#QuemAmaPlanta: veja tutorial de cura e secagem

Tem gente que não sabe, mas a etapa final do seu cultivo deve ser feita com cuidado!

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Potes de vidro são excelentes para o processo de cura (Foto: iStock)

Cultivo

Se você é um cultivador, já deve ter se perguntado algumas vezes como deve conduzir o processo de cura e secagem de suas plantas, até porque tempo e recursos foram gastos durante meses e no finalzinho do cultivo, a peteca não pode cair. Todo o cuidado que se tem durante o período vegetativo e a floração é fundamental, mas a qualidade da sua flor também depende da cura e secagem dos buds.

Cura

A cura é primordial para que se garanta uma maconha de melhor sabor, com maior efeito e também menos agressiva para os pulmões. Existem teorias que dizem que com um processo adequado de cura, pode-se variar certos aspectos das características psicotrópicas do fumo.

Na etapa final do desenvolvimento da planta, ela aumenta a sua produção de resina. E é justamente na resina onde encontram-se – entre muitos outros componentes – os psicotrópicos cannabinóides. Os principais cannabinóides encontrados nesta etapa são:

  • Tetrahidrocanabinol (THC)
  • Ácido tetrahidrocanabinol (THCA)
  • Canabidiol (CDB)
  • Canabinol (CBN)

É importante destacar que os efeitos causados por esses canabinoides são aproximados, considerando que cada pessoa tem uma reação diferente. Se você quiser saber mais sobre eles, clique aqui

Secagem

Foto extraída do Growroom – Usuário: Alex Kidd

Na prática, esse processo é bem simples de entender: durante todo o cultivo, a planta é regada por inúmeras vezes, o que quer dizer que ao final do processo, é preciso desidratar as flores, a fim de permitir a carburação.

Mas mais do que isso, a secagem é responsável por transformar o THCA em THC. E aí você pode se perguntar por qual motivo isso é importante. O THCA só tem 10% do poder psicoativo do THC.

A secagem ideal é obtida da seguinte maneira:

  1.  Corte o caule da planta e a pendure de cabeça para baixo, sem cortar ar folhas. Fazendo isso, as folhas acabam cobrindo os buds delicadamente, os protegendo de qualquer manipulação externa. Lembre-se que os cristais e resinas são frágeis e por isso, quanto menos você mexer, melhor.
  2. Mantenha a sua planta no escuro, em um ambiente ventilado (mas sem ventanias) e seco… A temperatura ideal é entre 18º e 22º. É importante não deixar a temperatura passar os 30º, pois isso acelera muito a conversão de THC em CBN, e aí teremos um fumo muito chapante e pouco euforizante.
  3. A secagem é um processo lento, você não pode ter pressa. Caso esteja na seca, compre uma paranga, mas nunca acelere o processo. JAMAIS use fornos ou secadores de cabelo, porque isso faz com que você desperdice sua maconha
  4. Você pode constatar que o processo está em completo de duas maneiras: quando o peso de tudo chegar a 25% do inicial ou quando tentar engordar o galho… Se ele quebrar e dentro estiver seco, está na hora de encerrar a secagem.
  5.  Não deixe secar demais, pois um mínimo de umidade (cerca de 10% do peso em água). Essa umidade é necessária para o processo de cura. Mas não deixe úmido demais para não correr o risco de mofar.
  6.  Ao fim de todo o processo, manicure a planta, tirando folhas e galhos desnecessários.

Cura

Potes herméticos de vidro

Nesta etapa, a clorofila (que dá um gosto ruim a maconha e “pega na garganta”) e outros componentes precisam se decompor. A cura correta melhora muito o sabor e o aroma do fumo.

A decomposição da clorofila se dá em aproximadamente 60 dias, e a transformação de outros óleos essenciais que dão o aroma às flores, se dá em 90 dias. Assim, um processo completo de cura dura cerca de três meses. Mas não se preocupe, em 50 dias já dá para se obter um excelente fumo.

Lamentavelmente neste processo, parte do THC oxida, transformando-se em CBN. A maconha perde um pouco da sua psicoatividade eufórica, mas ganha muito em matéria de sabor. Durante a cura, inúmeras reações química acontecem nos buds, basta fazer uma analogia a maçã que apodrece, mesmo depois de madura e colhida.  O processo ideal de cura é uma combinação de gosto pessoal, condições ambientais e lógico, a genética da planta.

Mas assim como a secagem, a cura tem um passo a passo:

  1. Guarde os buds em um recipiente hermeticamente fechado e opaco, preferencialmente de vidro, com tampas vedadas com borracha. Como os vidros são translúcidos, coloque o pote em uma caixa de papelão ou armário fechado, sem luz.
  2.  É importante que o vidro fique cheio até a metade, somente com os buds soltinhos. Assim, teremos O2 no recipiente, necessário para a cura.
  3. Buds que pegam luz podem acabar desenvolvendo micro-organismos anaeróbicos, que desgastam o produto final. Se você deixar as flores com oxigênio à vontade, elas envelhecem.
  4. Uma vez por semana, abra o vidro e dê uma mexidinha nos buds. Mas feche de novo logo na sequência. Esse procedimento é importante para renovar o O2 e contribuir para quebra da clorofila.

Abra o vidro para retirar apenas a quantidade de fumo que você for consumir durante a semana e depois feche. Outra opção é guardar pequenas quantidades de maconha em embalagens de filme preto. Congelar NÃO é uma boa opção, porque apesar de diminuir a velocidade da degradação dos cannabinóides, acaba desidratando o fumo e danificando as moléculas que dão aroma e sabor.

Portanto, não se esqueça: a última etapa do seu processo de cultivo (secagem e cura) tem que ser feita de maneira cuidadosa. Mas por mais que pareça complicado, é só seguir esses passos que não tem erro. Boas colheitas em 2018!

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