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Pastores americanos apoiam o fim da guerra às drogas

19 de June de 2013 // tali

Uma rede de pastores está se pronunciando contra a chamada “guerra às drogas” e o efeito devastador que ela tem, principalmente na comunidade negra.

Em uma conferência chamada “Ponto de vista a partir do púlpito: líderes religiosos e descriminalização das drogas”, realizado no American Baptist College, em Nashville, líderes religiosos focaram na injustiça moral das leis antidrogas, em vez da moralidade das drogas em si.

Em um comunicado divulgado antes da conferência, os participantes lembraram que afro-americanos compõe somente 13% da população americana e também 13% dos usuários de droga. No entanto, eles somam 38% dos detidos e 59% dos condenados por violações da lei de drogas.

Um participante da conferência, o Rev. John Jackson do Trinity United Church of Christ, em Gary, Indiana, falou diante da câmera acerca suas crenças sobre Deus e maconha. ”Várias pessoas compartilharam comigo em particular: ‘Reverendo, eu fumo maconha e eu sei que não deveria.” Eu digo, ‘Deixe-me interrompê-lo aí mesmo. Eu não acredito que o Deus que nós servimos é pequeno ou insignificantes para se preocupar com você fumar maconha. Eu não acho que Deus se preocupa com isso.’ Eu os alertava  que o nosso Deus é grande demais para se preocupar com alguém fumando um baseado”.

O grupo de pastores negros conta com o estranho apoio televangelista Pat Robertson, que, no ano passado, confessou ao seu enorme público conservador que é a favor da descriminalização das drogas: ”Eu só acho que é chocante como muitos desses jovens acabam na prisão e se transformaram em verdadeiros criminosos só porque eles estavam na posse de uma pequena quantidade de substância controlada. A coisa toda é uma loucura”.

A conferência foi patrocinada pela Conferência Samuel DeWitt Proctor, American Baptist College e da Drug Policy Alliance.

Não é por vinte centavos!

17 de June de 2013 // tali

Hoje o Growroom sai do seu tema principal. Hoje só queremos apoiar a revolução que está acontecendo no  Brasil. A repressão cometida contra nós, canabistas, é somente um reflexo da repressão que acontece diariamente neste país. A repressão contra o debate das políticas de drogas, a repressão contra os usuários ocasionais ou contra doentes que já nem podem decidir por suas vidas. A repressão contra os pobres, contra os negros. A repressão contra os jovens insatisfeitos com seu futuro. Por isso, hoje pedimos a todos vocês, leitores e cada parte do Growroom, que saiam as ruas SEM NADA NADA NADA nos bolsos pra manifestar não por vinte centavos, mas por liberdade. Pedimos que não levem um baseado no bolso, que estejam completamente “limpos”, porque qualquer motivo será motivo.

Nós sempre fizemos parte de uma pequena parcela que lutou por leis mais juntas. Hoje, 200 mil pessoas estão confirmados para lutar por liberdade, por justiça. Nós do Growroom apoiamos e estaremos nesse movimento, que, por consequência, nos vai proporcionar legitimidade. Nós estamos acordados há muito tempo, mas o Brasil só acordou agora. Toda injustiça há de ser sentida e todos temos que estar juntos pela justiça, por mais distintos que sejam nossos ideias.

Vamos todos para as ruas amanhã! Vamos todos dar nossas caras às possíveis balas de borracha, ao gás lacrimogênio que será atirado contra nós. A Marcha da Maconha, o Growroom e todo o movimento canábico é um dos que leva mais gente pra rua. Hoje, não levaremos nossa causa, mas a causa de todos. Hoje, deixaremos nosso foco por um bem maior. Nós, do Growroom, vamos fazer parte do que será a maior manifestação já ocorrida neste país, e pedimos, mais uma vez, NÃO LEVEM MACONHA! Eles usarão qualquer motivo para nos recriminar e nós não queremos nos marginalizar, seja você parte do movimento ou um mero usuário dentro do armário.

Hoje, o Brasil inteiro entendeu que o povo na rua faz a diferença. A causa da maconha vem fazendo a diferença, mas tem muito mais por trás disso. Não é a maconha e não é sobre vinte centavos. É sobre transformar este país seja qual for sua raça, credo, situação social, opção sexual ou classe social. Hoje, estamos todos juntos para que não voltemos aos negros períodos de repressão doentia deste país.

 

O Growroom apoia e estará na manifestação de hoje, e pede que não levem nenhum ganja em seus bolsos.

5 mitos (ou verdades) sobre a legalização da maconha – Revista Exame

13 de June de 2013 // tali

Saiu no site da revista Exame! Baseados no livro Too High To Fail, de Doug Fine, a galera da Exame lançou esses “5 mitos (ou verdades) sobre a legalização da maconha“. Vale a pena conferir!

Também tem uma resenha quentinha sobre o livro na recém-lançada semSemente #3. Já na nossa loja virtual!

 

maconha - exame

1 – Ao legalizar a maconha, mais pessoas passarão a usar a erva.

Doug Fine aponta que, após legalizar a erva e outras drogas, em 2001, Portugal viu o número de jovens que fumava maconha diminuir. O índice caiu de 14% para 10% em 5 anos após a implementação da medida, como mostra uma pesquisa publicada pela revista TIME.

Um outro estudo revelou que, em 2011, não houve aumento do uso da maconha entre alunos do ensino fundamental e médio no estado americano de Rhode Island, que legalizou a erva em 2006.

Quanto aos adultos, os números ainda são “misturados”, descreve Doug Fine. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia mostrou um ligeiro aumento do uso da maconha entre adultos após a Holanda legalizar a droga. Apesar disso, a taxa foi considerada um pouco inferior à média europeia.

2 – Todos os policiais se opõem à legalização.

Segundo Doug Fine, dois terços do orçamento americano para o combate à droga foi justamente direcionado para o setor de repressão. O que, segundo a sua visão, é a razão de ser do lobby em prol da criminalização da erva.

” É verdade que existe muito lobby para não acabar com a guerra mais cara dos EUA (que custou 1 trilhão de dólares), mas isso é porque ela é a razão de ser para o lobby”, acredita o pesquisador.

Ele cita a criação de um grupo de oficiais na Califórnia (5 mil pessoas, ao todo), que busca a liberalização da erva e traz o depoimento de um delegado em uma cidade na Califórnia, que chegou até mesmo a defender produtores locais de maconha. Para esses oficiais, há outros problemas mais importantes a serem enfrentados nos EUA, e o uso da maconha não é o mais importante entre eles.

3 – O uso recreativo da droga seria o grande gerador de receita para a cannabis.

A cannabis industrial, comumente chamada de cânhamo, possui um grande potencial, e não se tratada da variedade usada na forma recreativa, diz o pesquisador.

Ele cita dois exemplo dessa funcionalidade diversa: “As montadoras BMW e Dodge usam fibras de cânhamo nos painéis das portas. Além disso, casas cujo isolamento e painéis de parede são feitos parcialmente de cânhamo representam uma tendência de rápido crescimento na indústria da construção europeia”.

O pesquisador também traz dados de um relatório feito por um consultor para o Departamento de Agricultura do estado do Novo México, nos EUA. Segundo o texto, dez anos após o fim da guerra contra as drogas, a indústria do cânhamo chegará a faturar US$ 50 bilhões. “Isso é maior do que os US$ 40 bilhões que alguns economistas americanos preveem com a cannabis sendo fumada”.

4 – Grandes empresas do tabaco e álcool controlariam a indústria da maconha.

Segundo Doug Fine, não. A razão para contradizer esse mito está no fato de que a indústria da maconha já é descentralizada nos EUA. O pesquisador traz o depoimento de Tomas Balogh, um dos fundadores de uma cooperativa de plantadores de cannabis na Califórnia.

“A indústria de cannabis já é descentralizada e de propriedade do fazendeiro. Cabe aos consumidores manter assim. As grandes companhias de bebidas alcóolicas podem controlar a loja da esquina, mas não a loja do vinho refinado ou o mercado dos fazendeiros”, afirma o agricultor no artigo escrito por Doug Fine.

O pesquisador aponta que existem cerca de 100 milhões de aficionados pela maconha nos EUA (17 milhões deles fazem uso regular). “Eles vão poder escolher entre pegar um pacote para fumar antes de ir a um churrasco ou dedicar-se a desenvolver organicamente novas cepas da erva”, acredita.

5 – A legalização é uma impossibilidade política.

Para o autor do livro, a questão já está sendo posta na mesa. Ele lembrou uma entrevista do presidente Obama, que, pela primeira vez, levou a sério a pergunta sobre a legalização da cannabis. Ele disse que ainda não apoia a questão, mas que tinha “peixes maiores para fritar” do que assediar os estados de Colorado e Washington, que legalizaram recentemente a droga.

Doug Fine lembra que, até em estados considerados conservadores nos EUA (Arizona, por exemplo), a discussão sobre legalização da maconha está avançando.

E argumenta por quê: “Eu moro em um local conservador no Novo México. No entanto, como uma mulher na fila do posto me disse recentemente: ‘Foram as pílulas que mataram meu primo. Repreender a maconha apenas mantém os malditos cartéis no negócio’”.

 

 

Rede Pense Livre lança documento desmitificando as baboseiras ditas pelo Laranjeira

11 de June de 2013 // tali

Ronaldo Laranjeira

Ronaldo Laranjeira

Em 2011, logo após um acalorado debate da Folha de São Paulo sobre a política fracassada de drogas, o Growroom começou a discutir os argumentos paranoicos e desconexos com a realidade do psiquiatra Ronaldo Laranjeiras.Foi então criado o “Dossiê Laranjeira”.  Naquela oportunidade o Dr. Laranjeira abusava de táticas de retórica que visavam assustar e desviar o rumo do debate. Usando de falácias, dados manipulados e do diploma de psiquiatra, metralhava autoritariamente qualquer argumento científico que ia de encontro com sua linha retrógrada de pensamento. Suas verdades vem de estudos incompletos e principalmente do terrorismo retórico. Princípios que vão de encontro com o que qualquer entidade democrática e científica apoia em uma discussão. No raciocínio do Dr Laranjeira, qualquer pessoa que defenda uma política mais humana e liberal é um defensor do tráfico e do fim da sociedade como conhecemos. Um apoiador de um mundo onde drogados perambulam pelas ruas em um senário pós-apocalíptico nos moldes de filmes de ficção como Mad Max. O exagero no ataque a maconha salta aos olhos e ouvidos, principalmente se observarmos os rumos das principais políticas mundiais quando o assunto é canábis. Inúmeras vezes o psiquiatra em questão salientou que jovens usuários tinham 10% de chances de terem surtos psicóticos nos próximos anos. Um dado que não reflete a conclusão do estudo, já que o mesmo não aponta a canábis como causadora dos referidos surtos. Só que na boca de um psiquiatra essa argumentação vira uma arma retórica que impossibilita o debate sério. Por esse e outros motivos, o Growroom apoia e incentiva qualquer iniciativa que vise esclarecer possíveis distorções que o psiquiatra em questão ventila na mídia. Além de desestimular qualquer veículo sério a incluir esse senhor em seus debates sobre o tema drogas.

Depois do polêmico Roda Viva com Ronaldo Laranjeira na semana passada, o pessoal da Rede Pense Livre redigiu um documento importantíssimo: “Respondendo aos Mitos II – Programa Roda Viva”. Na ocasião, Laranjeira utilizou argumentos sem base para defender os tópicos assinados recentemente no Projeto de Lei 7663, como a internação compulsória e o aumento de pena para pequenos traficantes.  Leia mais…

Marcha da Maconha reúne 10 mil em São Paulo

10 de June de 2013 // tali

Algumas manchetes disseram que fomos somente mil. Não é difícil ver a foto e perceber que esse número é subestimado. Outras chamadas preferiram ressaltar o único princípio de confusão, quando um usuário foi preso causando tumulto entre os manifestantes e a reação violenta da polícia. Quem foi, sabe que esse evento isolado, assim como o posicionamento tendencioso da mídia, não representam a tarde de sábado: a Marcha da Maconha de São Paulo reuniu cerca de 10 mil pessoas que caminharam do MASP em direção à Praça da República, passando pelas ruas Augusta e Consolação, na maior paz!

A concentração começou às 14h no vão do MASP reuniu os diversos blocos. Além dos defensores da canábis, a Ala dos Psicodélicos levou alegorias carnavalescas sob o lema de “Existe amor em LSD”, em referência à musica de Criolo. O grupo defende a legalização uso de plantas lisérgicas, como peyote, ahyuasca e sálvia divinorium. Essa classe de substâncias, ainda que usadas majoritariamente de maneira religiosa e/ou medicinal, vem sofrendo repressão e entrando para a lista de substâncias proibidas.

Outro bloco de destaque foi o Bloco do Atraso, um protesto irônico contra políticos e jornalistas que lutam pelo retrocesso. Com máscaras de Reinaldo Azevedo, Osmar Terra, Ronaldo Laranjeira e a trupe reacionária, o grupo usou do humor e sarcasmo, pedindo mais dinheiro para a recém-aprovada intenação compulsória.

Além dos já tradicionais gritos de guerra, outro mais foi criado com base nos protestos do final da semana do Movimento Passe Livre. Demonstrando e recebendo apoio, os manifestantes proclamavam: “Olha que vergonha! A condução tá mais cara que a maconha!”.

O protesto terminou na Praça da República, onde um show foi organizado e se estendeu até o fim da noite. Apesar de algumas cacetadas distribuídas e ameaças de uso de bombas de gás de efeito moral, a manifestação terminou sem maiores complicações na Praça da República, onde rolou um show embaixo de muita fumaça!

Veja algumas fotos do que rolou! (E logo vem muito, muito mais!)