Bolsonaro defende a Cristolândia no combate às drogas, Freixo políticas de saúde

Marcelo Freixo (PSOL) e Flávio Bolsonaro (PSC) talvez sejam os candidatos mais díspares no que concerne a ideologia, na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Um é de esquerda e o outro de direita.

Isso significa que Freixo tem o socialismo de sua sigla como principal aliado. Pessoas de esquerda tem ideais igualitários acima de outras considerações de ordem moral, cultural, patriótica ou religiosa.

Já Flávio Bolsonaro, afiliado ao Partido Social Cristão (direita), defende princípios conservadores, tradicionais e coloca valores religiosos acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade.

Debate

No debate realizado pela RedeTV nesta sexta-feira (09), Bolsonaro perguntou a Freixo sobre a questão de dependentes químicos. Veja o vídeo:


Políticas antigas 

As mortes causadas pela criminalização das drogas, são sem dúvida, muito maiores do que por pessoas que tiveram overdose de entorpecentes.

Uma das principais causas de violência nas grandes cidades são causadas pelo tráfico. Quanto maior o poder do tráfico, maior será a guerra. E como se diminui o poder do tráfico?

Alguns podem dizer que mais investimentos no aparato policial é a solução. Os Estados Unidos gastam mais de 30 bilhões de dólares ao ano, e por lá, pouca coisa mudou com relação ao uso de drogas.

Um dos expoentes do pensamento conservador, Milton Friedman, Nobel de Economia, já propôs a legalização, diante das imensas despesas no combate às drogas. O montante economizado na repressão, daria para tratar dependentes químicos e ainda sobraria, segundo a tese.

Todos os esforços de repressão só mostraram o tamanho da impotência do Estado frente ao tráfico, em todos os lugares do mundo. Em nenhum país, o proibicionismo conseguiu vencer. Afinal, é uma regra básica da economia: onde há demanda, há oferta.

O que o Ministro da Justiça quer mostrar cortando pés de maconha?

Oferta e Demanda

A demanda (que tem a maconha como principal produto), vem de todos os setores da sociedade. Neste caso, a maconha está para sociedade assim como a cerveja, ou seja, não há distinção de classes, pobres e ricos, pretos e brancos, consomem a erva igualmente.

A oferta entretanto, na maioria das vezes se dá em periferias e favelas. Lugares onde a concentração de negros é muito maior do que nas regiões mais abastadas das cidades.

Deste modo, é possível entender o porquê de pobres e pretos sofrerem muita mais com a guerra às drogas do que ricos e brancos, apesar de ambos consumirem o mesmo produto.

6.630.507: entenda porquê os maconheiros estão escrevendo este número na mão

Freixo x Bolsonaro

Enquanto Bolsonaro é contrário a legalização de todas as drogas, mantém o argumento arcaico de que a maconha é a porta de entrada para drogas pesadas, faz chacota com políticos que enxergam o assunto de outra maneira, usando frases como ‘bolsa larica’ e propõe que o Estado invista em parcerias com entidades religiosas para tirar pessoas das drogas, com projetos como o Cristolândia.

Freixo, por outro lado, defende a legalização das drogas, com políticas públicas de saúde, investimento em prevenção e não tratar como caso de polícia.

Apesar da regulamentação estar fora dos domínios do município, as políticas de drogas podem sim entrar nos debates municipais. Existem vários vereadores que defendem a bandeira da legalização, procure os candidatos na sua cidade, veja as propostas deles com seriedade.

A descriminalização da maconha e outras drogas começa na urna!

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