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O Fenômeno Da Endogamia Em Plantas.


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17 replies to this topic

#1 tetrahidrocannabinol

tetrahidrocannabinol

    C²¹H³ºO²

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Posted 07 July 2011 - 03:43 AM

O fenômeno da endogamia em plantas



Endogamia em plantas é o efeito do cruzamento natural ou artificial entre indivíduos relacionados por ascendência, ou seja, que possuem certo grau de parentesco entre si. Este evento vem acompanhado, principalmente, da perda de vigor e fertilidade, ocasionando a baixa viabilidade do indivíduo em espécies de polinização aberta (plantas alógamas). Esses efeitos da endogamia não se aplicam às espécies que se reproduzem predominantemente por autofecundação, ou seja, o cruzamento do indivíduo com ele próprio (plantas autógamas).

Em espécies alógamas a reprodução ocorre preferencialmente via cruzamentos ao acaso, sendo o pólen transportado pelo vento e/ou por outro agente polinizador como insetos e morcegos, de forma que a descendência é composta de híbridos de famílias de meios-irmãos (pai desconhecido) e irmãos completos (pai e mãe conhecidos). Esses tipos de organismos desenvolveram mecanismos fisiológicos, estruturais, espaciais e/ou temporais capazes de evitar endocruzamentos e autofecundações.

Em populações de espécies alógamas pode-se inferir a existência de carga genética alta (condição na qual ocorrem alelos deletérios – homozigotos recessivos – aa encobertos nos locos em heterozigose) e freqüência máxima de locos heterozigotos (Aa). Os efeitos da endogamia nessas populações são: manifestação de carga genética, pois há aumento da freqüência de genes deletérios, e diminuição simultânea da heterozigose, que pode afetar a produtividade e a viabilidade (adaptabilidade genotípica) do indivíduo.

A formação de linhas puras divergentes e complementares entre si, por meio de autofecundações induzidas, e o posterior cruzamento entre essas linhagens é uma estratégia utilizada em programas de melhoramento genético de espécies alógamas. Assim, a queda no vigor e na fertilidade observados inicialmente (depressão por endogamia) é restaurada por meio do cruzamento, levando ao fenômeno conhecido como heterose ou vigor híbrido.

Os principais produtos do melhoramento de espécies alógamas são a obtenção de clones elites nas espécies perenes e exploração da heterose na produção de híbridos nas espécies anuais.

Geralmente, o cultivo de híbridos simples requer emprego de tecnologia de produção mais elevada e aquisição de sementes híbridas anualmente, sendo mais praticado por médios e grandes produtores. Um dos representantes das espécies alógamas cultivadas e largamente estudado é o milho, onde a produção de híbridos tem sido muito explorada para fins comerciais. O vigor híbrido pode ser considerado como o evento inverso aos efeitos indesejáveis conseqüentes da endogamia.

Por outro lado, as espécies autógamas possuem genoma em estado homozigoto (AA ou aa) como conseqüência das autofecundações sucessivas, que resultam na formação natural de linhagens puras (todos os locos teoricamente em homozigose). Assim, a descendência de linhagens puras apresenta constituição genética muito semelhante ou idêntica à da planta-mãe.

A autofecundação é o processo que leva ao grau mais intenso de endogamia, sendo este evento observado, comumente, nas plantas que possuem flores completas, apresentando simultaneamente órgãos masculinos e femininos, como feijão, amendoim, fumo e tomate. A soja também é um exemplo de planta autógama que possui um mecanismo denominado cleistogamia, no qual a fecundação acontece antes da abertura da flor, evitando o contato com pólen proveniente de outras plantas. Este recurso foi evolutivamente desenvolvido a fim de evitar cruzamentos entre diferentes flores e plantas e promover adaptação rápida.

O produto do melhoramento genético das espécies autógamas são, geralmente, as cultivares elites. Nestes casos, o agricultor não precisa comprar sementes para o plantio seguinte, podendo utilizar as próprias sementes colhidas, uma vez que o material melhorado são linhagens puras, podendo ser multiplicado indefinidamente por meio do processo reprodutivo natural.

Situando-se de forma intermediária entre as alógamas e autógamas, encontram-se as espécies com sistema reprodutivo misto, como o algodão e a melancia, que ao contrário das alógamas toleram depressão por endogamia. Os métodos de melhoramento mais comumente empregados nessas espécies são os mesmos usados nas espécies autógamas e o resultado, geralmente, é a produção de populações melhoradas em equilíbrio quanto ao sistema reprodutivo de forma que existam intercruzamentos, endocruzamentos e autofecudações em taxas constantes. Esse material melhorado é denominado de variedades e o agricultor pode plantar seu novo cultivo com uma amostra representativa da população da safra do ano anterior sem prejuízo na produção.

Assim, os conhecimentos acerca da endogamia em plantas vêm sendo utilizados com sucesso na obtenção de genótipos superiores em programas de melhoramento genético de espécies alógamas, autógamas e de sistema reprodutivo misto, culminando com o lançamento de novos híbridos, cultivares e variedades.

Fonte: Artigo Embrapa

[]'s

#2 DanKai

DanKai

    Não compre. Plante!

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Posted 07 July 2011 - 05:06 AM

Belo texto brow! Vem daí o motivo de semente de autofecundação, mais conhecida como herma, ser de baixa qualidade, to com duas NLS Shiva x Fullmoon autofecundada crescendo aqui e sei que a chance delas hermarem é muito grande, mas por enquanto negócio é ir levando pois elas pode sim se tornarem fêmeas e me render flores :335968164-hippy2:

Já se só uma hermar, segundo o que entendi no texto, eu poderia cruzar as duas e diminuir na cruza a incidência de genes "deletérios" e chance de hermar? Vou experimentar.

#3 steampipe

steampipe

    MACONHEIRO FORENSE

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Posted 07 July 2011 - 01:47 PM

entao segundo o texto, é prejudicial vc cruzar LANDRACE X LANDRACE ?

eu discordo...


é o mesmo que dizer que 2 irmaos terem um filho, ele vai ter sindrome de down, sendo q se nenhum dos 2 tiver "problemas" (entende-se por anomalia genetica) no cromossomo 21, a sindrome de down nao vai se manifestar...

ate porque mesmo especies puras, possuem 2 alelos diferentes, dependendo de qual dos 2 a fliha herdar, as caracteristica vai ser bem diferente!!!

e pra criar seed???

cruzam-se 2 ou mais especies prediletas, começa selecionar caracteristicas geneticas boas, e eliminando ruins cruzando elementos da mesma decendencia...




desculpa duvidar, mas fonte duvidosa!!
entrei em contato com a embrapa pra confirmar metodo de germinaçao de castanha do caju, pra obter um cajueiro e os caras me mandaram comprar muda deles :offtopic:

_|_

pau no cu do governo

#4 sandino

sandino

    Blæquedablius

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Posted 07 July 2011 - 10:15 PM

Aonde diz que é prejudicial cruzar landrace x com landrace? pelo contrário...

O produto do melhoramento genético das espécies autógamas são, geralmente, as cultivares elites. Nestes casos, o agricultor não precisa comprar sementes para o plantio seguinte, podendo utilizar as próprias sementes colhidas, uma vez que o material melhorado são linhagens puras, podendo ser multiplicado indefinidamente por meio do processo reprodutivo natural.

(...)

Assim, os conhecimentos acerca da endogamia em plantas vêm sendo utilizados com sucesso na obtenção de genótipos superiores em programas de melhoramento genético de espécies alógamas, autógamas e de sistema reprodutivo misto, culminando com o lançamento de novos híbridos, cultivares e variedades.


Explicação e raciocínio, se não tiver saco dá uma olhada no RESUMO:

Pelo que entendi o que eles estão tentando é ressaltar que as linhagens mais homogêneas, obtidas por endocruzamento e autofecundação são superiores no que se referem a;

- para obtenção de ótimas matrizes clonais, e geração de prole homozigotica como por exemplo um pé de laranja AA que rende muito suco pra indústria dos eua p.e. já que é um hábito o consumo desse tipo de suco por lá,(aliás tá na cara que os proibicionistas americanos gostam de Laranjeiras!!! :chaudeslarmes: ),

- para obtenção de ótimas matrizes reprodutivas e geração de prole heterozigotica Aa

Heterozigotica não siginifica homogeniedade já que você pode cruzar um pai que todos os seus genes sejam do tipo AA com uma plnta no mesmo estilo aa e obter 100% de Aa onde todos os A vieram do pai e todos os a da mãe.

Mas pra isso ocorrer deve haver seleção intensa dos parentais até a obtenção de 100% homozigose permitindo a obtenção de linhagens 100% estáveis.

Por exemplo:

genes de resistência ao mofo (planta RR) e genes para alto rendimento por exemplo (AA)

pegamos plantas RrAa comuns na natureza através de cruzamentos sucessivos querendo obter RRAA, já que sabemos que a presença de dois, um ou nenhum R ou A altera o fenótipo aditivamente (quanto mais A ou R mais expressas e notáveis ficam as caracteristicas)

Parental:
AaRr x AaRr
f1:
1 AARR : 2 AARr : 1 AArr : 2 AaRR : 4 AaRr : 2 Aarr : 1 aaRR : 2 aaRr : 1 aarr

16 : 1 AARR
Ou seja de 16 plantas você obtém apenas uma com o genótipo almejado.

Então você pega essas plantas AARR e realiza endocruzamentos ou autofecundações e observa que está ganhando em rendimento mas perdendo em resistência ao mofo resolve investigar e descobre genótipos AAR, AA, e até mesmo AARr AAr e AArr já que mutações deletérias ou não podem fazer R virar r, virar outro gene ou desaparecer.

Isso significa que houve favorecimento do rendimento em oposição a resistência ao mofo já que cruzando plantas com genótipos muito parecidos e mantendo um número reduzido de reprodutores é mais provável e mais fácil a perpetuação de características deletérias por não haver pool genético capaz de suprir e recolocar os genes faltantes.

É isso mais ou menos :rasta2bigsmoke0gf: que se chama perda de vigor!

Então em outro campo de pesquisa você observa que ocorreu o contrário, o desenvolvimento de uma variedade bastante resistente ao mofo porém de baixo rendimento e descobre que é do tipo RR que mutaçoes deletérias removeram os alelos AA,

então pega as plantas cada uma vindo de um campo de pesquisa diferente e cruza:

AA x RR = AARR

. combinando as características pode gerar-se um novo tipo de genótipo AARR mantendo as características benéficas e ao memsmo tempo suprindo na nova linhagem as características deletérias de seus ancestrais....

resumindo: como vocês viram a partir de plantas AaRr apenas 1 em cada 16 serão superplantas AARR algo em torno de 6% e na busca por uma prole ou variedade estável em que haja garantia de 100% de AARR ocorrem mutações deletérias e perda de vigor e um dos caminhos para se driblar e recuperar é o cruzamento heterogamético ou cruzamento entre genótipos complementares como em AA x RR



É possível ainda que AA X RR resulte na expressão de características que só ocorrem na presença tanto de A como de R juntos, por exemplo resultando em maior rendimento + maior resistência = aroma cítrico,

isto é, para ter aroma cítrico passa a ser uma obrigatoriedade que a planta antes seja resistente ao mofo e tenha excelente rendimento, só aí ela poderá expressar seu aroma cítrico.... é claro isso tudo é só um exemplo!

onde
AArr, aaRR, Aarr e Arr, por exemplo, não produziriam aroma cítrico
AaRr, AARr e AR, por exemplo, produziriam aroma cítrico


as possibilidade senão infinitas chegam perto!


Resumindo !

no caso das landraces é difícil determinar a perda do vigor, mas pode ocorrer sim ao longo das gerações, no que o sistema de consevação ideal, na minha visão, de uma variedade um "manga-rosa" por exemplo, seria:
uma população numa região suficientemente grande e diversificada geomorfologicamente, altas taxas de heterozigose e de cruzamentos aleatórios entre indivíduos da mesma população afim de não acumular características deletérias ou permitir que uma mutação indesejada ou uma determinada característica seja expressa em falta ou demasia, alterando em muito o fenótipo típico daquilo que é considerado como "manga-sosa", passando então a planta ser "outra coisa" e não mais um "manga-rosa".




A cannabis é uma planta alógoma quando ocorre naturalmente e que pode ser autogamas (=hermafroditas que fazem autopolinização), mas podemos fazer elas "se comportar também como" endógamas através de cruzamentos manipulados

Na raiz do surgimento da maioria das variedades de cannabis, BASICAMENTE por alogamia espalhou-se a semente de cannabis pelo mundo e a distinção geográfica, climática e de solo que fez surgirem as landraces como o manga-rosa, a thai, a malawi gold... num caso hipotético vamos supor que os escravos tenham trazidosementes de várias partes da áfrica para plantar numa antiga colônia, isso seria o EQUIVALENTE a uma reprodução alógoma, com maior variabilidade e aleatoriedade possível.
Agora se todas as sementes trazidas pelos escravos provindas agora de uma região mais restrita já tivessem sido selecionadas quanto a notável característica de produzir um "baratinho" e que só cresciam plantadas e semeadas pelos povos africanos que foram selecionado-as devido a suas propriedades medicinais por ex. então pode ser que já estejamos falando de um caso de reproduçao com utilização reiterada de endogamia.

E BASICAMENTE por endogamia surgiram várias variedades dos seedbanks e o melhoramento de outras já existentes como a dminuição do período de floração numa thai por exemplo feita através de indíviduos com genes semelhantes para duração do período reprodutivo.


agora quanto a autogamia de cannabis Traveco tô fora!!!



#5 sandino

sandino

    Blæquedablius

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Posted 11 July 2011 - 09:43 PM

up! e editei pra facilitar a mensagem.

e por favor....

passar isso pra tec avançadas

"encobertos nos locos em heterozigose" é um baita palvrão pra tar no informações básicas!!


:335968164-hippy2:

#6 tetrahidrocannabinol

tetrahidrocannabinol

    C²¹H³ºO²

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Posted 11 July 2011 - 09:47 PM

Tinha era que ter uma board de botanica!

[]'s

#7 GreenRedHead

GreenRedHead
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Posted 11 July 2011 - 10:22 PM

Porra, sinistro o lance...

#8 sandino

sandino

    Blæquedablius

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Posted 18 July 2011 - 03:29 PM

Uma classificação mais detalhada, outro conceito de classificação

Definições de Domesticação:

Silvestre: uma população naturalmente evoluída cujos genótipos e fenótipos não tem sido modificados pela intervenção humana;

Incidentalmente co-evoluída: uma população voluntária que se adapta em ambientes perturbados por humanos, possivelmente sofrendo mudanças genéticas, mas sem seleção ou outra intervenção humana - ervas daninhas (weeds);

Incipientemente domesticada: uma população que tem sido modificada pela seleção e intervenção humana (no mínimo sendo promovida), cujo fenótipo médio ainda está dentro da variação encontrada na população silvestre para os caracteres sujeitos à seleção; a variância fenotípica deste médio poderá ser, ou não, menor do que o da população silvestre, mas a seleção começou a reduzir a variância genética;

Semi-domesticada: uma população que tem sido modificada de forma significante pela seleção e intervenção humana (no mínimo sendo manejada), cujo fenótipo médio provavelmente extrapola a variação encontrada na população silvestre para o(s) caracter(es) sujeito(s) à seleção; a variância fenotípica desta média pode ser maior que a da população silvestre porque a variação agora inclui tipos comuns e tipos novos; a variação genética terá sido reduzida ainda mais pela seleção; no entanto, as plantas mantém suficiente adaptação ecológica para sobre viver no ambiente se a intervenção humana cessar;

Domesticada: uma população similar à anterior, mas cuja adaptação ecológica tem sido reduzida a tal ponto que somente poderá sobreviver em paisagens criadas por humanos, especificamente em paisagens cultivadas ou intensivamente manejadas; a variação genética terá sido reduzida ainda mais pela seleção, especialmente a variação genética responsável pela adaptação ecológica;

Raça primitiva (‘landrace’ em inglês): um conjunto de populações domesticadas (ou semi-domesticadas) selecionado numa paisagem cultivada numa região geográfica restrita e que apresenta alta variabilidade fenotípica e razoável variabilidade genética, geralmente pela acumulação de gens de outras populações e raças circunvizinhas;

Cultivar moderna: uma população ou clone altamente selecionada e modificada que é adaptada exclusivamente às monoculturas intensivas, com reduzida variabilidade fenotípica e genética.

Clement, C.R. 2001. Melhoramento de espécies nativas {Improvement of native species}. In: Nass, L.L.; Valois, A.C.C.; Melo, I.S.; Valadares-Inglis, M.C. (Eds.). Recursos genéticos & melhoramento - plantas. Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso - Fundação MT, Rondonópolis, MT. pp. 423-441. (Brasil)


Implicações práticas disso :smokeabowl:

"Plantas domesticadas só podem ser cultivadas em paisagens muito manejadas ou cultivadas."

MANEJADA é paisagem mais selvagem, tentar plantar próximo do natural apenas com algumas interferências, abrir clareira, canaletas pra escorrer a água, como na guerrilha!

Já CULTIVADO é o ambiente criado para o cultivo "atropofizado", é assim que diz?? huehua Ex.: vasos, canteiros, telas, irrigação, fertilização, solo, lâmpadas.

"A identificação de germoplasma para formar a base genética de um programa de melhoramento também poderá se beneficiar do conhecimento sobre as paisagens a que uma determinada população de plantas é adaptada."

Na caça pelos melhores sabores, as melhores ondas, as melhores colheitas, as mais diversas variedades regionais (empolgação! :rasta2bigsmoke0gf: ), TEMOS que atentar-se para o solo em que a maconha foi encontrada, o clima, altitude, pra tentar reproduzir isso em laboratório ou no campo depois.

"Quanto maior o grau de domesticação, maior a probabilidade de encontrar caracteres de interesse econômico pronto para uso no mercado. Em contraste, quanto menor o grau de domesticação, menor esta probabilidade, com o corolário de que a prospecção e coleta de recursos genéticos terá de ser maior para permitir a captura de gens e alelos que possam ser combinados para criar o ideotipo desejado pelo mercado."

Corolário!?!? ahh vtnc huahuahuahuahuauhua

Ele quer dizer que aquelas variedades domesticadas já há bastante tempo tem maiores probabilidades de se encontrar características interessantes para os humanos. Seja o cânhamo pra cordas, o white widow que gerou uma família de plantas "white", o manga-rosa e o cabeça de nego que graças a deus até hoje são cultivados pra produzir fumo no nordeste.


Pensa,

um fazendeiro que pretenda usar um cão pra pastorear ovelhas. Ela vai preferir um pastor alemão ou um lobo? lobo, que teoricamente no nosso exemplo seria um cachorro não domesticado.

#9 sandino

sandino

    Blæquedablius

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Posted 18 July 2011 - 03:46 PM

MANIFESTO 2.0* PELA SALVAÇÃO DO PATRIMÔNIO GENÉTICO DA MACONHA

"A PROCURA DA MACONHA PERFEITA" :love-weed: , pra valorizar e preservar a planta.


Estamos perdendo algumas variedades cablocas valiosíssimas, cultivares indígenas foram perdidos para sempre, um banco genético com potencial econônimco incrível e não falo só da cana medicinal e recreacional, onde está o cânhamo que era produzido na época do Brasil colônia??
Levaram nosso ouro agora querem se apropriar de nossa produção :casacaiu:
Em todo o mundo a repressão faz os traficantes optarem por variedades de maturação mais rápida o que nem sempre é benéfico já que para isso utilizam plantas comerciais produzidas a partir de pouquíssimas matrizes. O resultado é homogeneizição e homozigose que acaba por manifestar defeitos recessivos.


COLECIONADORES PARTICULARES DA ERVA, VELHA-GUARDA (old school huahu), landraces em geral MEU MAIOR APOIO E RESPEITO!
Acho que só vocês podem salvar esse banco genético da :casacaiu: , não pode haver egoísmo e pequenez de pensamento tem que ter união pra compartilhar e VIABILIZAR A PRESERVAÇÃO das preciosidades da cannabis planetária, e combater o problema de erosão gênica mundial da maconha, um dia quando legalizar vamos precisar muito dessas genéticas, mas se ficar com mesquinharia dificilmente vamos conseguir o mais importante que é a preservação, porque um dia casa pode cair e uma só pessoa for a detentora do banco tudo estará perdido pra sempre. :chaudeslarmes:

Lembrando que não somente genéticas de sativas nacionais que entram, mas todas aquelas variedades tradicionais, lendárias, rurais e urbanas que subsistem apesar da repressão, e da determinação das Nacões em manter o atual entendimento de repressão com todo o aparato de seus Estados constituintes e dos demais Estados não signatários, mas que aceitam passivamente, por pressão e covardia, objetivando a não concessão de direito de existência à um Vegetal.

Mais uma vez o meu respeito a vocês que - APESAR DA REPRESSÃO - se arriscam em manter e compartilhar esse patrimônio.

:watchplant:


Expedição Já: "A procura da maconha perfeita!"

:love-weed:

*3/1/11

#10 bio_cañamo

bio_cañamo
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Posted 18 July 2011 - 03:52 PM

Uma classificação mais detalhada, outro conceito de classificação

Definições de Domesticação:


Implicações práticas disso :smokeabowl:

"Plantas domesticadas só podem ser cultivadas em paisagens muito manejadas ou cultivadas."

MANEJADA é paisagem mais selvagem, tentar plantar próximo do natural apenas com algumas interferências, abrir clareira, canaletas pra escorrer a água, como na guerrilha!

Já CULTIVADO é o ambiente criado para o cultivo "atropofizado", é assim que diz?? huehua Ex.: vasos, canteiros, telas, irrigação, fertilização, solo, lâmpadas.

"A identificação de germoplasma para formar a base genética de um programa de melhoramento também poderá se beneficiar do conhecimento sobre as paisagens a que uma determinada população de plantas é adaptada."

Na caça pelos melhores sabores, as melhores ondas, as melhores colheitas, as mais diversas variedades regionais (empolgação! :rasta2bigsmoke0gf: ), TEMOS que atentar-se para o solo em que a maconha foi encontrada, o clima, altitude, pra tentar reproduzir isso em laboratório ou no campo depois.

"Quanto maior o grau de domesticação, maior a probabilidade de encontrar caracteres de interesse econômico pronto para uso no mercado. Em contraste, quanto menor o grau de domesticação, menor esta probabilidade, com o corolário de que a prospecção e coleta de recursos genéticos terá de ser maior para permitir a captura de gens e alelos que possam ser combinados para criar o ideotipo desejado pelo mercado."

Corolário!?!? ahh vtnc huahuahuahuahuauhua

Ele quer dizer que aquelas variedades domesticadas já há bastante tempo tem maiores probabilidades de se encontrar características interessantes para os humanos. Seja o cânhamo pra cordas, o white widow que gerou uma família de plantas "white", o manga-rosa e o cabeça de nego que graças a deus até hoje são cultivados pra produzir fumo no nordeste.


Pensa,

um fazendeiro que pretenda usar um cão pra pastorear ovelhas. Ela vai preferir um pastor alemão ou um lobo? lobo, que teoricamente no nosso exemplo seria um cachorro não domesticado.


Mto boa contribuiçao!
Tem mto gente se aventurando no cruzamento genetico, eu tb vou nessa!
Ainda mais por estudar tudo isso na faculdade(Biologia), to cada vez me interessando mais.

E o que o tetra disse assino em baixo.
Tem que ter um board de botanica. É mta informaçao pra ficar perdida no forum, lembro de uma vez o white smoke postou mta coisa a respeito da botanica e mta que nem envolve cannabis, mas que abrange o reino vegetal.

Tinha que ter um board de botanica, para cruzamento genetico, anatomia vegetal, Hormonios vegetais, e uma sessao para os apreciadores de outras culturas vegetais, nao so da cannabis, que eu acho mto interressante.
Tem muita gente aqui q gosta não só da maconha e que tem conhecimento de sobra pra contribuir para o forum, eu to disposto a ajudar no que for preciso com pesquisas, artigos, livros, e acho que ia ser um puta avanço pro forum.

Fica ai uma dica para os modera que ja vem sendo falada muito tempo( vide topico do W.S).

Vlw!

#11 HighT

HighT
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Posted 18 July 2011 - 06:00 PM

Po demais o tópico, muito obrigado pelas aulas!!

#12 BraveHeart

BraveHeart
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Posted 18 July 2011 - 06:34 PM

Viajei no assunto...Ducaraleo!!!
Salvei nos favoritos e vou estudar, depois com calma.
Também acho o assunto muito profundo, para este board....:wacko:

#13 Açoriano

Açoriano
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Posted 25 July 2011 - 01:06 AM

Tenho bastante material sobre genetica, vigor hibrido, endogamia depressiva, etc da pra entender legal, se quiserem eu disponibilizo, n vo posta agora sem saber se tem interesse pois tenho q passar o material pra um .doc pois o material é de um professor de genetica.

landrace seria relativo ao que se chama de "crioulo". por exemplo o milho crioulo herança guarani. hoje em dia os colonos são iludidos a plantar os hibridos da embrapa por exemplo, q por + bombado q seja o DNA em produtividade e resistencia, ele eh desenvolvido em condições genericas, dai quando o agricultor vai plantar ele na sua roça o milho hibrido não é desenvolvido pros estimulos do ambiente daqele microclima, e acaba nao sendo tao fodão e o colono coitado iludido tem q socar sem dó insumo quimico girando as grandes mafias.

como era antes? o colono aprendeu co indigena a usar o milho crioulo, cada regiao tinha seu milho crioulo, onde tinha um vasto pool/variabilidade genetico/a, intao qq ele fazia, plantava o milho crioulo da sua regiao, e adaptava seu milho apartir desse crioulo. entre outros detalhes havia a manipulação de transposons, que são pedaços de DNA com autonomia propria, que ao longo de muito tempo de simbiose com o homem, se expressa na forma de cores, por exemplo espigas de milho criolas quem conhece sabe q elas sao por exemplo: milhos amarelos ao longo da espiga com alguns milhos mais escuros, esses milhos escuros, essa cor presente nele é a expressão viva/fenotipica dos transposions. Os transposions resumindo são DNAs que saltam e mudam suas posições mudando os codigos do DNA fazendo com que crie-se novos codigos ALEATORIOS de dna, surgindo variabilidade genetica! logo era a grosso modo assim o plantio de milho crioulo: por exemplo voce tinha sua roça la do milho amarelinho normal q plantou, dai ele produz bem, só q ao longo dos ciclos de produção, por causa dos intercruzamentos dentro da sua roça, acontecia a endogamia depressiva, a grosso modo eh q a cada geração que voce replantava eles eram mais "parentes" e com isso quanto + se cruzavam entre si, mais acontecia homozigose tendendo a apresentar menos alelos que tem as caracteristicas de interesse como produtividade resistencias etc. ai qq o indio fazia? pegava um milhozinho do colorido que tem transposion e plantava junto com o proximo ciclo na roça. o polen desse milho com transposion cruzava com os otros milhos e os milhos da roça iam nascer com fragmentos de transposon. esses fragmentos de transposion fazem uma putaria no DNA desse milhos q tavam tendo erosão, e cria uma variabilidade gigante. dai qndo voce planta esses milhos voce vai ter um milharal mto doido porq vai ter desde milho com mais erosão doq os anteriores, quanto milhos absurdamente gigantes, porq no meio da aleatoriedade q o transposon cria no DNA pode surgir codigos de DNA mto produtivos como pés gigantes, rusticos, produtivos, com 3 espigas por nó, da de tudo! ai nisso o indio vai e seleciona os individuos q ele curtiu e replanta esses milhos desde q não tenham nenhum sinal (cor) de transposions. esses milhos vao ter as caracteristicas q ele qer e podem continuar a cruzar eles na roça até q eles novamente vao perdendo denovo as caracteristicas pela endogamia depressiva/cruza entre parentes na roça, e denovo qndo ele vai e coloca um milhozinho com riscos coloridos, e assim sucessivamente o homem adaptou simbioticamente a manipulação do DNA por expressão viva de cor na semente!! nao precisa ser um nerd de laboratorio, é preciso apenas COMPREENDER o SER! foi este o titulo do livro publicado em 48 por Barbara McClintock uma cientista q descobriu a existencia dos transposions mesmo sem microscopio de tão apaixonada pelo milho q ela era!

Agora o mais interessante, transposons existem na maioria das plantas cultivadas pelo homem, por exemplo as rajadas marrom da casca da maçã (por isso maçãs comerciais tendem a ser mais vermelhas e menos rajadas de marrom), entre outras expressões a serem recuperadas através de culturas ancestrais! boto fé que as seeds de cannabis e seus detalhes rajados possam ser expressão de transposons, pra finalizar essa fuga do contexto é pra salientar que genética é mto importante saber, mas que o ACASO e a manipulação desse ACASO merece seu respeito como metafora viva de que nunca poderemos dominar a natureza por completo, precisamos assumir e reconhecer nossa divina limitação de conhecimento. é a pedra fundamental acima da base da piramide em sua expressão devocional do homem ligado a terra! há que diga que existe até 35% de atuação por transposons na cannabis.

voltando pro mundo dissecador reducionista da genetica mendeliana a viajem seria o seguinte: produtividade, altura, resistencias, ou seja a maioria das caracteristicas de interesse não se dão por conta de apenas um Locus ou seja, não é AA ou AABB o codigo que expressa tal caracteristica. sao raras as caracteristicas controladas por poucos ou um unico gene como. por exemplo cor do olho, presença de lobulo da orelha preso ou solto, intao não podemos pensar no quadro de prunet, n eh A x A etc. as caracteristicas de produtividade e as otras q nos interessam sao quantitativas ou seja contamos com genes efetivos.
vou explicar: se um gene expressa sua caracteristica apenas precisando da presença de um alelo efetivo a interação sera chamada interação de dominancia pois basta ter um A que por exemplo uma cor eh expressa em uma célula (por exemplo AA e Aa expressam a cor e somente quando aa não tem cor) e consequentemente matematicamente ela se expressa em proporção 9:3:3:1 ou seja a cada 16 plantas 9 terão as caracteristicas que voce quer, 6 serão medianas e 1 sera inferior.
porem o mais comum é que os alelos sejam aditivos ou seja AA produz + corante numa celula que Aa, Aa possui "meia carga" pois só o A produz e aa não tem carga. consequentemente teremos a proporção de 1:2:1 ou seja, a cada 100 plantas, 25 nao expressam os alelos efetivos (aabbccddeeffgghh) 50 plantas serao medianas com homozigoze efetiva (AaBbCcDdEeFfGgHh) e 25 terão os alelos efetivos de interesse em homozigoze (AABBCCDDEEFFGGHH, lembrando q pode ser tudo ao contrario por exemplo não efetivos AABBCCDDEEFFGGHH e efetivos aabbccddeeffgghh, oq vale é a logica)
logo isso respeita uma curva de GAUSS ou curva normal da estatistica! então qq acontece voce pega uma população aleatória de 400 plantas e seleciona as 100 com maior quantidade de buds em peso. ai voce revegeta as 2 plantas de melhor produtividade, escolhe a mais produtiva pra ser a mãe pois a mãe da herança materna, muito gene resultante é fruto do dna mitocondrial etc. dai estressa a outra planta pra hermafroditar e polinizar a mãe alem de clonar essa mãe e manter pra depois retrocruzar as filhas dela c ela, dai nisso a mãe da seeds F1 e voce planta essas seeds e escolhe 3 melhores plantas com caracteristica desejada e intercruza elas (revegeta, stressa p da flor macho) e vas ter a F2 que vai ter + gama genetica e fenotipos q tavam mascarados na F1, e dai voce planta essas F2 e escolhe agora as suas queridinhas mais fodonas e produtivas. escolhidas elas voce pega cada uma escolhida e retrocruza no minimo 7 vezes elas com a mãe (madre) que voce guardou o clone. dai depois disso acho q vai resultar nas seeds com as caracteristicas que tu escolheu bem fixadas!!

nunca testei isso, só apliquei o basico de fixar caracteristicas

#14 sandino

sandino

    Blæquedablius

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Posted 01 August 2011 - 04:23 PM

Ae, ficou meio bagunçado, mas muito legal essa sua abordagem pelos transposons!

No cruzamento Aa x Aa
A proporção 1:2:1 é sempre válida para os genótipos possíveis, mas não para os fenótipos, no caso de dominância aditiva seria igual (3 genótipos e 3 fenótipos), mas para o caso de dominância normal, em que basta um alelo pra expressar o fenótipo, seria 3:1 >> 3 genótipos e 2 fenótipos.
Agora no caso de AaBbCcDdEeFf etc etc etc, quanto mais alelos, maiores as possibilidades e combinações aroma x sabor x cor x altura x etc x etc

E sim! Mendel não explica tudo, essa sua abordagem vai um pouco além. os transposons (também conhecido com "DNA circular" em bactérias) e também o DNA MITOCONDRIAL (bem lembrado) que pode trocar genes com o DNA nuclear (a análise molecular filogenética de muitos grupos de seres vivos sugere que alguns alelos teriam sido trocados entre o núclo e as mitocôndrias ao longo da evolução) só adicionam mais complexidade e imprevisibilidade aos cruzamentos, tanto que é quase impraticável manipulá-los sem contar com grande número de plantas e o ACASO (que não é tão por acaso assim)

Mas independente de Mendel, transposon, Watson, Barbara McClintock o que acaba se fazendo NA PRÁTICA é exatamente essa curva de Gauss que você explicou e então retira-se apenas indivíduos de uma certa faixa dessa curva pra promover a geração parental POR EXEMPLO.

Realmente o nível de complexidade da natureza é muito além da capacidade de compreensão humana, mas isso não significa que não devemos tentar, embora parece demais pretensioso, mas já que temos cérebro vamos usá-lo.

#15 sandino

sandino

    Blæquedablius

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Posted 01 August 2011 - 04:28 PM

O exemplo e a história do milho é sem dúvida muito interessante, por si só uma aula de genética!


fala mais o que sabe dos transposons em cannabis, se essa porcentagem de 35% tiver certa então não tem como desprezá-los em qualquer programa genético sério!

E quanto as cores que formam as sementes rajadas ou "tigradas"... você acha que seria então análogo ou homólogo a pelagem em cães e gatos por exemplo?

edit"apesar de cão ser animal e cana vegetal uhaha bom entendeu!

#16 Açoriano

Açoriano
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Posted 06 August 2011 - 11:53 PM

boto muita fé que sim cara, porque esses dias soube tambem que o sistema da cebola tambem é assim, o miolo amarelado q eh algo valorizado é controlado por transposons e a cebola roxa é digamos a ferramenta de transposons, então qero dizer q a cada dia mais vejo q existe sim muitas expressoes vivas de transposons (cores nos graos e cascas de frutos) revelando q a muito tempo nossos ancestrais interagiram com esses fluxos de transposons para obter suas variações geneticas a tal ponto q criaram padroes mto didaticos e simples como as cores do milho, rajados da maçã, cebola roxa e porai vai...

boto fé sim que talvez role essas paradas em pelagens de animais sim cara, acho que o homem digeriu a fundo a dinamica da genetica e só agora apartir desse reducionismo ta conseguindo acreditar noq antes parecia mto obviu como as cores do milho serem expressoes geneticas domadas pela interaçao com o homem, dai agora pessoal ta conseguindo se aprofundar apartir do conhecimento fruto do reducionismo e rever o quao holistica e dinamica é a natureza.

po n intendi oq voce quis dizer q a gauss funciona só pro genotipo e o fenotipo seria otro calculo

#17 sano

sano

    Cidadão Insurgente

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Posted 07 August 2011 - 03:33 AM

Muita info nova!

#18 sheeponsoma

sheeponsoma
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Posted 26 August 2011 - 01:24 AM

Tinha era que ter uma board de botanica!

[]'s


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