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Categoria » América Latina

Ministro do Interior do Equador propõe descriminalizar drogas

12 de June de 2013 // tali

Teresa Cristina

O presidente do Equador Rafael Correa tende a seguir os passos do presidente uruguaio Pepe Mujica

O ministro do Interior do Equador, José Serrano, admitiu nesta segunda-feira em entrevista a uma rádio que as atuais políticas de combate ao tráfico de drogas fracassaram e sugeriu a despenalização do consumo. ”É preciso estabelecer novas políticas públicas claras sobre o vício e depois avançar num processo de descriminalização”, declarou à Rádio FM Mundo.

Não é a primeira vez que o governo se manifesta sobre o assunto e sugere uma mudança no rumo dos programas de combate ao tráfico. Na semana passada, o secretário jurídico da Presidência, Alexis Mera, afirmou que .a repressão absoluta não funciona. ”Tem que se discutir em nível de cadeias de comercialização de certos estupefacientes, como a maconha’.

Em abril do ano passado, o presidente Rafael Correa manifestou apoio quando o guatemalteco Otto Pérez Molina propôs legalizar a produção, transporte e distribuição da droga no país. O Equador é considerado pelas autoridades como um país de armazenamento e trânsito das drogas procedentes de Peru e Colômbia rumo aos Estados Unidos e Europa. Somente este ano, a polícia já apreendeu 19 toneladas de drogas, principalmente cocaína. Em todo o ano de 2012, foram 42 toneladas.

As cifras do tráfico de drogas no Equador

No ano de 2013, a polícia equatoriana apreendeu um total de 19.2 toneladas de droga, das quais368.575 gramos corresponde a maconha. O alcalóide mais encontrado foi a cocaína com um total de 15 000 gramos apreendidos. Além disso, as autoridades apreenderam 1.175 gramas de pasta base de cocaína, 37,7 gramos de heroína e 0,05 gramos de ecstasy.

Os números oficiais mostram que entre 2007 e 2012, foram apreendidos 23.381 gramos de maconha, sendo 2012 o ano em que grande parte deste alcalóide foi seqüestrado (10,691 gramas), ao contrário de 2007, que foi apreendido apenas 848 gramos.

O relatório global sobre o uso de drogas 2012 elaborado pelo Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (UNODC) afirma que a maconha é a droga mais utilizada no mundo, com uma estimativa de entre 119 e 224 milhões de consumidores.

Via: Alagoas 24 horas / Andes.info

Diretor da revista argentina THC é absolvido da acusação por cultivo

5 de June de 2013 // tali

Sebastian Basalo

Sebastian Basalo – Diretor da revista argentina THC

No dia 22 de fevereiro, Sebastian Basalo, diretor da revista argentina de cultura canábica THC, foi denunciado anonimamente e acusado pela posse de 100 plantas de maconha. A acusação foi enviada pela polícia a um juiz, que pediu fotos do local e, tendo isso feito, foi confirmada a presença de 20 plantas. Em um caso como este, o normal teria sido apreender as plantas, contá-las e, assim, tentar definir se era uma quantidade para consumo ou para tráfico.

O promotor Carlos Stornelli pediu primeiro fez um trabalho de inteligência e, em seguida, realizou a apreensão. Por essa razão, no aniversário de Basalo, havia um policial na porta de sua casa.

Basalo soube da existência da investigação porque um vizinho viu um grupo de policiais que caminhava pelos telhados da quadra onde mora. Um jovem na rua avisou que portavam câmeras fotográficas. Naquela tarde, entrou com um habeas corpus. O recurso é reconhecido pela Constituição Argentina desde a reforma de 1994. O artigo 43 diz que “quando o direito danificado, limitado, modificado, ou ameaçado for a liberdade física, ou em caso de agravamento legítimo das condições de detenção ou desaparecimento forçado de pessoas, a ação de habeas corpus pode ser pedido pela vítima ou por qualquer pessoa em seu nome, e o juiz resolverá imediatamente, mesmo durante o período da lei marcial “.

O caso caiu no tribunal de Sergio Torres, que costuma aplicar a doutrinae que o Tribunal fez explícita no julgamento Arriola 2009, sobre a inconstitucionalidade da criminalização da posse e cultivo de droga para consumo pessoal. Na carta, citando duas decisões do Supremo Tribunal a este respeito que Torres reconheceu legítimos, resolvendo “declarar inconstitucional o penúltimo parágrafo do art. 5 º da Lei 23.737 (…), por entender que o cultivo de cannabis sativa para uso ou consumo pessoal, legalmente, não prejudicar a saúde pública ou causa danos a terceiros e, portanto, sua penalização viola os direitos e garantias estabelecidos na Constituição da Nação “.

“Eu tive a sorte de descobrir que a polícia estava fotografando minha casa e estavam investigando antes da acusação”, disse Basalo, “mas o importante aqui é que o Estado trabalhou para ver se o cultivo era comercial ou não antes invadir uma casa e sujeitar uma pessoa a um  processo criminal. Em sua decisão, Torres está dizendo aos outros juízes que não faz sentido mobilizar todos os aparelhos policiais e judiciais, com todos os custos de dinheiro e tempo que isso implica, para realizar uma investigação que pode ser feita antes mesmo de violar os direitos previstos na Constituição.”

O caso Arriola

O caso Arriola é uma sentença da Suprema Corte de Justiça da Nação Argentina que decretou a descriminalização parcial do consumo de entorpecentes ao reconhecer a inconstitucionalidade da punição de uma pessoa adulta pela posse de maconha em âmbito privado.

Em 2006, a polícia invadiu uma casa por venda de drogas e deteve os presentes, que logo foram condenados à prisão. No mesmo dia, perto do local, um grupo de jovens foi detido com um a três baseados cada um. Condenados a cumprir penas socioeducativas, a defesa dos réus apelou, sustentando que o Artigo 14 da lei 23.737/1989, que reprime a posse de drogas para consumo pessoal, seria incompatível com o Artigo 19 da Constituição, que garante a isenção de responsabilidade em relação às ações privadas que não ofendem a ordem ou a moral pública nem prejudiquem terceiros.

A decisão dos sete magistrados foi unânime. O caso considerou que os réus estavam protegidos pelo Art. 19, levando em conta que a quantidade que portavam era mínima e nenhum deles apresentava sintomas de vício.

O juíz da Suprema Corte, Eugenio Zaffaroni, considerou que acusar o usuário não é prudente na hora de convencê-lo a testemunhar contra o narcotráfico e assegurou que “se cada consumidor tivesse uma planta de canábis em sua varanda, então não haveria o tráfico”. Já o presidente da Corte, Ricardo Lorenzetti, declarou que “não se trata somente de respeito às ações realizadas em (âmbito) privado, senão do reconhecimento de um âmbito em que cada indivíduo adulto é soberano para tomar decisões livres sobre o estilo de vida que deseja”.

Após o caso Arriola, três projetos foram apresentados na Câmara dos Deputados para modificar a lei 23.737 e descriminalizar o consumo pessoal de entorpecentes, tanto por membros do governo quanto da oposição. A Igreja, dando pitaco onde não deveria, rejeitou a ideia afirmando que a mudança prejudicaria os setores mais humildes.

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Leia mais sobre o progresso da Argentina por uma lei de drogas mais justa:

Justiça argentina declara inconstitucional punição por cultivo caseiro de canábis

Ex-presidente mexicano Vicente Fox defende legalização de todas as drogas

3 de June de 2013 // tali

mexico marijuana flagEm entrevista à CNN em espanhol, o ex-presidente do México, Vicente Fox, apoiou abertamente a legalização não somente da maconha, mas de todas as drogas, incluindo cocaína e sintéticos. Fox acredita que somente uma legalização total tirará o poder dos traficantes. Sua proposta é despenalizar e legalizar a produção, venda e distribuição de todos os entorpecentes. Atualmente, o usuário é descriminalizado no país.

Segundo o mandatário, é preciso tirar essa indústria das mãos dos criminosos e passá-la para as empresas, para agricultores que produzem maconha, e manter um sistema tributário alto de impostos. “O mesmo que foi feito com o cigarro e o álcool.”

Além disso, a proposta visa separar o tema de saúde ao de violência e criminalidade. Fox usou como exemplo a proibição do álcool dos anos 1920 e o modelo usado em Chicago, onde a única forma de acabar com os padrinhos do crime organizado de então foi permitindo o consumo de bebidas alcoólicas deixando a responsabilidade a quem o consome.

Fox ainda afirmou que os traficantes de drogas dos EUA estão enviando milhares de milhões, bilhões de dólares para subornar e corromper, além de milhares de armas de alta potência para equipar seus cartéis. O ex-presidente ainda acusou os narcotraficantes do país vizinho de estar lavando dinheiro no México.

Embora a Fox e atual presidente Felipe Calderón, pertençam ao Partido da Ação Nacional (PAN), seus pontos de vista sobre a questão de como combater a violência das drogas são diferentes e o ex-mandatário tem sido criticado pela “falta de qualidade moral” com que vem reverberando o governo de Calderón. Enquanto Fox tende para enfraquecer os cartéis legalizando mercado de drogas, Calderón lançou uma ofensiva contra eles, o que resultou no aumento da violência em algumas partes do México.

O ex-presidente também declarou que deve-se retirar o exército das ruas urgentemente, pois eles não estão preparados para o trabalho policial. Se está expondo o exército a manchar sua imagem, a violar os direitos humanos, a cometer erros, e até mesmo a assassinar inocentes como já aconteceu. (Ficar nas ruas) é o trabalho da polícia”, reiterou.

Uruguai inclui campanha de prevenção em seu projeto de legalização

23 de May de 2013 // tali

Enquanto o Brasil vela o progresso, o Uruguai faz sua parte como ativista mundial por uma nova política de drogas. O projeto de legalização da país de Mujica incluirá um artigo que determina que parte da publicidade de agências estatais será utilizada para promover campanhas de prevenção do consumo de drogas.

A Frente Ampla, coalizão do partido do presidente e maioria no congresso, chegou a um acordo sobre como será a produção da maconha. A distribuição da ganja será através da rede de farmácias, que poderá vender, no máximo, 40 gramas por pessoa a cada mês. O Instituto Nacional de Cannabis (INCA), que opera sob a égide do Ministério da Saúde Pública, será responsável por controlar a venda.

Além disso, o projeto modifica número de pessoas que podem integrar os chamados clubes canábicos, que passou de um máximo de 15 pessoas para 100. Se mantém a quantidade permitida por usuário, de 40 gramas mensais.

Além disso, foi adicionado ao projeto a criação de centros localizados em cidades de interior com mais de dez mil habitantes e funcionarão como um centro de tratamento e reabilitação.

Organização dos Estados Americanos apresenta proposta sobre legalização em todo continente americano

20 de May de 2013 // tali

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O movimento antiproibicionista toma uma força que pode ser o impulso para que tanto debate seja finalmente colocado em prática. Na sexta-feira passada, foi divulgada uma carta aberta, assinada por oito ex-líderes sul-americanos membros da Comissão Global sobre Políticas de Drogas, incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente do grupo, sugerindo a legalização das drogas em todo o continente americano. O documento foi entregue pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao presidente colombiano Juan Manoel Santos, anfitrião da Sexta Cúpula das Américas, realizada no ano passado na cidade de Cartagena, na Colômbia. Segundo a carta, a posição do secretário foi uma “voz inesperada acrescentada ao debate”.

Santos foi o idealizador do estudo, encomendado pela OEA visando analisar a guerra às drogas. O resultado indica que “depois de quatro décadas de uma fracassada guerra às drogas, um pedido por uma mudança de estratégia cresce a cada dia”. O relatório ainda estabelece duas recomendações: substituir a criminalização do uso de drogas por uma abordagem competente à saúde pública e a tentativa de modelos de regulamentação legal projetado para minar o poder do crime organizado. “Por meio de uma conversa genuinamente global sobre a reforma da política de drogas, quebramos um tabu secular”, é mencionado na carta.

Juan Manoel Santos, presidente da Colômbia

Juan Manoel Santos, presidente da Colômbia

Quatro possíveis cenários são propostos para o futuro da política de drogas, refletindo um consenso emergente em toda a América Latina. A maioria dos especialistas endossam os três primeiros cenários – a mudança das abordagens repressivas para um sistema em que segurança do cidadão é o objetivo central, a experimentação de diferentes abordagens para a regulação de drogas ilegais, bem como a conscientização e educação sobre elas em toda a sociedade. “Obviamente, todos os líderes sérios concordam que o quarto cenário, a ameaça de criação de narco-estados, deve ser evitado a todo custo”. Este é o primeiro documento lançado por uma organização multilateral que defende significantemente uma reforma na política de drogas, incluindo a regulamentação do mercado e uma reforma na Convenção sobre Drogas da ONU.

No ato da entrega, Insulza descreveu o relatório como o começo de um debate muito esperado, que alerta os EUA e a Europa que a situação irá mudar, com ou sem o apoio deles. Os líderes latino-americanos acreditam que os países norte-americanos e europeus, que consomem boa parte da droga produzida na América do Sul e Central, não percebem o mal que o tráfico causa. A responsabilidade da Europa para remodelar a política de drogas global será enfatizada em três semanas, quando o presidente da Colômbia chega à Grã-Bretanha, uma visita que faz parte de um programa para pressionar por mudanças na política global.

O documento ainda ressalta a necessidade de mudança como medida econômica, destacando as enormes quantias de dinheiro poupados pelos governos caso a guerra às drogas seja reavaliada, além de quebrar o ciclo de violência, corrupção e a superlotação das cadeias. Contudo, apesar de um consenso sobre uma reforma na políticas de drogas, há divergências entre os 35 países que formam a OEA sobre a legalização de substâncias além da maconha, como crack e cocaína.

A carta foi assinada pelo ex-presidente brasileiro e presidente da Comissão Global sobre drogas, Fernando Henrique Cardoso, pelo ex-presidente da Colômbia, César Gaviria, pelo ex-presidente chileno, Ricardo Lagos, por George P. Schultz, ex-secretário de Estado dos EUA e presidente honorário da Comissão, Paul Volcker, ex-presidente  da Reserva Federal dos EUA e do Conselho de Recuperação Econômica, Louise Arbour, ex-alta comissária de direitos humanos da ONU e presidente do International Crisis Group e Ernerto Zedillo, ex-presidente do México.