalização funcione”, afirma Aguiar. Uma das grandes ambições da experiência uruguaia é tirar dos traficantes o controle do consumo de drogas.
  2. Materia da revista FORBES: Trump faz acordo com senador do Colorado, prometendo que o governo federal não vai se meter nas regulações de produção, venda e consumo de cannabis no estado do Colorado. Contrariando a sua política anti cannabis, ele acaba de reverter o quadro de novo e abre caminho para que os estados continuem suas regulamentações Boehner And Trump And Cannabis, Oh My! Big Changes Coming To Legal Marijuana epreneurs #RegulationAPR 13, 2018 @ 06:21 PM43,743 Boehner And Trump And Cannabis, Oh My! Big Changes Coming To Legal Marijuana Julie Weed , CONTRIBUTOR I cover the legal marijuana industry and its entrepreneurs Greg James Pickens Mountain Marijuana Farm President Trump has confirmed a deal with Colorado Senator Cory Gardner to let Colorado make its own cannabis legalization decisions in exchange for the Senator not holding up Department of Justice nominations. John Boehner joined the advisory board of a marijuana company, despite being anti-legalization when he was Speaker of the House in Congress. Pennsylvania recently said it will allow university hospitals to participate in clinical trials of cannabis. Marijuana industry entrepreneurs are hoping they are on the cusp of a significant national transformation. These are “major breakthroughs” said Acreage Holdings chief executive Kevin Murphy. Acreage is the company Boehner joined, and it has ownership of marijuana growing, processing and retail facilities in eleven states. Trump’s agreement to let Colorado, and presumably other states, decide on their own cannabis laws, goes directly against the actions of his attorney General Jeff Sessions. Sessions had rescinded the Cole memorandum which protected cannabis companies operating legally under their own state regulations from federal prosecution. Previously, on the campaign trail, Trump had said he supported states' rights to create their own cannabis laws, and that he was in favor of medical marijuana legalization, but had not taken any actions in these areas. Instead, he had appointed an attorney general who was moving in the opposite direction. Andy Williams, founder of Medicine Man Technologies a consulting company in the cannabis industry said, "The next step from here should be making law out of the Cole memo, so it’s legislation instead of a referendum." He said this could also help address the significant lack of banking available to the multi-billion dollar industry, and the fact that business expenses, like equipment purchases, cannot be deducted by cannabis businesses. Traduzido do Google Tradutor: O presidente Trump confirmou um acordo com o senador Cory Gardner, do Colorado, para permitir que o Colorado tome suas próprias decisões sobre a legalização da maconha, em troca de que o senador não sustente as indicações do Departamento de Justiça. John Boehner se juntou ao conselho consultivo de uma empresa de maconha, apesar de ter sido anti-legalização quando foi presidente da Câmara no Congresso. A Pensilvânia disse recentemente que permitirá que hospitais universitários participem de testes clínicos de cannabis. Os empresários da indústria de maconha esperam que eles estejam à beira de uma transformação nacional significativa. Estes são "grandes avanços", disse o executivo-chefe da Acreage Holdings, Kevin Murphy. A Acreage é a empresa na qual a Boehner ingressou e possui propriedades de cultivo, processamento e varejo de maconha em onze estados. O acordo de Trump para permitir que o Colorado, e presumivelmente outros estados, decidam sobre suas próprias leis sobre a maconha, vai diretamente contra as ações de seu advogado, o general Jeff Sessions. As sessões haviam rescindido o memorando do Cole que protegia as empresas de maconha que operavam legalmente sob seus próprios regulamentos estaduais de processos federais. Anteriormente, na campanha eleitoral, Trump disse que apoiava os direitos dos estados de criar suas próprias leis sobre a maconha, e que ele era a favor da legalização da maconha medicinal, mas não havia tomado nenhuma ação nessas áreas. Em vez disso, ele havia nomeado um procurador-geral que estava se movendo na direção oposta. Andy Williams, fundador da Medicine Man Technologies, uma empresa de consultoria na indústria da cannabis, disse: "O próximo passo daqui deve ser fazer lei do memorando do Cole, então é a legislação em vez de um referendo". Ele disse que isso também poderia ajudar a resolver a falta significativa de serviços bancários disponíveis para a indústria multi-bilionária, e o fato de que as despesas de negócios, como compras de equipamentos, não podem ser deduzidas pelos negócios de cannabis.
  3. Aqui onde moro o prensado fica em torno de uns 3/g. Já um "skunk" (qualquer coisa que não foi prensada) varia de 30 a 60 pila o grama. Agora se tiver pedigree (strain com nome)... Chega nos 120 fácil! Acredito que se fosse devidamente tributado, não chegaria nem nos 20 reais.
  4. Tem muita$ pessoa$ mudando a$ $ua$ opiniõe$ a cerca da legalização...
  5. Republicano, que já foi presidente da Câmara nos EUA Ex-presidente da Câmara dos EUA se une a empresa de cultivo de maconha Ex-presidente da Câmara dos EUA se une a empresa de cultivo de maconha Republicano John Boehner, que já foi contra legalização da droga, renunciou à presidência da Câmara em 2015. Ele assumiu cargo de porta-voz da Acreage Holdings, que se dedica ao cultivo, processamento e distribuição de cannabis. Por Agencia EFE 11/04/2018 17h58 Atualizado há 3 horas O ex-presidente da Câmara dos EUA, John Boehner, durante entrevista coletiva em Washington, no dia 26 de fevereiro de 2015 (Foto: AP Photo/J. Scott Applewhite) O ex-presidente da Câmara dos Estados Unidos John Boehner se integrou à direção de uma empresa de cultivo e processamento de maconha, informou nesta quarta-feira (11) na sua conta do Twitter. Boehner, republicano e que foi presidente da Câmara entre 2011 e 2015, tinha afirmado previamente que se opunha à legalização desta droga, mas agora participará como porta-voz de uma companhia que se dedica ao cultivo, processamento e distribuição de cannabis, chamada Acreage Holdings, com sede em Nova York. "Entro na direção da Acreage Holdings porque meu pensamento sobre a cannabis evoluiu. Estou convencido de que é necessário descriminalizar a droga para poder pesquisá-la, ajudar nossos veteranos e reverter a epidemia de opiáceos que devasta nossa comunidade", disse em seu perfil do Twitter. A companhia, segundo recolheram veículos de imprensa americanos, atua em 11 estados do país, entre eles a Califórnia e Oregon, e goza de 35 licenças neles. "Nos últimos 10 ou 15 anos, a população americana mudou sua atitude (para a maconha) drasticamente, e me encontro nessa mesma posição", disse Boehner em entrevista a Bloomberg. Boehner, de 68 anos, entrou na Câmara Baixa pela primeira vez em 1990 e permaneceu como presidente da mesma até 2015, quando renunciou. O anúncio foi feito em um momento no qual múltiplos estados oficializaram a descriminalização da maconha e sua regulação, em maior ou menor medida, e no qual o procurador-geral, Jeff Sessions, recomendou fazer cumprir com a legislação federal que estabelece que o uso de maconha, recreativo ou medicinal, é ilegal.
  6. Off topic (mas nem tanto): Quando Nixon carregou maconha para Louie Armstrong Em 1959, o futuro criador da Guerra às Drogas, sem saber, atravessou a alfândega com 1,3 quilo da erva para Satchmo 08:48 PM Nixon e Armstrong se encontraram em 1958, no Aeroporto Internacional John F. Kennedy Foto:U.S. Library of Congress Nos anos 1950, o Departamento de Estado dos Estados Unidos começou a promover artistas e atletas afro-americanos a Embaixadores da Boa Vontade. Eles viajavam o mundo para representar os valores da liberdade criativa americana e contra a repressão soviética. E mostrar que os EUA eram um país tão horrível com os negros tanto quanto pregava a propaganda soviética (e até da Alemanha Nazista). Um desses embaixadores era Louis Armstrong, uma das figuras mais influentes do jazz, com sua voz rouca e seu trompete, e um dos primeiros artistas negros a fazer sucesso entre audiências brancas. Foi como representante do Estado que Armstrong partiu em uma turnê pela Europa e Ásia. Armstrong foi um dos primeiros artistas negros a fazer sucesso entre os brancosWikimedia Commons Ao voltar aos Estados Unidos, depois dos primeiros shows, foi dispensado da fiscalização da alfândega – um diplomata não precisaria passar por esse constrangimento. Mas, em 1958, assim que pousou no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, voltando de outro show, Armstrong foi conduzido à alfândega. Os agentes haviam sido alertados sobre a chegada de produtos contrabandeados, e decidiram que nenhum passageiro ficaria de fora dessa fiscalização. Armstrong, então, entrou em uma longa fila de viajantes. Mas havia um problema: ele carregava em suas malas cerca de 1,3 quilo de maconha. Satchmo era um fumante habitual, que não tinha vergonha de falar abertamente no assunto. Como um tesouro nacional, ele tinha certa imunidade. Mas, naquele dia, estava diante da possibilidade bem concreta de ir parar na cadeia. E, sendo um real patriota, também de trazer vergonha ao seu país. Louie começou a suar frio. Foi então que apareceu seu salvador: Richard Nixon, então vice-presidente dos Estados Unidos, na chapa Dwight Einsenhower. O veep irrompeu no salão, seguido por uma multidão de repórteres e fotógrafos. Quando viu Armstrong na fila, Nixon foi até o artista e perguntou o que ele estava fazendo ali. “Bem, eu acabei de voltar do minha turnê como Embaixador da Boa Vontade na Ásia e me disseram que preciso esperar nesta fila”, respondeu. Sem pensar duas vezes, Nixon pegou as duas malas de Armstrong e falou: “Embaixadores não precisam ser fiscalizados pela alfândega. O vice-presidente dos Estados Unidos vai carregar as suas malas com prazer.” Foi assim que, sem saber, Nixon - que viria a ser o criador da Guerra às Drogas em seu mandato como presidente, em 1971 — serviu de mula para Louie Armstrong. Nixon em campanha para o Senado, em 1950 Wikimedia Commons O "Papai" (outro de seus apelidos) fumava desde os anos 1920, quando ajudou a popularizar a erva entre os músicos. Durante toda a sua carreira, acendia um antes de shows e gravações. Em 1930, Armstrong e o baterista Vic Berton foram presos por fumar maconha na entrada de uma boate em Culver City, Califórnia. Eles passaram a noite na delegacia e foram soltos sob fiança de 1.000 dólares cada. Quando um assistente de Nixon contou o que havia acontecido — ele ouviu tudo de um dos músicos que viajava com Armstrong —, o vice exclamou, chocado: “Louie fuma maconha?!”.
  7. Opa, mas por que uma data tão precisa? Antecipa as info aí pros brother hehe
  8. O caminho é esse mesmo. Vai a passos lentos, mas vai!
  9. Canadá já é certo. Agora USA eu tenho minhas dúvidas....
  10. Será que eles ainda legalizam a cannabis a nível federal?
  11. Secretário de Segurança da Bahia defende legalizar maconha para 'quebrar' o tráfico. Entrevista com o secretário de segurança da Bahia (que é policial por profissão) defende legalização da maconha.
  12. O momento estratégico está mais perto do que se imagina...
  13. Entrevista da Super Interessante com o juiz que autorizou a primeira importação de sementes de maconha para cultivo e uso medicinal caseiro. “O ideal é regular o cultivo de Cannabis para uso medicinal” Juiz federal Walter Nunes da Silva Júnior criticou demora da Anvisa em regular o cultivo da Cannabis para fins medicinais e de pesquisa. O juiz federal Walter Nunes da Silva Júnior conversou com a SUPER sobre o habeas corpus concedido a Márcia Maria Saldanha Pacheco, garantindo à paciente o direito de importar e cultivar sementes de maconha para tratar os sintomas do mal de Parkinson. O magistrado mostrou-se preocupado com a falta de regulamentação do cultivo de Cannabis para fins medicinais no país. Ele acredita que a falta de regulação da matéria não apenas impede o acesso de um número maior de pacientes ao tratamento como impede o desenvolvimento da pesquisa e da exploração econômica dos usos terapêuticos da planta. “Até os Estados Unidos, que iniciaram toda a guerra às drogas, estão autorizando o cultivo para fins medicinais. Por que o Brasil vai ficar de fora? É um prejuízo para nossa sociedade”, diz. Confira a entrevista: O que orientou sua decisão favorável à importação das sementes? A importação do princípio ativo da Cannabisfoi autorizada pela Anvisa, porém houve uma restrição para produtos industrializados. Além de não estar claro o porquê da restrição, a agência cria uma dificuldade de acesso ao tratamento, porque desse modo ele se torna bastante caro. O levantamento que fiz sobre as condições da Márcia [Saldanha Pacheco] daria pouco mais de R$ 1 mil por mês. Além disso, na lei de drogas, o parágrafo segundo diz que cabe à União disciplinar o cultivo plantio e extração de substâncias entorpecentes para fins medicinais. Quando a Anvisa foi disciplinar a autorização para a Cannanbis sativa ela mesma reconheceu suas propriedades terapêuticas. Se houvesse permissão de importação das sementes da planta, poderia haver o cultivo aqui, com controle, obviamente, como fazem diversos outros países. Isso também permitiria que universidades pudessem desenvolver estudos. Então, além de negar acesso a um número maior de pessoas, estamos prejudicando a pesquisa dessa cultura para fins medicinais. Isso é importante não só por causa da questão de saúde, mas também da exploração econômico-financeira dessa atividade. A medida vale apenas para essa paciente, certo? Sim. Temos uma situação delicada que é a judicialização da saúde. Procurar fazer política pública por meio de decisões judiciais. Todos vão ter que recorrer ao judiciário. Naturalmente, quem se encontra na mesma situação da Márcia vai ter que encontrar um juiz que conceda um HC semelhante. Não é o ideal. O ideal é regular o cultivo de Cannabis para uso medicinal para todas as pessoas de modo uniforme por meio da União. E por que acha que essa matéria ainda não foi regulada? Acredito que há uma preocupação quanto ao controle dessas plantas, porque poderia haver um desvio para outra finalidade. Esse receio não se justifica. Há uma omissão que está arranhando um direito fundamental e descumprindo uma missão do poder público. Especialmente porque não falamos nem de uso recreativo, mas medicinal. É um contrassenso. Ao mesmo tempo a Anvisa diz que tem que incentivar a pesquisa e ela impede a pesquisa. Acha que seguirão outros processos? Certamente que sim, mas acho que a regulamentação da matéria pelo judiciário não é o melhor caminho. Infelizmente, fica sendo o única solução possível e razoável e ao alcance de uma pessoa individualmente. Mas o ideal seria ser disciplinado de modo uniforme e que se garanta o mais importante: o acesso ao tratamento de saúde. O certo é que em razão de uma decisão dessas houvesse uma nova discussão no interior da própria Anvisa para, de uma vez por todas, fazer a disciplina a respeito do plantio tal como está em lei. O legislativo fez a parte dele. Esta faltando a União fazer a dela. A Anvisa não regulou a forma de adquirir o produto industrializado? Tem todo o procedimento, é extremamente burocrático. Eu vi lá, é um negócio que acho que sozinho não sei se conseguiria fazer. É preciso regular também a como que seria a importação da semente. É preciso uma regulação. Como essa falta de regulação afeta pacientes e pesquisadores? No caso concreto é a solução para melhorar a qualidade de vida da paciente, não vejo como deixar de atender um pleito dessa natureza. Mas dentro do universo, [essa decisão] é uma gota no oceano. Tem pesquisador comparando essas novas formas de tratamento ao descobrimento da penicilina e estamos ficando de fora desses estudos. Estamos ficando para trás nesse assunto. Até os Estados Unidos, que iniciaram toda a guerra às drogas, estão autorizando o cultivo para fins medicinais. E não estou nem falando da questão de que em alguns estado estão abrandando a lei até para o uso recreativo, mas para fins medicinais. E mais, estão avançando na exploração econômico-financeira dessa atividade. Por que o Brasil vai ficar de fora? Tem alguém que esta errado nessa história. É um prejuízo para nossa sociedade, de modo geral. Ainda mais sabendo que o Brasil é uma referência internacional no agronegócio. O país tem institutos com interesse de trabalhar com a Cannabis para atender a população que precisam de produtos feitos com a planta e a gente não tem a possibilidade de importar sementes sequer para estudos científicos. Não me parece que seja uma política adequada.