14 motivos para ir à Marcha da Maconha

Ou: 14 argumentos pra usar contra os proibicionistas

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Marcha da Maconha 2015, em São Paulo. Foto: Felipe Cotrim

A Marcha da Maconha é a principal forma das pessoas demostrarem seu descontentamento com a atual política de droga que vigora no país. Semana passada foi a vez do Rio de Janeiro e Porto Alegre marcharem pelo fim da guerra às drogas. Sábado, no dia 14/05 é a vez de São Paulo

Em 2011 conquistamos o direito através do Supremo Tribunal Federal de podermos nos manifestar, o próximo passo é conquistar o direito de poder fazer o uso da cannabis sem ser criminalizado por isso. Se hoje é possível importar remédios que contenham CBD e THC em suas fórmulas, é graças aos ativistas. Mas vale lembrar, a importação não garante acesso.

Se você ainda não se convenceu que a Marcha é uma manifestação de extrema importância para a sociedade e que a legalização da erva atingirá de forma positiva até quem não fuma, confira 14 motivos pelos quais você deve ir à Marcha da Maconha:

1- Pelas pessoas que fazem o uso medicinal

Já está comprovado através de incontáveis pesquisas científicas, que a maconha ajuda no tratamento de diversas doenças, tais como: epilepsia, dores crônicas, depressão, glaucoma, AIDS, ansiedade, estresse, Parkinson, Alzheimer, insônia, falta de apetite, fobia social, transtorno do sono, prevenir o ganho de peso, diabetes e muitas — muitas — outras. Estudos estão avançando significativamente na comprovação de que a maconha pode até ser a cura para o câncer.
Em 1997, os psiquiatras brasileiros, Dartiu Xavier e Eliseu Labigalini, fizeram uma pesquisa com dependentes de crack e concluíram que 70% deles largaram o vício depois que começaram a fumar maconha. Ou seja, o argumento que os proibicionistas usam de que a erva pode ser a porta de entrada para outras drogas, pode ser justamente o oposto.
Com tantos benefícios para milhões de pessoas que sofrem com essas enfermidades, só este argumento deveria te convencer a lutar pela regulamentação da maconha.

2- Porque o Estado não tem o direito de tirar a liberdade individual de ninguém

A liberdade individual deve ser respeitada, desde que não cause mal a terceiros. Quando alguém fuma um baseado, essa pessoa não está prejudicando ninguém, além de si mesmo. O álcool e o cigarro são drogas nocivas à saúde, mas as pessoas têm a liberdade individual de consumir esses produtos. Uma pessoa que possua uma doença, deve ter o direito de escolher o melhor tratamento para si. Se o método escolhido for a cannabis, o Estado não deve ter o poder de intervir em sua liberdade de escolha.
Sendo assim, qualquer um deveria poder usar a cannabis de forma medicinal, social, recreativa ou religiosa.

3- Pelas pessoas mortas na guerra às drogas

Partindo do princípio que uma lei que deveria proteger as pessoas das drogas, mata mais que a própria droga, algo está errado. A lei anti drogas que vigora no Brasil é muito mais prejudicial à sociedade do que a própria erva. Segundo dados do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, entre 2009 e 2013, mais de 230 mil pessoas morreram (sendo 2 mil de policiais), no combate ao tráfico de drogas.
Quantas pessoas morreram na história do mundo por fumar maconha? Resposta: ZERO!

4- Pelo direito de poder cultivar

Foto: Felipe Cotrim
Foto: Felipe Cotrim

Qual é o dano que uma pessoa que planta maconha causa à sociedade? Ela não está fomentando o tráfico, ela não está prejudicando ninguém. Prender um jardineiro que não quer fazer parte deste mercado violento, é uma grande injustiça. Cultivar a própria erva, é o caminho mais saudável para a sociedade. Além de acabar com o tráfico, sabemos exatamente o que estamos consumindo, sem contar na qualidade incomparável que se obtém. Chega de prensado.

5- Pelo fim da intolerância religiosa 

Ras Geraldinho

A liberdade religiosa é um direito fundamental previsto no artigo 5º da Constituição Federal. Segundo o Art. 5º inciso VI: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.
Com base neste texto, o uso da ayahuasca — que contém DMT, uma poderosa substância psicoativa — nos cultos do Santo Daime foi regulamentada pelas resoluções nº5/2014 e nº1/2015 do CONAD. Por que com a maconha isto deveria ser diferente?
Em 2013, Ras Geraldinho, criador da primeira igreja rastafári do Brasil, foi condenado a 14 anos de prisão por plantar maconha (a pena máxima para traficantes é de 15 anos). Muitos assassinos e estupradores tiveram penas bem menores que a de Ras Geraldinho. Qual a lógica dessa perseguição ao uso religioso da maconha?

6- Pelo fim da hipocrisia

Se você considera a maconha uma droga por fazer mal à saúde, deve também considerar outras coisas como droga como açúcar, sal, cafeína, conservantes, anfetamina, gordura, vários remédios, álcool, cigarro, etc. Obviamente, não queremos que o chocolate ou as comidas congeladas sejam proibidas. Muito menos que prendam uma pessoa por comer bacon. Mas é uma tremenda hipocrisia pensar que num mundo, onde a taxa de obesidade cresce em um nível alarmante e mata mais que a fome, onde (segundo dados da OMS) anualmente mais de 5 milhões de pessoas morrem em decorrência do tabaco e mais de 3 milhões por causa do álcool e com tantos outros produtos nocivos à saúde vendidos livremente por aí, a maconha (que nunca matou ninguém na história) seja proibida. Chega de hipocrisia!

7- Pelo uso industrial do cânhamo

O cânhamo anda junto com a humanidade desde os primórdios. Na China, foi encontrado indícios do uso do cânhamos que datam de 12 mil anos de idade. A declaração de independência dos EUA de 1776 foi escrita em folha de cânhamo. Os Vikings dependiam do cânhamo para suas velas e cordas. Henry Ford fabricou um carro 10 vezes mais resistente usando o cânhamo.
Por ser uma fibra muito versátil e forte, ela pode ser utilizada na fabricação de muitos produtos, tais como: tecidos (4 vezes mais resistentes que o algodão), plásticos, combustível, materiais de construção, cosméticos, produtos alimentícios. A lista é gigantesca (mais de 25 mil produtos).
Esta fibra fornece oito vezes e meia mais fibras por hectare que árvores (como o danoso eucalipto), não reduz os nutrientes do solo, não compromete o lençol freático nem os reservatórios de água (como o algodão), absorve contaminadores de metal pesado do solo, purificando gradualmente, é uma planta que exige pouca manutenção, requer pouco fertilizante em relação a outros produtos fibrosos e precisa de muito pouco ou nenhum tratamento com pesticidas. Não polui a terra, o ar ou a água.
Num mundo que depende tanto de combustíveis fósseis e madeira virgem, o cânhamo pode ser a salvação do planeta.

8- Porque a proibição é racista 

Na origem do proibicionismo no país, a erva era vista como “coisa de negro” e de classes baixas. Segundo um levantamento da Anistia Internacional, 56 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2012, sendo 30 mil jovens entre 15 e 29 anos. Destes, 77% eram negros.
A guerra às drogas é uma guerra contra pessoas, não contra substâncias e o principal alvo dessa guerra são as periferias e os negros. Hoje em dia, branco e rico em bairro nobre é considerado usuário, já o preto e pobre na favela, traficante.
Essa separação preconceituosa de classes deve ter um fim imediato.

9- Pelo fim do tráfico de drogas

Segundo a ONU, o narcotráfico movimenta mais de 400 bilhões de dólares por ano, sendo um dos setores mais rentáveis da economia mundial. Não por acaso, frequentemente são encontradas armas de alto calibre, algumas restritas ao exército, nas mãos de traficantes. Com tanto dinheiro, o tráfico tem o poder de aliciar cada vez mais pessoas para lutar esta guerra (inclusive crianças), comprar armamento pesado para se proteger da repressão policial ou para subornar policiais corruptos. É ingenuidade pensar que policias com revólveres vão entrar na favela para combater o tráfico, enquanto os traficantes usam fuzis, metralhadoras e até lança míssil. É mais fácil morrer de bala perdida do que por overdose de maconha.
Com a regulamentação da maconha, o traficante deixaria de ser um criminoso e isso aliviaria o exaurido sistema prisional.

10- Contra a superlotação dos presídios

Foto: Ministério Público RS
Foto: Ministério Público RS

A população prisional brasileira triplicou, alçando o país ao preocupante posto de terceira maior população carcerária do planeta. São mais de 560 mil presos nas cadeias, segundo o Conselho Nacional de Justiça, sendo que 200 mil deles estão envolvidos com o tráfico.
Hoje, 65% das mulheres encarceradas é por algum motivo relacionado ao tráfico de drogas e à política de repressão.
Cadeia não é solução. Como disse o ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, “Um registo criminal de um pequeno delito de drogas para um jovem pode ser uma ameaça muito maior para o seu bem-estar do que o uso ocasional de drogas.”

11- Porque a regulamentação só trará benefícios à sociedade

Não queremos uma liberação, mas uma regulamentação, como foi feito no Uruguai. No momento o consumo é liberado Brasil. Qualquer um pode comprar maconha onde quer que seja (inclusive crianças), não há qualquer tipo de controle de qualidade, não há uma fiscalização das autoridades pois a ilegalidade torna o usuário um marginal aos olhos da lei, ou seja, não é possível fazer campanhas de prevenção e repressão ao ato de fumar e dirigir como acontece com o álcool por exemplo.
Com a proibição, também não é possível realizar estudos científicos para entendermos melhor as consequências da planta. A proibição trata as pessoas que fazem o uso problemático da erva como criminosos e não como doentes, impossibilitando estes de buscar um auxílio médico. É preciso que estas pessoas deixem de ser caso de polícia e virem caso de saúde. As medidas tomadas com sucesso para reduzir o consumo de tabaco, mostram o que pode ser conquistado. É a regulação e educação, não a ameaça de prisão, o que reduziu o número de fumantes em muitos países.
Nos países em que a maconha foi legalizada, não houve nenhuma explosão no consumo ou crimes relacionados às drogas.

12- Porque a proibição custa caro

O governo gasta cerca de 250 bilhões de reais por ano em segurança pública. Quais os resultados desse investimento? Nenhum, todo dinheiro empregado na guerra às drogas foi jogado no ralo. O tráfico ganhou força e cresce cada vez mais.
Estes recursos poderiam ser destinados para combater verdadeiros criminosos: os que violam os direitos dos demais (homicidas, fraudadores, estupradores, ladrões etc). Ou ainda em uma política que eduque a sociedade e a alerte sobre os possíveis malefícios que a planta pode trazer.

13- Porque a guerra às drogas fracassou

Não foram os Intocáveis de Eliot Ness que derrotaram a violência de Chicago nos anos 30. Foi simplesmente, o fim da Lei Seca.
A cada dia que passa fica óbvio através dos noticiários que a guerra às drogas fracassou. Diariamente vemos apreensões de cargas de drogas, armas, mortes de policiais, de traficantes, de civis. As medidas repressivas dão uma prioridade maior para a punição do que para a saúde e direitos humanos.
Se a missão das leis proibicionistas é a de acabar com as drogas e seu consumo, essas leis falharam. Nem a oferta, nem a procura, diminuíram após essas leis. Não há dado que comprove em qualquer lugar do mundo que a repressão foi a saída para o fim das drogas.
Em presídios, onde teoricamente não deveria entrar qualquer tipo de droga, a maconha circula livremente. Se nem nas cadeias o Estado consegue controlar, imagine do lado de fora.

14- Sua presença é imprescindível 

Marcha 2
Foto: Felipe Cotrim

Não espere mudanças sentado no sofá. Com tantos argumentos favoráveis à legalização da maconha, precisamos nos unir para que isto se torne uma realidade no Brasil. Nos últimos anos, temos visto diversas manifestações políticas no país que resultaram em mudanças, mostrado que a pressão popular faz toda diferença.
Não há o que temer, não aceite discursos infundados e preconceituosos de pessoas mal informadas. Se você é um usuário, saia do armário, mostre que você está sendo diretamente afetado por essa repressão absurda e ajude a acabar com o estereótipo. Afinal, a maconha é consumida por todas as classes sociais e por todos os profissionais. Se você não usa, com certeza conhece alguém que usa (e provavelmte nem sabe disso). Então participe também, a proibição afeta a sociedade como um todo e está diretamente ligada ao bem estar social.

Não esqueça, a Marcha da Maconha de São Paulo é no dia 14/05 e começa às 14h20 com concentração no vão livre do Masp. Confira a data de sua cidade. Convide seus amigos, parentes, leve seus filhos e vamos marchar por nossos direitos.

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