Fumar, vaporizar, bongar, ingerir… qual é a melhor maneira de consumir cannabis?

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colorful photo teens at party doing drugs consumir maconha
Baseado, bong, vaporizador ou baseado?

Seja qual for a motivação para o uso da maconha, há diversas maneiras de se consumir a erva. Desde os criativos cachimbos feitos em casa, até os famosos “brigonhas” (ou brigadonhas, brigadeiro com maconha), o uso da cannabis é diverso, e varia de acordo com a localização geográfica, a cultura e propósito. Qual seria, então, a melhor maneira de se consumir cannabis? Qual forma de consumo é a mais eficaz e menos prejudicial à saúde? A seguir exploraremos as mais comuns formas de consumo, seus benefícios e desvantagens.

Baseado

A inalação de maconha é o método mais comum de consumo. Isso se dá pelo fato de o THC inalado fazer efeito em segundos, dando ao usuário mais controle sobre a dosagem. Ele pode ir sentindo o quanto está sendo afetado pela maconha e controlar a quantidade que precisa para atingir o efeito desejado.

O baseado, é a forma de consumo mais representada na mídia. A preparação do baseado é um ritual comum entre usuários de maconha, tornando-se uma atividade social nas rodas de fumo.

Baseados criativos.

O papel, também conhecido como “seda”, costuma ser produzido com fibras vegetais e possui uma série de aditivos químicos para controlar a queima. Por esse motivo, o baseado aumenta a quantidade de toxinas inaladas no fumo, com a queima do papel.

Além disso, a queima da maconha, assim como nos cigarros de tabaco, produz alcatrão. O alcatrão está associado a diversos problemas à saúde pulmonar, como o câncer de pulmão e a enfisema pulmonar.

No caso da cannabis fumada, contudo, não foi encontrada associação com a ocorrência de câncer pulmonar, redução da função pulmonar ou outros problemas graves respiratórios. No entanto, o fumo frequente de maconha pode ocasionar tosse crônica e aumentar a produção de fleuma. Estudos post mortem (após a morte) observaram alteração nas células ciliares do pulmão, reduzindo sua capacidade de filtrar impurezas (Earleywine,2010).

Esses problemas pulmonares ocasionado pelo fumo da cannabis parecem desaparecer após o fumo ser interrompido, indicando que, possivelmente, os danos sejam reversíveis.

Para usuários frequentes, portanto, o consumo através do baseado não é o mais recomendado, mas há pouca evidência de que seja prejudicial para usuários esporádicos (no caso da saúde pulmonar). Para usuários que já possuam pulmões sensíveis devido a alguma enfermidade, o baseado também não é a melhor forma de consumo.

A cannabis inalada também não deve ser utilizada em conjunto com o tabaco. Fumantes de cigarro devem evitar o fumo da cannabis ou interromper o uso do cigarro. O fumo da maconha aumenta os danos causados pelo fumo do cigarro, podendo antecipar a ocorrência de câncer e outros danos pulmonares graves (Earleywine,2010).

Cachimbos

Cachimbo de vidro.

Os cachimbos são uma opção para os usuários que querem remover as toxinas da seda. Eles também desperdiçam menos cannabis do que o baseado, pois não deixam a maconha queimando enquanto não está sendo fumada (a fumaça que sai do baseado aceso, mesmo quando está parado) e normalmente têm um espaço pequeno onde caiba somente a quantidade de maconha necessária para uma ou duas tragadas de cada vez, com mais fumaça que um cigarro.

Os cachimbos variam em forma, material e qualidade, afetando inclusive o sabor da maconha. A preferência pelo tipo de cachimbo, portanto, varia conforme o gosto pessoal do usuário.

Cachimbo feito com espiga de milho.

Eles podem ser pequenos e portáteis, sendo quase tão convenientes quanto o baseado para carregar consigo. No entanto, é difícil remover todos os resquícios de maconha após o uso. Carregar um cachimbo no bolso pode ocasionar problemas com a polícia (ainda que a quantidade seja pequena, dificilmente levando a uma prisão, há muitos relatos de pessoas que sofreram abusos de policiais ao serem identificados como usuários) e com a segurança do aeroporto. Nunca carregue um cachimbo usado (mesmo depois de limpar) em uma viagem internacional, mesmo na bagagem despachada. Se for pego, qualquer resquício de maconha pode resultar em uma deportação.

Apesar da remoção do papel, o fumo da maconha através do cachimbo ainda ocasiona a queima da maconha e, portanto, pode causar danos pulmonares.

 

 

Cachimbos d’água e Bongs

Esses utensílios possuem um compartimento que pode ser enchido com água. A fumaça é esfriada na água e deixa uma parte do alcatrão no caminho. O produto final é, portanto, “mais limpo” do que a fumaça que provém diretamente da queima da maconha. Um estudo financiado pela NORML e a MAPS, contudo, concluiu que o uso de bongs e cachimbos d’água é, na verdade, contra produtivo. Apesar de reduzir as toxinas, a água também reduz a quantidade de THC da fumaça, fazendo com que usuários tenham que fumar mais para obter o mesmo efeito. O usuário acaba consumindo 30% mais alcatrão do que com um baseado (Gieringer, 2008).

Similarmente, a utilização de filtros em baseados apresentam a mesma desvantagem. Um estudo determinou que o filtro também filtra mais THC do que alcatrão, resultando no consumo de 30% mais toxinas do que no baseado sem filtro (Gieringer, 2008).

Ainda assim, muitos usuários gostam de utilizar o bong pela grande quantidade de fumaça inalada de uma só vez, resultando em um efeito mais potente e mais imediato.

Vaporizadores

Vaporizador Volcano.

Os vaporizadores têm se tornado cada vez mais populares entre os usuários de cannabis, sobretudo aqueles preocupados com a saúde do pulmão. Há uma grande variedade de vaporizadores comerciais, que ainda não são tão comuns no Brazil, mas eles também podem ser produzidos em casa.

O processo de vaporização aquece a maconha o suficiente para produzir vapor contendo o THC e outros canabinoides, mas não a queima, eliminando assim a produção de alcatrão. Estudos demonstraram que a vaporização é a forma mais segura e eficiente de inalação da cannabis, pois preserva os canabinoides e não há evidências de que prejudique o pulmão.

Os vaporizadores são muito utilizados por pacientes em locais onde a cannabis foi legalizada para fins medicinais, como em Israel. O Volcano é o vaporizador mais conhecido, mas as vape pens, parecidas com os cigarros eletrônicos, estão se tornando muito populares. Enquanto os cachimbos possuem má fama entre não usuários, as vape pens são mais discretas, atraindo menos atenção negativa.

Vape pen.

O aroma do vapor de maconha é mais suave do que a fumaça, tornando também o consumo mais discreto para usuários que temem apreensão dos vizinhos. A fumaça também é mais visível do que o vapor, sendo assim mais fácil de identificar o usuário.

+ Saiba mais sobre vaporizadores no Fórum

Ingestão oral

Comer maconha pode ser uma alternativa para aqueles que não gostam de fumar. Em locais onde a cannabis foi legalizada, cresce a popularidade dos famosos comestíveis, como brownies, cookies, pirulitos, gelatinas e até refrigerantes. A gastronomia canábica também tem ganhado destaque na mídia, com centenas de receitas disponíveis na internet.

Produtos de maconha comestível.

Há algumas dificuldades, contudo, quando se trata do consumo oral. A digestão é um processo mais demorado do que a inalação, o que significa que os canabinoides chegam na corrente sanguínea por volta de 30 minutos a duas horas após a ingestão. É difícil saber com qual potência o efeito virá, sendo mais difícil até para o usuário mais experiente controlar a dosagem.

Como o efeito não é imediato, pacientes com dor crônica e náusea preferem inalar a cannabis, de modo a cortar os sintomas indesejados mais rapidamente. A maconha ingerida também não funciona para aliviar o glaucoma. Não se sabe o motivo, mas somente a inalação de maconha ajuda pacientes com glaucoma (Conrad, 1997).

Os óleos de maconha têm sido uma popular forma de tratamento para pacientes com as mais diversas enfermidades. A americana Michelle Aldrich colocava o óleo de maconha em cápsulas (ela não é fã do sabor do óleo) para auxiliar no tratamento de seu câncer de pulmão.

Óleos e tinturas (solução diluída em álcool) são populares também para uso pediátrico (como a maioria das crianças com epilepsia refratária), já que os pais não gostariam de ver seus filhos fumando. Os efeitos psicoativos da cannabis são menos potentes em crianças do que em adultos, tornando o barato do THC menos inconveniente para elas.

Muitos dos produtos destinados à ingestão não contém uma quantidade grande de THC, tornando seus efeitos psicoativos mais fracos.

Antes de ingerir a cannabis, procure métodos de preparação adequados. O THC se faz presente a partir do aquecimento ou outras formas de processamento da cannabis e, portanto, comê-la crua pode não trazer o efeito desejado e causar dificuldades na digestão (varia de pessoa para pessoa e de acordo com o tipo da maconha).

A escolha sobre a melhor maneira de usar maconha é pessoal e subjetiva. Depende do gosto pessoal, da conveniência e do propósito para o uso. É recomendável, no entanto, que a cannabis inalada seja consumida através de um vaporizador, para evitar danos pulmonares. No caso da cannabis para consumo oral, vale lembrar que o efeito pode ser mais intenso do que o previsto e, portanto, recomenda-se consumi-la com pessoas de confiança, que saibam o que fazer caso algo dê errado.

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