CBD: tudo que você precisa saber sobre os benefícios medicinais da cannabis

Saiba mais sobre os efeitos do CBD e quais enfermidades ele pode tratar

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O famoso CBD, ou canabidiol, é um dos componentes mais conhecidos da maconha. Enquanto o THC ainda ocupa o primeiro lugar em popularidade devido a suas propriedades psicoativas, o CBD tem ganhado cada vez mais presença na mídia. Isso se deve ao valor medicinal do canabinoide, que ficou conhecido por auxiliar no tratamento da epilepsia. Nesse artigo, debateremos as seguintes questões:

  • Para que serve o CBD?
  • Como pode ser usado?
  • Qual é a diferença entre o CBD isolado e em sua forma natural, na maconha?

Molécula CBD

Os efeitos do CBD

O CBD é um canabinoide que, assim como o THC, se liga aos receptores de canabinoides espalhados pelo corpo humano, conhecidos como CB1 e CB2.

Clique aqui para saber mais sobre o sistema endocanabinoide.

Diferente do THC, contudo, o CBD não é psicoativo, ou seja, ele não causa o famoso “barato”. O CBD contrapõe alguns dos efeitos do THC, interagindo diretamente com ele. Pacientes informam que com o THC usado isoladamente, como na forma de dronabinol (THC sintético), os efeitos psicoativos são muito fortes, podendo causar paranoia, tontura e outros efeitos desagradáveis. Em conjunto com o CBD, contudo, esses efeitos negativos do THC são suavizados, enquanto seus efeitos medicinais permanecem os mesmos ou aumentam. Outros componentes da cannabis também interagem dessa maneira. O CBD, entretanto, é mais abundante, perdendo somente para o THC na maioria das cepas da planta.

O CBD possui um efeito sedativo. Plantas com alto teor de CBD tendem a causar mais sono e relaxamento quando consumidas. Esse efeito do CBD também é acentuado dependo da forma de preparação do extrato. Para entender melhor como a descarboxilação pode ser realizada para enfatizar o papel do CBD no extrato, clique no link a seguir.

A importância da descarboxilação no preparo de alimentos com cannabis

 

CBD como neuroprotetor

O CBD ficou conhecido por sua associação com o tratamento da epilepsia. Quando diversos casos de crianças sendo tratadas com extratos de cannabis começaram a aparecer em 2014, cada vez mais a palavra CBD era utilizada na mídia. Numa tentativa de desvencilhar o CBD da maconha, o componente foi mencionado dezenas de vezes como se fosse o único canabinoide que pudesse tratar doenças.

Cannabis e neurônios

De fato, o CBD foi estudado como um potencial neuroprotetor. O componente parece proteger células nervosas de se superexcitarem – processo que ocorre naturalmente em pessoas saudáveis, mas em excesso na epilepsia, causando as características convulsões e espasmos. Outros canabinoides, contudo – como o próprio THC – também possuem efeito neuroprotetor. É possível que esses componentes ajam em conjunto com o CBD para a tratar a epilepsia.

O CBD isolado está sendo testado como tratamento para a epilepsia de difícil tratamento, mas ainda não há evidências suficientes de sua eficácia, bem como a planta em sua forma natural. Relatos de centenas de famílias, contudo, demonstram resultados impressionantes. Em todos esses casos, o CBD não foi utilizado isoladamente, mas em conjunto com outros componentes.

 

CBD como anti-inflamatório

O CBD parece ter propriedades anti-inflamatórias, demonstrando potencial para o tratamento de diversas doenças inflamatórias, como a artrite reumatoide, a esclerose múltipla, a doença de Crohn, diabetes tipo 1, entre muitas outras.

Esse efeito foi observado tanto com o CBD isolado como em sua forma natural (maconha rica em CBD). Um estudo comparando a eficácias das duas formas, contudo, concluiu que a cepa de cannabis rica em CBD é um anti-inflamatório superior ao CBD isolado.

Mais estudos são necessários para determinar a eficácia do CBD como um anti-inflamatório.

 

CBD no tratamento da dor

Diferente do THC, o CBD isolado não possui efeito analgésico. Utilizado em conjunto com o THC, contudo, o CBD parece potencializar os efeitos do THC no combate à dor crônica, sobretudo a dor neuropática (comum em pacientes com câncer ou AIDS, por exemplo). Ao que tudo indica, o CBD e o THC em conjunto são mais eficazes do que o THC isolado no tratamento da dor.

É importante salientar que dosagens altas de THC causam aumento na sensação de dor, enquanto dosagens mais baixas tendem a diminuir a dor. É importante, portanto, encontrar a dosagem adequada para o tratamento em questão, inclusive o equilíbrio entre o THC e o CBD, que varia entre diferentes cepas da maconha. Pesquisadores explicam que a cannabis não bloqueia a dor como opiáceos, por exemplo. Ela parece simplesmente aumentar a capacidade do usuário em tolerar a dor.

Com abundante evidência envolvendo o uso da cannabis no tratamento da dor, a planta já é aceita como um analgésico pela medicina tradicional. Em estados americanos onde o uso medicinal da cannabis foi legalizado, as vendas de analgésicos a base de opiáceos caiu consideravelmente, indicando uma preferência pela cannabis por parte de muitos pacientes.

 

CBD e distúrbios psiquiátricos

Enquanto o THC pode desencadear efeitos psicóticos em pessoas com sensibilidade a seus efeitos; ou em pessoas que já sofrem ou sofrerão algum tipo de psicose (como a esquizofrenia), o CBD tem efeito antipsicótico. Diversas pesquisas indicaram esse efeito, inclusive estudos realizados no Brasil, na USP de Ribeirão Preto.

Não há ainda, contudo, estudos clínicos amplos para determinar a eficácia do CBD nesse sentido. Os poucos estudos realizados em humanos utilizaram o CBD isolado. Há apenas relatos de pacientes sobre o uso da cannabis in natura no tratamento de psicose. Como não sabemos a segurança do uso da maconha em pacientes psicóticos, não é recomendado o uso, mesmo de plantas ricas em CBD e com baixo teor de THC.

CBD no combate a surtos psicóticos

Pesquisas com pacientes que automedicam com cannabis identificaram um alto número de pessoas utilizando a erva para tratar problemas psiquiátricos; com ou sem acompanhamento médico. Uma pesquisa realizada na Califórnia, em 1999, identificou 660 (26,6%) pacientes automedicando problemas psiquiátricos com cannabis. Entre eles, 274 sofriam de stress pós-traumático; 162 de depressão; 73 de ansiedade; 46 de depressão neurótica; 34 de desordem bipolar; 26 de esquizofrenia; 15 de déficit de atenção; 8 de distúrbio obsessivo-compulsivo; 5 de síndrome do pânico; 17 de outras enfermidades.

O efeito sedativo do CBD parece acalmar pacientes psiquiátricos, mas os efeitos da cannabis por inteira estão obscurecidos pela falta de estudos. O sistema endocanabinoide parece estar diretamente ligado ao funcionamento do cérebro. Ao bloquear receptores de canabinoides, cientistas observaram que pacientes entravam em depressão e tinham pensamentos suicidas. O bom funcionamento do sistema endocanabinoide, portanto, deve estar associado a um cérebro saudável, o que indica um forte potencial da cannabis no tratamento de distúrbios psiquiátricos.

Conforme mencionado anteriormente, mais estudos são necessários para determinar a eficácia e segurança da maconha nesses casos. É importante, portanto, ter muito cuidado e somente se medicar com acompanhamento médico.

 

CBD e câncer

Em diversos estudos pré-clínicos (em laboratório ou em animais, não em humanos), o CBD demonstrou forte potencial no tratamento de diferentes tipos de câncer. Centenas de estudos demonstram efeitos antitumorais e anticancerígenos por parte do CBD isolado. Estudos em humanos, contudo, são necessários para determinar se o CBD realmente pode ser utilizado nesse tratamento.

 

Outros tratamentos

O CBD é um componente com impressionante potencial terapêutico, sendo cogitado em diversos tratamentos, como o mal de Parkinson, insônia, espasmos musculares, entre diversas outras enfermidades.

Faltam investimentos em estudos, não somente com o CBD, mas com a cannabis como um todo, já que diversos de seus componentes parecem agir no organismo e até potencializar os efeitos terapêuticos uns dos outros. Apesar da grande atenção que o CBD tem recebido, é preciso lembrar que ele é apenas um componente, dentre diversos outros presentes na planta, e ele nem é o mais estudado.

Mais conhecimento sobre esse e outros componentes pode significar uma expansão na compreensão da biologia humana e um passo à frente no tratamento de dezenas de enfermidades. Quanto mais soubermos sobre o CBD e a cannabis, mais podemos avançar na luta pelo direito à vida e ao tratamento de escolha de pacientes-usuários.

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Referências

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